Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012

O DIABO VERMELHO

Vladimir Kush, David Ligare

 

A literatura, quando de qualidade, é fonte de ensinamentos que duram para lá do tempo em que foram. Prova-o este “Diálogo entre Colbert e Mazarino, durante o reinado de Luís XIV, extraído da peça de teatro Le Diable Rouge, de Antoine Rault” que adaptei aqui e ali:

 

"Colbert: _ Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar [o contribuinte] já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até ao pescoço...
Mazarino: _ Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado... o Estado, esse, é diferente! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se... Todos os Estados o fazem!
Colbert: _ Ah sim? O Senhor acha isso mesmo? Contudo, precisamos de dinheiro. E como havemos de o obter se já criámos todos os impostos imagináveis?
Mazarino: _ Criam-se outros.
Colbert: _ Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
Mazarino: _ Sim, é impossível.
Colbert: _ E então os ricos?
Mazarino: _ Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.
Colbert: _ Então como havemos de fazer?
Mazarino: _ Colbert! Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais!Esses, quanto mais tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tirámos. É um reservatório
inesgotável."

 

Numa dezena de «tiradas», os princípios básicos da exploração que nos sujeita e traz acabrunhados. Assim era. Assim será? _ Não creio. Em
2010, 25% das transacções escaparam ao fisco. A percentagem subiu devido ao aumento do IVA. Cerca de quarenta mil milhões de euros são o valor da actual economia paralela. Com isto e mais se desmente parte da argumentação de Mazarino. Nova ordem social terá de ressuscitar parte substantiva deste mundo agonizante.

 

Nota: origem do excerto aqui.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:32
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Terça-feira, 1 de Junho de 2010

GASTAR ONDE É DEVIDO, SENHORES!

Carlos Diez

 

Aquecem os dias, as relações entre países no Médio Oriente e p’ra o lado das Coreias. Aquecem os preços com o IVA acrescido, ansiedades nas famílias, as praias concessionadas divididas entre segurança aquática, salários aos nadadores salvadores que recebem lentilhas por dez horas de contínua vigilância sem folgas. Para nós, época dita balnear, época de todos os riscos estando ondas pela frente e à beira delas população desinteressada ou ignorante das perigosas travessuras marítimas. “Nunca vire as costas ao mar” diz quem sabe. Houvesse um vigilante credenciado por família e mortes seriam evitadas. Hipótese que iria bem com a indisciplina lusitana. Atávica. Sarilho que desembocou no visto vivido e vívido.

 

Olhando de cima para baixo a costa portuguesa, malgré bandeiras azuis aumentadas, à medida do descer subtraído areal à disposição do banhista que arriba não protegido pelo resort ou pelo hotel da estada ou pelo aluguer do toldo ou do colmo. O cidadão comum afastado das zonas nobres vindo municiado com chapéu-de-sol para enfiar na areia. Longe do olhar exausto dos nadadores salvadores. Longe de educação para a segurança nas praias.

 

Quantas tragédias evitadas pelo respeito ao princípio de ‘se esturricou ao sol, não se enfie, directo, no mar’? Outro, basilar como o anterior:

_ Molhar os pés dispensa avanço para fundos ignotos se a arte de bem nadar não for competência.

Insisto:

_ Havendo crianças por conta, poças de água cavada pelas ondas, piscinas exigem olhar atento dos pais.

Declaro:

_ Educar para a segurança é urgente. Podemos estar na falência, mas a prevenção é indispensável. Spots nas rádios e televisões envolvem despesa meritória. Obrigatório: _ isenta de negociatas transaccionadas pela porta dos fundos como mandam os estrumes.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 13:31
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