Sábado, 22 de Junho de 2013

"LES HOMMES ENDORMIS" DA BRIGITTE BARDOT

 

Peter Engels, autor que não foi possível identificar

 

Volta que não volta, lembro dos anos cinquenta e sessenta do século que já lá vai a diva do cinema europeu que todas as «esposas» sensaboronas temiam. A imagem fornecida da BB condensava inocência e sensualidade capaz de deixar em tremeliques orgásticos o mais pacato dos homens. E eles acorriam aos cinemas sós ou acorrentados pelas respetivas que lhes vigiavam pestanejares e trejeitos quando rosto e corpo perfeitos da Brigitte enchiam os ecrãs.

 

Se as fitas que estrelou enquadradas na nouvelle vague não deixaram grandes memórias, outro destino teve o "Viva Maria" em que partilhava a tela com Jeanne Moreau, bem como o subversivo "E Deus criou a Mulher" dirigido pelo marido, Roger Vadim. Perdura na memória a inesquecível cena em que dança descalça em cima de uma mesa, tida por uma das mais tórridas da história do cinema.

 

Simone de Beauvoir descreveu Brigitte Bardot como "uma locomotiva da história das mulheres". Outros intelectos rotularam-na como a mulher mais livre da França no pós-guerra. Por esse tempo, nos «States», Marilyn Monroe borbulhava como ícone sexual, conquanto não fosse além do púdico maiô obediente aos estúdios hipócritas censores e conservadores. Na mesma época, BB atrevia o bikini, (...)

  

"Ils ont tous les mêmes manières
De peser au creux de nos lits
Abandonnés à leurs mystères
Sans façon désertant nos vies
Ils ont tous les mêmes manières
Les hommes, les hommes endormis

 

Ils ont tous le même visage
Serein détendu rajeuni
Ils ressemblent aux enfants sages
Comme parfois ils sourient
Ils ont tous le même visage
Les hommes, les hommes endormis

 

Repus et alanguis
Au creux de nos bien êtres
Ils dorment lourdement
Inexorablement
Avec de l’insistance
Même de l’insolence
Ils dorment libérés

Loin de tout, loin de nous

 

Les éternelles, les inquiètes
Les amoureuses attendries
Nous les curieuses on les guette
Avec des ruses de souris
Nous, les éternelles, les inquiètes
On les guette, on les guette
Les hommes... Endormis"

 

Nota: texto integral aqui.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:55
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Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012

DOIS ANIVERSÁRIOS E UMA TRISTEZA

Autores que não foi possível identificar

 

Ontem, partiu Antoni Tàpies. Escultor e pintor catalão é “considerado um dos maiores representantes europeus da arte abstracta do pós-guerra”. Tinha 88 anos. Em Barcelona, a Fundação Tàpies surpreende também pela concepção na mostra das obras do autor. O sentir inicial pode ser de estranheza. Todavia, à medida dos passos visitantes, o idear artístico de Tàpies impõe-se e tudo faz sentido.

 

Ouvi hoje que se nos clássicos (recordo Charles Dickens) era certa uma ideia por página, no publicado agora, uma por livro é uso. Por outro lado, as descrições de Dickens envolvem uma realidade que, dois séculos após, preservam a essência das vidas actuais: desigualdade social, o haver é poder, a ganância como objectivo. Volver aos clássicos e ler uma página por dia nem sabe o bem que lhe fazia!

 

Truffaut, completaria ontem oitenta anos, “é sinónimo de inocência, de rebeldia, de liberdade, de cultura francesa, e claro, é sinónimo de cinema. Mas Truffaut era um realizador bastante diversificado, pelo que nos seus filmes podemos encontrar um pouco de Chaplin, de Renoir e de Hitchcock. Passou por vários géneros como film noir americano em “Disparem Sobre o Pianista” (1960) e ficção científica em “Grau de Destruição” (1966). “Jules e Jim” (1961), “A Noiva estava de Luto” (1967), “O Menino Selvagem” (1970), “O Último Metro” (1980) e “Finalmente, Domingo!” (1983) (o seu último filme) são ainda algumas das suas melhores obras e de enorme referência para o cinema francês.” De todos, prefiro “Jules e Jim”.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 12:57
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Terça-feira, 8 de Junho de 2010

POR ISSO BELAS

Autor que não foi possível identificar

 

Ontem, o primeiro casamento entre duas mulheres. Na memória, o fabuloso Querelle. Jean Genet da ficção existencialista e homoerótica foi leitmotif. O porto de Brest, recriado artificial e provocadoramente erecto nas torres em forma de pénis, testemunha relações de paixão/ódio entre o marinheiro, Querelle, e os homens e mulheres da cidade. Desejo na procura, prazer na margem/crime. Volúpia transtornada.

 

Quem mergulha em Fassbinder espera e tem a lateralidade das vidas. Sufocantes. Aprisionadoras. Feias. Por tudo, arrebatadoramente belas. Vívidas. Encontra desgostos com recheio de amor insubmisso, no Querelle pintados com amarelos e laranjas obssessivos. Ácidos como a autodestruição que retratam. Razão de sofrimento feita.Tais são muitos dias na fita da vida. Num qualquer recente, luzido pela maravilha no sorriso da idosa linda empurrada na cadeira de rodas. Surpreendeu-a, no fim de dia ainda soalheiro, o beijo despudorado dum casal. Quem a acompanhava ignorou. Ela leu brilho onde Genet e Fassbinder e a cantora no sórdido cabaré, Moreau, escreveriam tragédia ou desespero.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Sugestão de Veneno C., mote de hoje.

 

publicado por Maria Brojo às 10:26
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Quarta-feira, 26 de Maio de 2010

SOBRE OS ‘CASADOS’ SEM SEXO

Jan Bollaert

 

É afirmada, pelo masculino, banalidade hipócrita de mulherzinha o ‘vade retro homem casado que me tente’. Confronto ocioso se atendermos que para adultério são necessários dois sem distinção de conjugalidades e géneros impressos no B.I. Irreverências, momentos, desejos da carne, da persona ou da pessoa? Porque não? O cerne reside no depois das promessas e juras. Quando é perpetuado o nem sim, nem não. Quando, e tantas vezes ouvimos!, os parceiros/terceiros ficam suspensos na paixão, em dependências cerceadoras da liberdade individual. Ao rebelarem-se, ensaio de fuga, resposta:

_ Aguenta que está por pouco. Hoje não lhe disse de nós porque ele(a) vinha indisposto, instável, impossível. Conto amanhã. Peço o divórcio, mal venha a jeito. Mas amo-te, quero-te tanto! Às cinco?

E eles esperam. E as cinco que não chegam. E a ânsia em crescendo.

 

Chega. Relógio à mão, telefone no silêncio. Entre uma carícia e um espasmo olha as horas. Às tantas, intervala meneio e beijo ao enfiar a roupa.

_ Não me ligues. Assim possa, falo. Estou atrasada(o). Fica bem!

O falo e a fala adiados para oportunidade melhor.

 

À chegada ao lar, bendito lar!, a segurança, afectos. O conhecido. Os miúdos. As rotinas, que também as há, benfazejas. O outro vértice que aguarde o tempo da carência ou do apetite ou da sorte. Que aceite a subjugação. O domínio do nem sim, nem não.  

 

Cada um de si conhece o querer. Opte. Recolha nos dias o bem-estar pessoal. E que sejam abandonados estereótipos: o da hipocrisia e os do reconto.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 06:15
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