Quinta-feira, 21 de Maio de 2015

ANITA E MARTINE

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Marcel Marlier

 

 

Anita mudou mesmo de nome. Ou melhor, voltou a chamar-se Martine, nome original da personagem criada em 1954 pelos belgas Gilbert Delahay (escritor) e Marcel Marlier (ilustrador), e pelo qual é conhecida nos outros países.

 

 

Fomos ao jardim zoológico com a Anita. Aprendemos a ler com a Anita. Conhecemos a vizinha da Anita, uma miudinha loira, meio arrapazada, quando as duas entraram à socapa na casa de uma velhota e suspeitaram de que dentro do tacho ao lume, que na altura nos parecia enorme, a fervilhar, estava um gato (seria mesmo um gato? talvez o gato de uma delas?) a ser estorricado. Andámos de bicicleta com a Anita, vimo-la cair, fazer uma ferida no joelho, e levantar-se e agarrar novamente na bicicleta. 

 

 

Vimos a Anita na festa das flores, nessa festa em que os carros (ou seriam camiões?) seguiam cobertos de flores, os pneus cobertos de flores, os volantes, gigantes, cobertos de flores, vermelhas, amarelas, brancas, de todas as cores, e lembrámo-nos, vá-se lá saber como, de umas das ilustrações: a festa está quase no fim, começa a entrar a noite, os últimos foguetes rebentam no céu tingido de vermelho e rosa, e no chão as pétalas de flores, mortas, parecem prolongar o sonho.

 

 

Fomos à festa de anos da Anita. Não éramos uma das miúdas que se sentaram à volta da mesa para a ver apagar as velas de aniversário, mas era como se fôssemos, não porque a história tivesse esse poder de nos levar para dentro (que tinha), mas porque éramos praticamente da mesma idade. Lembrámo-nos outra vez, vá-se lá saber como, da forma como o creme que ia enfeitar os bolos (que vimos também numa das ilustrações) saía em espirais perfeitas de tubos muito compridos, mas pode ser invenção da memória. Tivemos um "domingo diferente" com a Anita. Tivemos muitos dias diferentes com a Anita. 

 

 

A Zero a Oito, editora responsável pela nova dinamização dos livros infantis que a Verbo introduziu em 1966 ("Anita no jardim zoológico" foi o primeiro título publicado), fez circular um comunicado para informar que a Anita tinha mudado de nome. Ou melhor, que tinha voltado a chamar-se Martine, nome original da personagem criada em 1954 pelos belgas Gilbert Delahay (escritor) e Marcel Marlier (ilustrador), e pelo qual é conhecida nos outros países. 

 

 

Quer-se, pois, que a "menina modelo, confidente, curiosa, enérgica e cheia de iniciativa", "com desejos e dúvidas genuinamente humanos", transmitindo às outras meninas "a confiança de que elas precisam para se sentirem capazes de ultrapassar qualquer tipo de situação", como se lê no documento, seja tratada pelo mesmo nome em todo o lado.

 

 

“Cada vez mais, as crianças de todo o mundo estão unidas pelas mesmas histórias, pelos mesmos temas, pelos mesmos heróis de animação. Todas elas sabem quem é o Mickey, o Noddy e o Harry Potter. Esta razão, aliada ao conceito de ‘aldeia global’ em que vivemos atualmente, faz com que a decisão de voltar às origens ganhe todo o sentido.” O nome de Anita não foi o único que mudou. Minouche (a gata) passou a Minuche e Jacqueline a Jaqueline. Jean, que não existe na língua portuguesa, assim como Alain, foram traduzidos respetivamente para João e Alexandre (nomes mais próximos do original).

 

 

A editora em Portugal justifica estas alterações dizendo que se tornou "necessário adaptar alguns detalhes dos livros à fonética e à realidade das crianças de hoje, que estão agora a aprender a ler". 

 

 

Aos mais nostálgicos da personagem conhecida por Anita, deixa uma garantia: "O nome mudou, mas as histórias não". Os primeiros 10 livros de Martine estão já à venda em Portugal, e até ao final do ano devem ser lançados mais 16 volumes.”

