Feita a poda de Janeiro, os arbustos estendem ramos novos prolongados por verde juvenil. Em rubi, brincos-de-princesa disfarçam grades e muros. A rua curva como as vidas, o portão verde franqueia memórias doces e dolorosas ou não tivesse partido um grande amor da família.
Atrás do tijolo, o bucho limita canteiro. Subindo degrau modesto, estrelícias pontificam no empedrado que a outros degraus conduz. Da imponência e elegância da folhagem surgem, espampanantes, pontas de fogo nascidas de brácteas carnudas que também geram pétalas azuis. Aves-do-paraíso. E que belo dizer da flor/pássaro apenas clamando sol!...
Dentro do rosa português, outros amores, objectos simbólicos. Ofertados as mais das vezes, vazios de bombons e conhaque, as embalagens ficaram no armário onde outros estão guardados pela lembrança de quem à casa os levou. Amigáveis trocas de presentes, aniversários, Natais, Páscoas? Talvez. Mas houve afectos nas dádivas que as fizeram permanecer.
A menina da rádio não o é ao acaso. Com o pai tomou gosto às sintonias, à descoberta de postos, à companhia como forro de tarefas. Na azáfama do ‘limpa e esfrega’, mãos pouco zelosas arruinaram palhinha, deterioram rebordos. Além destes mais há que não couberam nos retratos.
No pérola que cobre o estuque, ofertas de amigos outros - manchas de cor contemporâneas, românticas as flores pastel pintadas sobre pó de vidro e cozidas em mufla. Assimetria na ordem, paleta harmoniosa.
Preparativos para a Festa da Páscoa: a Senhora tem orquídeas, o centro de cobre outonal substituído por hastes de pessegueiro em flor; arroz doce em digna taça de barro rescende a canela. Do leite-creme, a cor e o aroma do açúcar queimado com esmero que o palato agradecerá com 'Aleluia' sentido.
CAfÉ DA MANHÃ
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