Sábado, 15 de Fevereiro de 2014

SENHORA BENQUISTA

 

 

Georgy Kurasov

 

Quem dera ter atingido a condição de Senhora benquista. Mas, de quando, em vez, foge-me o pé para a chinela. Vale-me das matriarcas da família umas terem finado há décadas, outras, nada ousarem nas teclas. Fica a condenação adiada ou encarreirada em olhares e palavras vivas. Mentira! Pelo muito amor não o fazem e não é bom.

 

De tão bem educadinha (formatada), dei em mulher irreverente, que manda às malvas «pré-conceitos» e conceitos que se elevem em picos socialmente recomendáveis. Destes, o mais rejeitado é o snobismo (intelectual ou económico – ambos formas de exclusão dos pobres coitados sem pedigree como eu).

 

Amiga que muito prezo rotulou-me de snobe no intelecto. Porque dela aprecio o espírito, o estar e o ser no todo, refleti. Sou «peneirosa» em dose viral? Haverá mezinha/remedeio que não a autocrítica constante e da qual não abdico? Desabono que me atinge – julgava a humildade parte da matriz pessoal. E julgo. E não abdico do gosto de aprender nos muitos que muito mais sabem do que eu.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:54
link | Veneno ou Açúcar? | favorito
Sábado, 5 de Outubro de 2013

OCIOSIDADE DE FIM-DE-SEMANA

Na geometria do corpo, o cubismo de Georgy Kurasov – The Return               Georgy Kurasov - Umbrella

 

Pelos no entrepernas das mulheres. Hoje em dia, “vareia” – perdoada seja a private joke familiar. Cansámo-nos de aspirar incómoda pilosidade derramada no chão da casa, foi o que foi. E vai daí, cortámos o mal pela raiz. Quem não gosta come menos e acriançadas não viramos, afiançam.

 

A estação corrente é pouco favorável ao apreciador de pernas femininas porque envoltas em calças e botas. Existe, no entanto, vantagem importante: as pernas ficam apresentáveis e livres da pele escamada, morta de secura causada pelo calor e Sol que nem os cremes mais cremosos saram. Desde que o catálogo da Sears Roebuck (1922) explicou às mulheres como se faz, não há desculpas. O tempo frio é mais interessante neste particular. É aquele onde a verdadeira hetaire joga tudo: apesar de cobertas e aquecidas, as suas pernas permanecem lisas e macias. Tanto desvelo só pode ser retribuído com deleites. Muitos e bons.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:33
link | Veneno ou Açúcar? | favorito
Segunda-feira, 3 de Setembro de 2012

FORAM ELAS

Georgy Kurasov

 

Na história da literatura, as mulheres foram protagonistas. Não como escritoras, raras obtiveram do mérito e da fama os proveitos, mas como leitoras. Em idos e no presente, a palavra escrita fascina-as, enredam-se nas teias crescidas nas histórias, nas de seda das cartas de amor - hoje, dispensados o romantismo dos papéis aromatizados, a letra desenhada com pena a escorrer tinta de emoção, o mensageiro e o seu duplo toque. O alvoroço de quem recebe manteve-se. Mais curta a espera pela velocidade da luz nos polímeros que levam e trazem novas.

 

A Inquisição escolheu como vítimas, fundamentalmente, mulheres com saberes e os livros. Uns e outros atirados às fogueiras do ódio. Nem assim extinto o desejo do conhecimento, mesmo se folhas de jornal onde um poema de Rilke veio a propósito numa crónica andarilha e tem a serventia de forrar soalhos enquanto paredes e tetos são pintados. Ignorância? Desleixo? Crime? _ Qual quê? Pior faz regime totalitário que soe cair na tentação de condicionar ou exterminar a palavra escrita «mai’lo» autor. Cidadãos que pensam, mulheres em particular para que não se ergam acima das chinelas do saber e destruam núcleos familiares submissos, são risco social, julgam os ditadores.

 

É contado que Ossip Mandelstam foi aniquilado e os poemas destruídos. A companheira memorizara-os e escreveu-os. Negou ao tempo a borracha. Oposto aconteceu com a heroína literária russa Maria Bassova, atiradora reputada do “Exército Vermelho” e o seu enamoramento por um oficial da fação oposta. Venceu a obediência de Maria à política orientadora. Elimina o oficial. Mas a narrativa tem um entremeio: ele quer fumar, faltam mortalhas. Ela escrevia poemas num caderno onde derramava tesouros íntimos. Dele, até à última, rasga folhas que enrolem o tabaco.

 

O medo, a morte, o amor, sempre o amor elevado pela escrita a beleza maior do que no real, todavia sem o arrepio da pele que só a vida autoriza.

 

Nota: publicado no "Escrever é Triste". 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 16:52
link | Veneno ou Açúcar? | favorito

últ. comentários

Olá. Posso falar consigo sobre a sua tia Irmã Mar...
Olá Tudo bem?Faço votos JS
Vim aqui só pra comentar que o cara da imagem pare...
Olá Teresa: Fico contente com a tua correção "frei...
jotaeme desculpa a correcção, mas o rei freirático...
Lembrai os filhos do FUHRER, QUE NASCIAM NOS COLEG...
Esta narrativa, de contornos reais ou ficionais, t...
Olá!Como vai?Já passaram uns meses... sem saber de...
continuo a espera de voltar a ler-te
decidi ontem voltar a ser blogger, decidi voltar a...

Julho 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

pesquisa

links

arquivos

tags

todas as tags

subscrever feeds