Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

SUSPIRO LEVIANO, C'EST TOUT!

L.W. Perkins, Matthew Carlton

 

Desde o Verão, soube há pouco, os carabinieri andam atarefados. Seja pela recolha de fundos por multas que as autarquias italianas necessitam, seja pela vaga conservadora que avassala o país de Berlusconi, esbirros vigiam e somente estar paredes-dentro salva de coimas o cidadão. Enfiada a burca/salvaguarda da segurança pública, as Câmaras dos lugares da 'bota mediterrânica' viram legitimado o direito de proibir. Paga aos carabinieri quem violar as normas saídas ainda quentes do forno da imparável imaginação de cada um dos autarcas italianos sob a batuta de Berlusconi - homem de boas práticas e melhores costumes por lobrigar. O que é permitido em Verona é proibido em Veneza e apenas com manual de conduta em cada lugar(ejo) italiano é possível conhecer a fronteira da permissão.

 

Decotes, vestidos curtos, mini-saias, calças descaídas que permitam vislumbrar lingerie fazem incorrer em pena a utente. Apanhar conchas, erguer castelos de areia, massagens profissionais, ouvir música antes das 16h nas praias está fora de questão sendo vontade impedir assalto legal aos bolsos ou ao que deles fizer vezes. Circular com latas de cerveja, garrafas de vinho - que farão as gentes às ditas ao regressarem a pé do supermercado? -, andar com socas – culpadas de ruído excessivo -,  grupos que excedam dois membros nos parques públicos meia hora antes da viragem da noite para dia novo são candidatos à caça. Ainda que abrangidos pela condição de casal não se livram da multa ocorrendo-lhes beijarem-se no automóvel - mostras de amor explícito assim tornadas viciosas; pedir esmola igualmente obtém punição - a multa presumo ser retirada do chapéu/cofre ou da lata chocalhada pelas moedas.

 

In factum, usar burca equivale a vestido mini e decotado – 500 euros de coima, além do insulto aos limites morais islâmicos que proscrevem a similitude. A primeira, devido a poder abrigar armas letais e terroristas, o segundo por ofender a moral pública – outra justificação é mentira porque dentro dele qualquer artefacto extra(ordinário) é visível. Preventivamente e sob a capa de segurança máxima contra os «al-qaedistas», França, Bélgica. Holanda e Itália  proíbem a par da burca, o niqab – aquela peça inenarrável que, à semelhança dos super-heróis, esconde o rosto e dificulta a identificação do putativo malvado. O hijab passa impune - também melhor fora que um xaile ou lenço grande tapando cabelo e pescoço significasse perigo eminente. Que faríamos nós, correctas cidadãs do ocidente, se uma saraivada louca nos privasse das echarpes e pashminas «tapa-tudo»?

 

Os deuses não estão loucos, mas os herdeiros terráqueos com cérebro de galinha, sim. E nem adianta acrescer argumentos e lembrar direitos: _ suspiro, desta feita leviano, c'est tout!

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:00
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