Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2015

FICAM CANSADAS AS RUAS

 

Henryk FantazosCarousels.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Henryk Fantazos – “Carousels”

 

 

Entre carnavais tantos, penosamente arrastados no ano inteiro, chegado o sério, apetece o desembrulho da frase: “"Carnavais há muitos, ó palerma!” Das sátiras e rebolados é o tempo. Dos carros alegóricos atafulhados de enfeites. Dos corpos seminus que o frio enregela. Dos eles que se fazem delas -– quiçá manifesto desgosto por enchumaçarem o lugar de veras mamas -– e daqueles bombos da festa pertencentes a todo um povo.

 

 

 

Arriscam portuguesas branquelas e brasileiras exportadas contrairem pneumonia a troco das nádegas ao léu sobrando das tangas. Meneiam ancas, enrodilham as pernas dependuradas em saltos. Purpurinas de mil tons disfarçam amarguras e rugas. Cartazes pindéricos, como estandartes puídos nas procissões, congregam descrentes no futuro. Dos foliões falsos e fatelas, algumas ruas ficam cansadas.

 

 

 

Desmantelada a festa sem graça e graças que espirrem risos, sobra gentiaga esfaimada por alegria séria que não chega.

 

 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

 

 

 

 

 
publicado por Maria Brojo às 08:00
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Terça-feira, 25 de Março de 2014

POR CADA BOA NOTÍCIA UMA MÁ

  

Josephine Wall                                                                                                             Henryk Fantazos

 

Ao japonês Shigeru Ban foi atribuído o mais importante prémio da arquitetura, o Pritzker 2014, equivalente, é dito, ao Nobel da Arquitetura assim ele existisse. Destaca o trabalho de Shigeru Ban a perícia em aliar design exemplar à utilização de materiais inovadores, leves, económicos, alguns em cartão que trata com desenvolvida tecnologia até oferecerem resistência e durabilidade. Mais há: considera a arquitetura ao serviço dos poderosos esquecendo preocupações sociais. Como prova, salienta a fragilidade das construções perante catástrofes, nomeadamente, terramotos. “Não são os terramotos que matam, mas sim a inadequação do construído às tormentas naturais.”

 

Coerente, Shigeru Ban realiza trabalho voluntário pelos sem-abrigo e outros despojados após tragédias que a força da natureza provoca. Constrói abrigos com materiais simples, porém seguros, que alojem sobreviventes, lhes forneçam privacidade e restaurem a confiança. (Aconselho busca nas imagens do Google para visualizar algumas das obras de Shigeru Ban)

 

O Departamento de Saúde Pública da Organização Mundial de Saúde informou que “a poluição matou sete milhões de pessoas em todo o mundo em 2012, ou seja, foi responsável por 12,5 por cento das mortes nesse ano, tendo-se tornado o «principal risco ambiental de saúde do mundo».” Especificou: a qualidade do ar não só é reduzida no exterior mas também no interior das habitações devido ao simples ato de cozinhar, aos aquecimentos que utilizam madeira e aqueles destinados a condicionar a temperatura doméstica. Consequências: diversos tipos de cancro e doenças cardiovasculares. O problema agudiza-se na Ásia e nos países do Índico.  

 

Nota – sobre o tema da qualidade do ar que respiramos, dois textos científicos em linguagem acessível já aqui publicados: “MP 2,5”, o primeiro, e “Fumadores versus grelhados”.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:55
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Segunda-feira, 14 de Maio de 2012

MAIS DO QUE O DITO

Henryk Fantazos

 

Saudades do levantar de pano que abra a boca de cena. Saudades da expectativa no instante em que os atores iniciam transposição para outras vidas. Saudades de pantominas e teatro de rua. Saudades das emoções que a ópera transmite na maravilha de artes várias conjugadas. Saudades de um concerto, do cerrar de olhos para que somente música seja inspirada e vista dentro - porque a música também alimenta os olhos da consciência. Saudades de mais bailado. Saudades da tela branca no cavalete, do cheiro dos óleos e das misturas que entre si darão forma ao imaginado. Saudades de mais vida.

 

Mergulhar em quotidianos gastos é tentadoramente fácil. Não encontrar motivos pessoais para que o espírito beba de fontes diversas, também. E se os habitantes no interior do país lamentam a escassez de oferta cultural, nas duas grandes urbes que temos onde maioritariamente está concentrada, quem lá vive quantas vezes esquece a variedade do que pode fruir. Aferrolhada no trabalho, havendo, e na casa, na «crise» com cêntimos contados, lateraliza os espetáculos gratuitos oferecidos nestas e noutras cidades. Sobreviver é isto. Viver com alguma qualidade é coisa outra que passa por mais do que ficou dito.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 13:57
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Quarta-feira, 9 de Março de 2011

PELA BOCA E PELA CANETA

Henryk Fantazos

 

Entre milhões de milhões, novo desempregado: John Galliano. A casa Dior mandou-o costurar frases ofensivas, bebedeiras e adições para outro lado, menos por convicção, presumo, do que por receio de contágio deformador da imagem elegante da empresa que ele recuperou da falência anunciada. Despedimento com justíssima causa – são intragáveis as frases do homem quando há menos de quinze dias, lastrado por álcool e por mais não referido, insultou um casal no La Perle. A par de hálito fedorento, julgo, pela boca saiu-lhe:

_ Sua cara suja de judia, devias estar morta. Seu ‘cabrão’ asiático, vou matar-te.

O vídeo publicitado dias após, mostra Galliano no mesmo bar, bradando frases anti-semitas culminadas com um “Amo Hitler". Exemplar de desempregado que não suscita preocupação – tem muito para viver bem e à francesa.

 

Demitido de coordenador da DREC (Direcção Regional de Educação do Centro) foi o também professor da Escola Secundária Dona Maria em Coimbra. Ernesto Paiva de seu nome, militante socialista por opção, assinou documento onde era contestado o novo modelo de avaliação dos professores. Segundo a Direcção Regional, cometeu “deslealdade” imperdoável. Motivo para o riscar da lista de colaboradores. Do incidente é concluído que funcionário deve esquecer a consciência se, institucionalmente, exercer trabalho associado a organizações estatais beatas obrigando a rosários de «ámens». País de asnos e nababos directores de repartições/instituições multiplicadas, fundações, que só por existirem um povo inteiro arruínam. Como alívio e esperança, maravilhas das quais humanos fruem.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:42
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Olá Tudo bem?Faço votos JS
Vim aqui só pra comentar que o cara da imagem pare...
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Lembrai os filhos do FUHRER, QUE NASCIAM NOS COLEG...
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