 

 

 

Nota – Fonte aqui

 

 

 

Podemos ter desgosto pela nossa pequenada em vez da Anita conhecer a Martine. Todavia, se impingirmos as «Anitas» que guardámos religiosamente para os filhos, nas conversas da escola eles certamente irão sentir-se «Martinó-excluídos».

 

 

 

Somos avessos a mudanças, é sabido. Prezamos o nosso lugar de conforto onde alterações são invasoras. Rejeitar é o mais fácil. Evoluir o mais difícil. Mas que somos então? Cágados à espera que os setenta anos de média de vida ou mesmo um século escoem? _ Que pepineira seria!

 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Maria Brojo às 08:00
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Sábado, 20 de Setembro de 2014

SEM PONTA DE IMAGINAÇÃO

 

Valery Vetshteyn

 

Consideram alguns não haver mérito de quem escreve faltando «imaginação». Traduzo: ficcionar sem qualquer sustento real. Criar de raiz personagens e respetivas estórias. Inventar mundos alternativos à feição do Tolkien no “Senhor dos Anéis”. Ou como Rowling no “Harry Potter”. Supõem, julgo, que nestas criações e outras mais recuadas a realidade que emoldura o autor não contaminou a obra. Nisto, pranto a minha absoluta discordância. Mais – não consigo sequer configurar escritor imune às emoções, acontecimentos, pessoas e sentimentos por ele experimentados. Mesmo quando a ficção surge como irrealidade fantástica, as personagens foram retocadas à custa da tia-avó intrometida, do amigo bom-garfo ou da vizinha com língua viperina.

 

Não sei escrever estórias sem ligação ao que me constitui. Ao vivido. Ao idealizado. À encenada projeção de dúvidas, gostos e desgostos. Por tudo, rabiscadora menor? O discurso escrito tem ardis e mistérios que me cativam. Bastas vezes me enrolo no encantamento das palavras e curvo o conteúdo pela fruição de vocábulos vindos dos aléns do pensamento. Retomo o curso, é certo, mas o gozo das artimanhas que as letras sugerem é tentador. Não fique retido considerar despiciente a substância dos textos. Nem um pouco! Pura fantasia o que escrevo? Umas vezes, sim, outras não. Um facto sublinho: em qualquer circunstância há a verdade da mulher que sou. Por lealdade – sempre ela que tantos amargos de boca me traz e devia(?) ter aprendido a rodear – para com o leitor, obrigo-me a esta reflexão.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:45
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Terça-feira, 13 de Novembro de 2012

CENÁRIO DE DÚVIDAS E (IN)CERTEZAS

Giorgio Brunacci

 

Consideram alguns que sem «imaginação» não existe mérito de quem escreve. Traduzo: ficcionar sem qualquer sustento real. Criar de raiz personagens e respetivas estórias. Inventar mundos alternativos à feição do Tolkien no “Senhor dos Anéis”. Ou como Rowling no “Harry Potter”. Supõem, julgo, que nesta criações e outras mais recuadas a realidade que emoldura o autor não contaminou a obra. Nisto, pranto absoluta discordância. Mais – não consigo sequer configurar escritor imune às emoções, acontecimentos, pessoas e sentimentos por ele experimentados. Mesmo quando a ficção surge como irrealidade fantástica, as personagens foram retocadas à custa da tia-avó intrometida, do amigo bom-garfo ou da vizinha com língua viperina.

 

Não sei escrever estórias sem ligação ao que me constitui. Ao vivido. Ao idealizado. À encenada projeção de dúvidas, gostos e desgostos. Por isto, rabiscadora menor? O discurso escrito tem ardis e mistérios que cativam. Bastas vezes me enrolo no encantamento das palavras e curvo o conteúdo pela fruição de vocábulos vindos dos aléns do pensamento. Retomo o curso, é certo, mas o gozo das artimanhas que as letras sugerem é tentador. Não fique retido considerar despiciente a substância dos textos. Nem um pouco! Pura fantasia o que escrevo? Vezes, sim, vezes, não. Um facto sublinho: em qualquer circunstância, há a verdade da mulher que sou. Por lealdade – sempre ela que tantos amargos de boca me traz e devia(?) ter aprendido a rodear – para com o leitor, obrigo-me a esta reflexão.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:40
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