Sábado, 23 de Maio de 2015

O MURO DAS LAMENTAÇÕES

Alex Levin - (24).jpg

Alex Levin
 

 

 

“Uma jornalista da CNN ouviu falar de um judeu muito velhinho que todos os dias, duas vezes por dia, ia fazer as suas orações ao Muro das Lamentações e decidiu entrevistá-lo.

 

Pôs-se ao pé do Muro à espera e passado um bocado lá apareceu ele a andar com dificuldade, em direção ao sítio onde costumava rezar.

 

Esperou uns 45 minutos que o velhinho acabasse de rezar e quando ele voltava, vagarosamente, apoiado na sua bengala, aproximou-se para a entrevista.

 

_ Desculpe, chamo-me Rebecca Smith, sou repórter da CNN e gostava de o entrevistar. Como é que se chama?

 

_ Ytzhak Feldman.

 

_ Senhor Feldman, há quanto tempo vem rezar ao Muro?

 

_ Há uns sessenta anos.

 

_ Sessenta anos? Isso é incrível! E o que é que o senhor pede nas suas orações?

 

_ Peço que os cristãos, os judeus e os muçulmanos vivam em paz. Peço que todas as guerras e todo o ódio terminem. Peço que as crianças cresçam em segurança e se tornem adultos responsáveis. Peço amor entre os homens.

 

_ E faz isso há sessenta anos, todos os dias?! Como é que o senhor se sente?

 

_ Sinto-me como se estivesse a falar para uma parede...”

 

 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

 

 

publicado por Maria Brojo às 08:00
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Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2015

BÍBLIA? _ SÓ PARA ADULTOS

Balthus the-white-skirt-1937.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Balthus – “The White Skirt”, 1937, expressionismo, retrato, coleção privada

 

 

 

Da Babilónia, Heródoto relatou o costume das mulheres da sociedade se ofereceriam nos templos aos estrangeiros em troca de algumas moedas e oferendas para a deusa. O Livro de Josué menciona a prostituta Raab que pela bondade e coragem arriscou a vida ao esconder em casa dois espiões israelitas de visita à cidade de Jericó. Na Grécia, as hetairae conquistaram relevância social pela inteligência, pelo desprendimento, pela esperteza e pela capacidade de administração do capital; circulavam nos meios masculinos e teciam políticas. Rodopis, prostituta grega acumulou fortuna no Egito que justificou a construção duma pirâmide. "Não castigarei as filhas de Israel porque elas se prostituíram" Osaías versículo 12. Por estas e outras, conheço quem só ofereça uma Bíblia aos filhos depois dos 18 anos. Esta diversidade persiste e impede cristalizar uma ou outra versão da prostituição, decorrendo a pergunta se não é a economia que regula e define a prática.

 

 

 

 

Li: “Enquanto se considerar prostituta uma mulher de segunda e o sexo como algo que suja - especialmente as mulheres que se atrevem a tocá-lo já que os homens devem usar luvas - é difícil ultrapassar a cultura que penaliza a liberdade sexual feminina. E muitas vezes a simples liberdade de agir segundo a própria vontade, quando se quer menorizar essa mulher é colada a reputação mesmo sem culpa próxima ou remota. O reverso do poder do sexo também é esta perversão de enxovalhar quem atenta contra o estabelecido.” De seguida, comentário: _ “E ao gajo/utente que nome atribui? Puto?””

 

 

 

 

Substância não falta à perplexidade. O masculino do vulgarismo puta não existe. Equivalente, mas soando a promoção, há prostituto. Para a mulher termo pejorativo, para o homem termo profissional. O português metafórico é igualmente injusto para a mulher.

 

- Vadio: homem que não trabalha.

- Vadia: puta.

 

- Boi: homem gordo, forte.

- Vaca: puta.

 

- Aventureiro: homem que se arrisca, viajante, explorador.

- Aventureira: (…)

 

 

 

NOTA – Publicado integralmente aqui.

