Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2014

A «CARIDADEZINHA» 'BON CHIC, BON GENRE'

 

Alberto Pancorbo

 

Caridade. Caritativo. Caridadezinha. Caridoso. Compassivo. Esmoler. Dar um sorriso. Dar a mão. Dar o que não faz falta. Dar tempo. Dar para tudo ficar na mesma. O umbigo redondo e lustroso como antes. A derrota de quem recebe tão opressiva como ontem.

 

As boas acções, de caridade ou não, já foram obrigações diárias como o banho, lavar os dentes ou as mãos - dar moeda ao «pobrezinho», estender a mão à velhinha, deixar brincar connosco os filhos da empregada. Não havendo registado o dia candidato à bondade, era legitimada a troca por oração. Ajoelhada na cama - desde cedo recusei mortificar os joelhos no chão - debitava rezas mimadas com muitos «inhos» e «inhas», olhos em alvo e a pressa na voz (o livro esperava-me sob a almofada; pchiu...)

 

Dos produtos sazonais, a caridade é um deles. Mecenato, contribuição para acções sociais, tudo à mistura como PPRs e Contas Poupança Habitação. Descontam no IRS e dão para amealhar uns tostões. Merecida gratidão estatal pela nossa caridade só arribada pelo final do ano e a (des)prósito do Natal... Voluntariado e organizações arrebanham os sem-abrigo para bacalhau com couves e rabanada frita em óleo que já serviu a mais de mil. Os humilhados cedem, e vão, e engolem as batatas, debicam folha de couve, embrulham a rabanada num guardanapo de papel, arriscam caírem na óptica de prestimosa câmara de televisão vinda directa do chá fumegante organizado por «tias» com trapos griffés a leilão - “Para os pobrezinhos, claro!, tão infelizes, «tadinhos»...” E é o «máximo» ser útil, dar sentido ao vazio das próprias vidas que de outras, por via da engrenagem social, tudo sugou até não sobrar mais nada que a ceia caridosa mais a roupa da paróquia mais a ONG circulando pelas ruas onde a indiferença já foi desespero e agora é valida por caridade surripiada aos impostos. “Se alguém «mo» leva que seja por uma boa causa!” dizem almas esmoleres por via da fuga aos impostos. Ámen.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 09:13
link | Veneno ou Açúcar? | ver comentários (5) | favorito
Sexta-feira, 18 de Março de 2011

FISCO E PUTICES

Carlos Cartagena, Philipe Core

 

Entre os polacos, a fuga aos impostos tem receita simples: o cidadão declara-se prostituta(o) e silencia o fisco. Por cá, em plena “campanha do IRS” – adorei a expressão que remete para colheitas outras, plantios, mondas e vindimas – se o álibi for divulgado teremos como na Polónia taxa de 10% ou mais de prestadores de serviços sexuais. Regabofe enganoso.

 

Para se livrar da pecha, o governo polaco requisita provas: facturas de hotel, fotografias, marcações na agenda laboral, e-mails, et cetera. Complementa a prova através duma entrevista com dois esbirros do fisco. Esta, como outras economias informais, se por um lado floresce, por outro, com a exigência de provas rigorosas pode enfrentar contas difíceis. Em Portugal, nada estando previsto no que concerne a rendimentos por via da prostituição e sendo o povo esperto como alho, não custa admitir virmos a ser um dos povos mais put*****ros da Europa.

 

Ainda a propósito da “campanha do IRS”, Juntas de Freguesia rebelam-se contra não ter sido renovado o protocolo que lhes permitia auxiliar populares desvalidos na entrega online das declarações. Cobravam três euros por cada. Ora, tendo raízes no campo, sopé da serra mais exactamente, sou mulher que não hesita em arredondar os olhos e abrir a boca de espanto correndo o risco de ser tomada pelo que tiverem por bem, mal, no caso. Pergunto: _ Não é competência das Juntas, como doutras hierarquias autárquicas, zelar por quem as justifica? Sem euros à cabeça saídos do porta-moedas do papá Estado, quem precisa de ajuda que se estrafegue? É descaro pedir cêntimo que seja a um idoso ou desafortunado ou alguém outro com dificuldades por legítima e expectável prestação de serviços.

 

CAFÉ DA MANHÃ  

 

Cortesia de Cão do Nilo

 

publicado por Maria Brojo às 07:14
link | Veneno ou Açúcar? | ver comentários (38) | favorito

últ. comentários

Olá Tudo bem?Faço votos JS
Vim aqui só pra comentar que o cara da imagem pare...
Olá Teresa: Fico contente com a tua correção "frei...
jotaeme desculpa a correcção, mas o rei freirático...
Lembrai os filhos do FUHRER, QUE NASCIAM NOS COLEG...
Esta narrativa, de contornos reais ou ficionais, t...
Olá!Como vai?Já passaram uns meses... sem saber de...
continuo a espera de voltar a ler-te
decidi ontem voltar a ser blogger, decidi voltar a...
Autor que não foi possível identificar: Andrew Atr...

Julho 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

pesquisa

links

arquivos

tags

todas as tags

subscrever feeds