Quinta-feira, 16 de Abril de 2015

MAIS UM, MENOS UM

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Greg Hildebrandt

 

 

Tenho remoído a pouca representação feminina nos diversos governos, as quotas em que nos perfilam, e o Dia da Mulher sem equivalente masculino. Como gota de água, vem a Clara Ferreira Alves realçar o nosso desalinho com os números, resumindo corrosiva: “continuamos a ter um problema. Somos mais estúpidas que os homens.” Do primeiro ao último facto, tudo me encaminha para a conclusão de néon - podemos trabalhar como condenadas, sermos independentes, dispensarmos o homem portas adentro, que são eles a dar cartas e a deliberar sobre as benesses que nos concedem. Assim seja!

 

 

Tempo atrás peroraria empenhada. Não deixaria cair argumentos, encadeá-los-ia tentando levar ao tapete os ditames masculinos. Agora, não. Cansei, fartei, que se dane! Cada mulher que se vire e trate de si. Teimo no olhar solidário para a afirmação feminina, enquanto confio na realidade, por aí já descarada, para a impor. Contra factos, argumentar é ocioso.

 

 

Não tenciono prescindir do cavalheirismo masculino, do dia da Mulher e de todos os dias que tenham por intenção mimar-me. Mais declaro: nunca me importei, nem importo, que o condutor me abra a porta do automóvel sim, sei que há fecho centralizado e comando, mas o simbólico conta, e muito! -, que convivas masculinos simulem levantar-se se sou obrigada a sair da mesa a meio de um jantar ou de uma reunião formal, que me sirvam o vinho. Não rejeito bouquets, presentes, mimos ou ajuda. De resto, adoro retribuir em profusão. Não me abespinho por um qualquer gentil homem mudar o pneu quando este ousa o furo. Acontecendo ficar um amigo sem o botão do casaco, não hesitarei no socorro, dando préstimo à agulha e linha. Aprovo a compreensão policial ao deparar-se com as minhas ingénuas(?) prevaricações e o sorriso cúmplice isento de multa: - “Não repita!” Chamem-lhe vícios ou maus hábitos. Entre tantos que somo, mais um, menos um, que importa?

 

 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

 

 

publicado por Maria Brojo às 08:00
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Sábado, 29 de Outubro de 2011

CONCHITA

Greg Hildebrandt , Daniel Green, Richard Whitney

 

Na vida adulta dos meus avoengos, o pecado da luxúria falava espanhol. Melhor, encantava em espanhol, convencia por gemidos e obtinha através de beicinho e volúpia. Os casinos da Póvoa de Varzim e da Figueira da Foz desfaziam, no Norte e Centro, fortunas em menos de um Pai Nosso rezado, com fervor e de joelhos prostrados, frente aos oratórios pejados de Santos e santinhos pelas mães e «esposas» devotas e (des)enganadas.

Os desvios do bom caminho de um ‘rapaz de família’ começavam nas 'Repúblicas Coimbrãs', aí continuavam até o enérgico «Basta!» do pai de família ao temer exaurida a bolsa. Tinham interlúdio no casamento por amor ou «arranjado» que legitimava discretas e ocasionais derrapagens desde que na ignorância da respectiva e ao jantar, servido a horas, ninguém faltasse. Um sossego!

Amornados os sentimentos, a modorra instalava-se. Os negócios entediavam e os ímpetos careciam de potenciados estímulos. Os parceiros de tertúlia garantiam:

_ “Do que precisas é da Conchita! Ficas outro!”

E ele ia. E ficava. Enrubesciam as faces, o olhar coruscava, o riso bailava e a vela dos negócios enfunava como se alísio soprasse. Tudo corria de feição até o homem se apaixonar. Aí começava a pensar, falar, comer e gemer em espanhol sob o imperioso domínio da horizontalidade das artes de nuestra hermana. A Conchita florescia, a fortuna do homem diminuía, o tabelião afiava as unhas, a Conchita abalava e as mágoas perdiam-se à mesa de jogo. As devotas mães e esposas continuavam prostradas de joelhos, levantando o olhar fremente para os Santos e santinhos. O oratório, esse tinha desaparecido.

 CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:32
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