Quinta-feira, 24 de Março de 2011

NÓS «PLASMAMOS», ELES «PLASMARAM»

Jean-Leon

 

«Plasmado», foi anteontem. «Concursar», ontem. ‘Veículos em fim de vida’, desde há muito. O nosso léxico ganha palavras/pétalas novas a cada dia. Especialistas com muitos e credíveis graus em «sub» das «sub» das subespecialidades da Linguística aprontam dicionários que incluam termos derivados doutros ou aportuguesados. Já antes o mesmo foi levado a cabo - para a história ficou o famoso bué que tantos puristas consideraram escândalo. E dou por mim, surpresa, ao ouvir «plasmado» significando mistura que não a de “meio gasoso a alta temperatura, em equilíbrio termodinâmico, electricamente neutro mas condutor da electricidade, constituído em proporções variáveis, como é próprio das misturas, por moléculas, átomos, radicais livres, produtos de dissociação, partículas excitadas, iões, electrões livres e fotões.” Tão pouco remete para plasma/objecto que utiliza tal mistura gasosa, para a fracção do sangue constituído por glóbulos e linfa ou tem a ver com modelar. «Plasmemos» então o que há para «plasmar» se o resultado for unguento que dê alívio à trágica situação nacional. Não foi o acontecido na Assembleia da República. Pouca sorte tal sorte de deputados! Enquanto se mantiver o método de composição da dita, o pântano continuará fedorento. Opções malbaratadas: ou a alterávamos de dentro para fora, ou é imposta de fora para dentro. No entretanto, endividar-nos-emos para financiar eleições.

 

Entalados pela necessidade de transparência (obscuridade?) democrática e burocrática, pululam concursos. Não há estrutura que se preze, pública ou particular, que os não inclua pela lei e pelo risco de acusação de compadrios. Tretas, as mais das vezes, porque padrinhos e afilhados mais abundam do que chapéus. Na Páscoa a chegar, olha o cabaz de folares sendo precisa data para os «concursantes» ganhadores retribuírem finezas, invertendo a tradição de quem dá e quem recebe! «Concursam» empresas e povo – um desempregado muito «concursa» para ter direito à condição de trabalhador. O neologismo está adequado ao tempo da pressa e simplificação na fala e no pensar.

 

‘Fim de vida’ indicia esquife a jeito e/ou retorno à Terra do que sempre lhe pertenceu. Considerar veículos seres animados por agitação celular só é conceito ajustado a sociedade dependente de motorizações cuja duração é confundida com o gerar, nascer, crescer e morrer das gentes que transportam ou servem. Máquinas e homens no mesmo saco vital é abuso de confiança que objectos não merecem. Quando coisas dominam loisas próprias dos humanos, parece de regresso mas invertida era esclavagista com memória funesta.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:14
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