Terça-feira, 2 de Dezembro de 2014

PONTES DO DIABO

Ponte do Diabo de Misarela, Portugal A.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ponte do Diabo de Mizarela, Portugal

 

Sei que as pontes são obras de engenharia complicadas de desenhar e construir. Em idos remotos, sendo muitas as dificuldades, as populações recorriam às forças do oculto para, julgavam no obscurantismo reinante, as ajudarem a erguer a obra. Disto, contam as lendas. Por toda a Europa há "pontes do diabo" desde Gales, no Reino Unido, à Bulgária, a França, à Itália, às montanhas da Suíça, a Espanha e até em Portugal. Todas com alguns séculos em cima e com lendas que perduram. Por cá, o demónio também ajudou a construir algumas pontes sendo a mais emblemática a de Mizarela. Foi erguida na Idade Média e reconstruída no início do século XIX. Mizarela é sita a 13 km da sede do concelho, no vale do Caldeirão, Parque Natural da Serra da Estrela, na margem esquerda do rio Mondego.

 

 

“Nos anos 80, aquando da construção da Casa do Povo, foi imortalizada num painel de azulejos colocado na fachada desse edifício a lenda que explica a razão pela qual Mizarela ou Misarela é conhecida como a Aldeia do Melro. Conta a história que um agricultor andava pelos campos, de roda das cerdeiras, zelando pelas cerejas que estavam a amadurecer e, como tal, apresentavam uma cor amarelada quando vê fugir um melro do meio de uma das árvores. Tendo o dito pássaro o bico amarelo, contava ele que tal fosse uma cereja e desatou a correr atrás dele empunhando uma espada de cortiça. Quando o pássaro parou em cima de um barroco de granito o agricultor não pensou duas vezes e atirou a espada com o intuito de acertar no melro. Consta que a pontaria não foi a melhor mas que, tal a fúria e determinação das gentes da terra, ao que parece o dito barroco abriu-se com o impacto tendo a espada de cortiça ficado cravada nele. Alguns populares acrescentam que o dito agricultor correu atrás do melro bons quilómetros, até ao sítio do Apeadeiro de Sobral da Serra. Outras fontes mais pictóricas afirmam que o melro levava realmente uma cereja no bico e que, para fugir da espada, a deixou cair e esta se foi enfiar na brecha recém-aberta no barroco e que daí rebentou uma cerdeira.”

 

 

Segundo outra lenda, um criminoso fugido da justiça viu-se encurralado e desesperado ao chegar aos penhascos sobranceiros do rio. Talvez pelo peso da consciência, o criminoso invocou o nome do mafarrico que de imediato apareceu. Disse o diabo: _ "Ajudo-te a passar mas em troca dás-me a tua alma". Em ato de desespero, o que importava era salvar o corpo em vez de ser capturado e enfrentar a justiça o criminoso assentiu. Num ápice, o diabo fez aparecer a ponte, o foragido passou para a outra margem deixando as autoridades perante obstáculo intransponível, pois a ponte já se tinha esfumado. A estória não se ficou por aqui. Passados tempos, o pobre homem sem alma viria a arrepender-se do pacto que tinha feito e foi contar o sucedido a um padre. Disse o padre: _ "Pecado, terrível pecado! Vais outra vez ao mesmo sítio e voltas a chamar o Diabo, pedindo ajuda para a travessia do rio. Deixa o resto comigo." Assim foi. Já no local, o desgraçado volta a chamar o chifrudo que logo apareceu e concede-lhe o desejo: a ponte surgiu. A meio da travessia, o homem parou, o padre escondido apareceu com água benta e aspergiu-a. O diabo esfumou-se no ar, deixando odor intenso a enxofre. O diabo tinha sido enganado. O homem recuperou a alma, a ponte ficou benzida e permanece.

 

Da ponte da Mizarela advém ainda mais uma lenda - “Quando uma mulher não levava a bom termo a gravidez ou pelo simples medo de perder o primeiro filho ainda na gestação, devia pernoitar na ponte até ao alvorecer, impedindo que algum ser vivo por ali passasse. De manhã, esperaria pela primeira pessoa que aparecesse, pedindo-lhe que com uma corda comprida presa a um recipiente apanhasse água com a serventia de benzer o filho ainda na barriga e ser o padrinho ou madrinha da criança. Rezavam um Pai Nosso e uma Avé Maria. "Se for rapaz chamar-se-á Gervaz, se rapariga, Senhorinha." Feito o pré-batismo, a mulher tinha sucesso na gravidez.”

 

Fontes – TSF e Wiki.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

 

publicado por Maria Brojo às 09:28
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Segunda-feira, 28 de Julho de 2014

FEITIÇO INTEMPORAL: O EROTISMO

 

Gustave Courbet – “Woman in White-Stockings”, c_1861               “Victorian Girl on Beach” – William Bouguereau, c_1825-1905”

 

No mundo ocidental, o conceito de erotismo foi e é associada a tabus – constatação à risível maneira de Monsieur de La Palisse*. A nudez feminina domina a arte erótica ao ser, maioritariamente, executada por homens. Nu pictórico desapaixonado é raridade. A nudez total ou insinuada, quer em idos remotos quer na atualidade, incendeia os sentidos. Que assim seja até ao final dos tempos!

 

O fascínio pela arte erótica atemorizou a civilização dita «judaico-cristã»: censurou  a sexualidade explícita na arte e velou o respetivo poder erótico. Resultado antagónico: incrementou o interesse por esta categoria da pintura, ainda que condenado socialmente. Outras religiões consideraram o prazer sexual como parte importante do culto – são exemplo as aventuras sexuais dos deuses e deusas em textos sagrados. O cristianismo não é uma religião sexual. Jesus, compassivo perante a união dos sexos, foi derrotado pela poderosa intolerância de São Paulo.

