Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011

NA PRIMAVERA DO INVERNO

Chris Peters, Gustave Courbet

 

Não sei quem escreveu, tão pouco se é dito popular, mas por voz amiga soube: “O Outono é a Primavera do Inverno”. Ora, implantado «calor de ananases» em cada dia nascido, garantindo os meteorologistas não haver perspectivas de nuvens que vertam o líquido que nos constitui e ao planeta em cerca de 70%, escasseia o bem maior. Em Bragança, é tempo de secura nos solos e nos ribeiros; a água potável em reserva apenas satisfaz as necessidades das 35000 pessoas afectadas durante mês e meio. Secura também nos pastos alentejanos. Dramática antevisão do que aos vivos espera daqui a décadas continuando desperdícios insanos.

 

Vozes se alevantam contra a entrada paga aos domingos nos museus. Por esta, estou de acordo com a decisão desde que duas horas, ou uma e meia antes do encerramento sejam, diariamente, gratuitas. Em Londres, Paris, Nova Iorque, Paris e noutros lugares o mesmo acontece desde que me lembro e não consta ter diminuído a afluência dos esfaimados por cultura ou dos curiosos. Mesmo considerando que se trata de países ricos cuja população tem nível de vida abissalmente melhor que o do nosso povo, os convénios com instituições, escolas entre elas, as horas gratuitas de visita previnem acesso a todos. Fosse substituído pelo transporte público a inundação de automóveis no regresso a casa, haveria ganho de tempo para visitar «à borla» um museu - está subentendida franja de compatibilidade nos horários. Depois, sábados e domingos também são dias para aproveitar horas da tarde em visitas graciosas, assim haja querer.  

 

Nota: começa hoje e termina no domingo a Feira do Livro de Frankfurt – montra privilegiada para os livros escritos em português.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:16
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Sábado, 13 de Fevereiro de 2010

CABIDES MASCARADOS

Boris Artzybasheff


Escuro. Cabides brancos. Muitos. Rascas. Vazios ou com pendures invisíveis. Ininteligíveis. Os cabides eram paredes, tecto e chão. Rodeado por eles, vulto em contra-luz. Curvado, afastava-os à mão e aos pontapés. Abria caminho até à porta entreaberta por onde se atrevia feixe mingolas. À medida do desbravo, mais surgiam. Tentativa continuada. Do mesmo lugar, não arredava pé. Os cabides também não. E o breu persistia. Estorvada a compreensão. Qual o dono do vulto, sombra entre sombras?


Olho meu dentro, outro fora, perscrutava. Teima: perceber o escuro, o mexer sem resultado à vista. O fio luminoso não bastava. E a porta que não abria! Sem claridade, como ver? Quando um sentido embota, outros se espicaçam. Revi, um a um, os cabides. Dei fé: pretensa homossexualidade como «pecado» maior. Noutro: "licenciatura falsa concluída num domingo". Ao lado: “reabertura de mina em Aljustrel dura seis meses”. Mais um: “obras na Guarda assinadas por quem delas não foi autor”. Lateral: “investimento de investimento publicitário por parte de ministérios, institutos e empresas públicas”. Em baixo: Freeport. Sobre a cabeça: Face Oculta. Em frente: culpado da desgraça nacional. Amotinados os cabides.

 

O vulto esbracejava. Desajeitado. Corda desce de insuspeito furo no tecto. O homem olha-a. Enforco-me ou tento fuga? Grita e nenhum som escapa. Pode e não pode clamar socorro. À beira de se esboroar, mais frágil que salitre, o rectângulo governado. Cabides intactos. Ocultam saídas e favorecem liquefacção das paredes que sólidas deviam permanecer. Envoltos em lençóis e apoiados em andas surgidas do nada. Fantasmas ou gigantones de Carnaval.

 

CAFÉ DA MANHÃ
 

 

publicado por Maria Brojo às 08:27
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