 

 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

 

publicado por Maria Brojo às 08:00
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Sábado, 22 de Fevereiro de 2014

QUANDO O DIVINO FURA O PRAGMATISMO

 

 

   

Gerald King                                                                                                                Glavnaya Yuliya – Buddha

 

  

Alex Levin – Habbat Torah Reading                                                         Autor que não foi possível identificar

 

Duas mulheres. Relação afável a prometer amizade. Porque raros os momentos de disponibilidade comum, uniu-as a vontade, a brisa de um café e a empatia. Entre ambas, a fala sempre omitira a de circunstância. Ao invés, infinita procura de respostas.

Formação académica divergente - Filosofia e Ciência. Mariana e Teresa. Quase pedindo desculpa, Mariana solta a pergunta adiada:

_ Sei que és crente. Católica. Que a investigação e a especulação sustentada da Natureza te atrai. Como concilias o que tenho como oposto? Como permites que o divino fure o pragmatismo do teu raciocínio?

Olhando-a, recolhida, Teresa verbalizou o que no silêncio do laboratório a interrompia e fazia deter num voo de pássaro ou na pincelada das nuvens sobre a tela azul-celeste.

_ Quando esmiuço átomos, observo sinais de raios cósmicos, atento na organização perfeita da matéria, especulo sobre antimatéria e dela faço simetria do real que conheço, mais me convenço de tudo se entretecer. Seria ofensivo, até ao entendimento médio, resumir como aleatório o jogo das partículas. Como na roleta de um casino, o croupier anuncia, faites vos jeux! e alguém varre para si as fichas da mesa. O «pleno» à escala universal. Não!, não são quarks e positrões que me inspiram. Que me satisfazem a fome de explicação. E seja Deus, Alá, súmula de energia ou Buda. Não importa. Todos procuramos a unicidade. O que nos ultrapassa. Maior que nós.


_ E os milagres, a infalibilidade papal, os santos, a ostentação do Vaticano, a guerra, o terrorismo?

_ Sou crítica mas não me apego a crenças ou erros que a tradição e poeira dos tempos acumularam. E quando improviso uma prece que murmuro em qualquer lugar e também ao entrar numa igreja mergulhada em penumbra, agradeço a maravilha da fé que me acompanha e dá sentido. Não espero proteção adicional aos atropelos da vida. Conforta-me não me sentir só.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:19
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Sexta-feira, 5 de Março de 2010

QUANDO AS MAÇÃS SÃO BRANCAS

Kathy Sharpe


Caixas brancas. Nem um carimbo à vista. Camufladas. Objectivo: escapar ao zelo dos militares que vigiam a fronteira Síria. Dentro, empilhadas, maçãs lustrosas. Vendidas depois em Damasco. Israel e a Síria ligados por frutos sob asa da Cruz Vermelha. Neste ano, previsto o transporte de dez mil toneladas.

 

Vender fruta é essencial para os agricultores nos Montes Golã. Sobranceiros à região nordeste de Israel, incluem o lago Tiberíades, o maior reservatório de água do Estado Judaico. Há décadas, disputados por países. Milhares de muçulmanos que neles vivem recusam a nacionalidade israelita e preservam a síria. Os drusos são os únicos habitantes de Israel isentos de serviço militar - quase certo o alvo na mira das armas.

 

Marianne Gasser, da delegação do CICV na Síria, a propósito deste novo elo, afirmou semelhante a isto: há alegria pelo acontecimento e interesse bilateral. Esperamos que ajude outras retomas de consciência humanitária. Familiares divorciados pela linha de demarcação é um deles.

 

Que as caixas brancas, em trânsito, encobrindo maçãs antecedam mais «frutos».

 

Nota - pela insuficiência dos produtos germinados nos solos liderados pelo Dr. Durão Barroso, um terço dos abacates consumidos pelos europeus é nado em Israel. Pimenta e tomate, a seguir. Manjerição, cebolinho e hortelã ganham em frescura aos hortícolas chegados do Egipto e de Marrocos. Dos movimentos comunais gerados pela determinação interceptada com utopia, kibutzim foram e são exemplo.

 

CAFÉ DA MANHÃ
 

Inch Allah (Até amanhã se Alá quiser).

 

 

publicado por Maria Brojo às 09:26
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