 

O clero, enquanto importante patrono das artes até ao século XVIII ocidental, manifestou profundo afeto pela pintura e escultura; originou inconfundível tradição artística na qual o conteúdo erótico de muitas obras foi apresentado de forma implícita ou codificada. Igrejas de toda a Europa, na maioria destruídas por degradação ou refregas, expunham retábulos eróticos (…)

 

(…) *Historieta a propósito de Monsieur de La Palisse. É conto que os soldados de La Palisse, ao ilustraram o comprovado arrojo do marechal caído nos campos de Pavia (1525), engendraram  canção em memória do destemido oficial. Nela, constava a estrofe seguinte:

"Hélas, La Palice est mort,

Est mort devant Pavie;

Hélas, s’il n’était pas mort,

Il ferait encore envie."

 

Segundo a lenda(?), terá sido responsável pela deturpação (…)

 

Nota – Texto integral aqui.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:06
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Sábado, 31 de Março de 2012

650 AN0S DE INCÊNDIOS

Mark Cross

 

Nesta precoce época de múltiplos incêndios, li e fez sentido a explicação que segue. Não resisto a publicá-la (fonte não registada).

 

“À medida que o homem se espalha pelo planeta, os incêndios aumentam e destroem a vegetação nativa. Essa é uma crença arreigada na maioria de nós. A realidade é não sabermos a quantidade de biomassa que era queimada anualmente durante a Idade Média ou ao longo do grande crescimento populacional do século XX. Estudos recentes demonstram que esta suposição está errada. A quantidade de biomassa queimada atualmente é a mais baixa dos últimos 650 anos.

 

Analisando imagens de satélite, é possível saber que parte do planeta está sendo devorada pelo fogo a cada dia. Mas esses dados cobrem apenas o período recente, pois faz menos de 30 anos que é possível compilar os dados a partir de fotos de satélite. Dados relativos aos últimos 2 mil anos podem ser obtidos medindo a quantidade de carvão vegetal presente nas diversas camadas do solo, em diferentes regiões. O problema dessa série de dados é que, apesar de ser recolhida em diversos continentes, retrata somente o local estudado. A novidade é que, analisando a quantidade de monóxido de carbono presente em amostras de ar sequestrado em colunas de gelo, foi possível calcular a quantidade de biomassa queimada, a cada década, nos últimos 650 anos.

 

Quando neva na Antártica, pequenas bolhas de ar ficam presas na neve. No ano seguinte, essa neve é recoberta por uma nova camada e a pressão faz com que ela se transforme em gelo, isolando a amostra de ar atmosférico em pequenas bolhas dentro do bloco de gelo. Ao longo dos séculos, essas camadas acumularam-se. Há anos, que os cientistas fazem furos em diversas regiões desse continente e recuperam amostras de gelo de diferentes profundidades. Amostras colhidas logo abaixo da superfície contêm o ar do ano passado. Nas retiradas de profundidades maiores o ar sequestrado representa o que estava na atmosfera no século passado e assim por diante. O estudo dessas amostras de ar já permitiu calcular tanto a quantidade de gás carbónico presente na atmosfera antes da revolução industrial quanto a temperatura da atmosfera no passado. Agora, utilizando métodos sofisticados de análise, foi possível medir a quantidade de monóxido de carbono nessas amostras. Como o monóxido de carbono é formado com a queima incompleta de biomassa, ele é um indicador da quantidade de biomassa queimada no ano em que o ar foi retido no gelo. Um obstáculo é que existe um outro processo de formação de monóxido de carbono na alta atmosfera. Mas novas tecnologias, capazes de analisar os isótopos de carbono e oxigénio presentes nas amostras, permitem distinguir a quantidade de monóxido de carbono gerado por cada processo.

 

Os resultados confirmam o que os cientistas haviam descoberto analisando a acumulação de carvão nas amostras do solo. Entre 1350 e 1650 houve uma redução de aproximadamente 50% na quantidade de biomassa queimada. Entre 1650 e 1850, a quantidade de biomassa consumida pelo fogo quase duplicou. A partir de 1850 é observada uma queda rápida na quantidade de biomassa queimada. Esta queda contínua faz com que a quantidade de biomassa queimada atualmente seja a menor dos últimos 650 anos. Esses dados sugerem que nunca existiram tão poucos incêndios nas superfície do planeta quanto nas últimas décadas. Se forem confirmados, os dados demonstram que a hipótese dos incêndios acompanharem a colonização do planeta pelo homem não corresponde à realidade.

 

A maneira mais simples de interpretar os dados é correlacionar as queimadas não com a atividade humana, mas com o clima. A primeira queda corresponde ao período de resfriamento, chamado 'Pequena Idade do Gelo', que terminou por volta de 1500 e foi seguida por um ligeiro aquecimento nos séculos seguintes. A grande dificuldade é explicar a abrupta queda entre 1850 e o presente, atualmente um mistério. Outra dificuldade é prever o que vai acontecer nas próximas décadas com o gradual aquecimento do planeta.

 

O fato é que a especulação de que a maioria dos grandes fogos responsáveis pelo aumento do monóxido de carbono ser provocada pela atividade humana parece não ser verdadeira. Tudo indica que a temperatura da atmosfera é o fator mais importante. De uma coisa há certeza: esses novos dados vão provocar polémica entre climatologistas e ambientalistas e, provavelmente, devem forçar uma revisão de alguns modelos do aquecimento global.”

 

CAFÉ DA MANHÃ I

 

 

CAFÉ DA MANHÃ II

 

publicado por Maria Brojo às 09:05
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Olá Tudo bem?Faço votos JS
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