Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2014

Ó AMESENDADO POVO!

 

Marteen Koopman.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Marteen Koopman

 

Podemos pedir-lhes para, quando fora de casa, não comerem nada amarelo salvo fruta, preferirem o que é verde exceto pistácios. Não adianta. A maionese, batatas fritas, panados e salgadinhos irão direitos à boca, escorregando até ao incipiente barril que, aumentado, deixa mulheres e homens cabisbaixos. Coisa de pouca dura: só voltam a lembrar quando for memória «ele» ou «ela» olhada de cima.

 

As mulheres afirmam-se preocupadas com uma alimentação saudável. Tentam afastar excessos de gordura, carne e refogados dos hábitos domésticos, retomando o bom costume das sopas e legumes. Porém, caso resvalem para maior rigor na gastronomia doméstica, serão coagidas sob ameaças de greve de fome ou levantamento do rancho familiar. E cedem.

 

Os ocidentais engordaram ao ritmo da perversidade da civilização. A facilidade e a imobilidade normalizou-os. Foram-se as caminhadas para a escola, os jogos de bola, saltar à corda ou jogar às escondidas com os amigos, as brincadeiras de índios e cowboys na rua pelos finais de dia (culpam a insegurança, é sabido!). Disto há vestígios nos meios rurais ou do interior, e talvez aí ainda chegue mãe à janela chamando pelo filho traquinas. A urbe, o mais próximo de ocupação física que fornece são atividades em clubes desportivos ou nalguns colégios para a gente miúda. Sentimo-nos flácidos, pouco ágeis, obesos por dentro quando não por fora. Curvamos as costas, encaixamos o pescoço nos ombros, descemos o queixo afinfando o olhar no chão. Carregamos o peso do nosso e do alheio mundo.

 

Ó amesendado povo! Tirai os glúteos dos assentos e andai! Caminhai sem que os pés vos doam. Meia hora como andarilho a ritmo constante e por dia queima exageros, aumenta gula aérea reclamando postura ereta. E quando olhamos o céu ou quem pela frente nos cruza, esfumam-se sombras que só nós vemos e aumenta a liberdade.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

 

publicado por Maria Brojo às 08:13
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Sábado, 29 de Outubro de 2011

CONCHITA

Greg Hildebrandt , Daniel Green, Richard Whitney

 

Na vida adulta dos meus avoengos, o pecado da luxúria falava espanhol. Melhor, encantava em espanhol, convencia por gemidos e obtinha através de beicinho e volúpia. Os casinos da Póvoa de Varzim e da Figueira da Foz desfaziam, no Norte e Centro, fortunas em menos de um Pai Nosso rezado, com fervor e de joelhos prostrados, frente aos oratórios pejados de Santos e santinhos pelas mães e «esposas» devotas e (des)enganadas.

Os desvios do bom caminho de um ‘rapaz de família’ começavam nas 'Repúblicas Coimbrãs', aí continuavam até o enérgico «Basta!» do pai de família ao temer exaurida a bolsa. Tinham interlúdio no casamento por amor ou «arranjado» que legitimava discretas e ocasionais derrapagens desde que na ignorância da respectiva e ao jantar, servido a horas, ninguém faltasse. Um sossego!

Amornados os sentimentos, a modorra instalava-se. Os negócios entediavam e os ímpetos careciam de potenciados estímulos. Os parceiros de tertúlia garantiam:

_ “Do que precisas é da Conchita! Ficas outro!”

E ele ia. E ficava. Enrubesciam as faces, o olhar coruscava, o riso bailava e a vela dos negócios enfunava como se alísio soprasse. Tudo corria de feição até o homem se apaixonar. Aí começava a pensar, falar, comer e gemer em espanhol sob o imperioso domínio da horizontalidade das artes de nuestra hermana. A Conchita florescia, a fortuna do homem diminuía, o tabelião afiava as unhas, a Conchita abalava e as mágoas perdiam-se à mesa de jogo. As devotas mães e esposas continuavam prostradas de joelhos, levantando o olhar fremente para os Santos e santinhos. O oratório, esse tinha desaparecido.

 CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:32
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Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2011

DESDE HÁ UM ANO E PÓS

Mark Cross

 

Há um ano e pós, começou revolução mundial. Outras constam da história recente da humanidade: “status político-industrial saído da Europa do pós-guerra, alterações induzidas pelo Vietname/ Woodstock/ Maio de 68 (além e aquém Atlântico), a crise do petróleo de 73.” A que, por ora, vivemos irá, como todas, alterar a forma de vida nas próximas décadas. É radical, imerge-nos, a cada dia prova avanço violento. A Tunísia e o Egipto, a Líbia e o genocídio de fracções dum povo submetido há 42 anos são alertas. Mais existem: o agigantar da China e do eixo Rússia/Índia, a Crise Financeira Mundial e a do petróleo que contrai a mobilidade das mercadorias transaccionadas dentro e entre países. É de acrescer a progressiva destruição da classe média em Portugal e na Europa, os fenómenos migratórios que a curto prazo atingirão 85 milhões de imigrantes neste velho continente - como objectivo da mudança a procura de algum bem-estar compensatório das humilhações sofridas. Como causas, assimetrias sociais geradas pelas falsas democracias e pelas verdadeiras ditaduras no mundo, o exaurir galopante pelo Ocidente das matérias-primas existentes nos países de origem dos que deles somem.

 

Mais é sabido, mais li e consolidei pelo acordado com o meu pensar: a Europa envia sinais do estertor em que soçobra. Próximo o cerimonial fúnebre – moribunda, não tem projecto, falha a liderança, não consegue definir objectivos abrangentes para o caldo de 27 países com poucos ou nenhuns traços comuns, salvo a geografia; escasseiam cidadãos europeus que nela confiem.

 

Porque das revoluções sempre provieram épocas de esperança e crescimento, que esta vá adiante. Que os lutadores mortos sejam honrados pela acção pacificadora dos sobreviventes. 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Por via duma sugestão do Veneno C.

 

publicado por Maria Brojo às 07:30
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