Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010

FECHOU, ENCADEOU

Tim O´Brien, Bryan Larsen, Juan Medina

 

Quando escolas abrem para almoços em tempo de férias, tendo em conta a tradição do «fechou, encadeou» nas clássicas interrupções lectivas, é notícia social e parcialmente má. Poderia representar salto positivo nos serviços dos estabelecimentos de ensino se mantivessem actividades pedagógicas e, à conta delas, fosse a refeição intervalo para repor energias. Caso este, seria jubilosa a reacção. Dos pais, em especial, que poderiam trabalhar em descanso – produtividade é dever e necessidade - sabendo as crianças inseridas em actividades lúdicas convenientemente orientadas.

 

Pelo entendido, é almoço e ‘pronto!' Confirma negrume: as crianças passam mal em casa, a alimentação familiar tem carências, uma refeição quente, de substância, diária, ao custo de euro e trocos permite «janta» aliviada e subtrai despesa aos magros dinheiros do sustento. Para mim tenho que talvez este castigo económico português seja ocasião de mudanças, largue sementes boas no solo, enraizadas depois.

 

Natal esquálido em haveres pode ser substituído, com vantagem, por Natal de afectos. Quando estes falham ou são dados como perdidos por lutos ou rejeições, a escrita memorial serve de lenitivo para quem, desiludido, afirma desejo de riscar Dezembro do calendário. “O que nunca esqueci de ti” endereçado a amores familiares ou outros é modo de recuperar alegria e dela constituir oferta para a de alguém aumentar. Memória na escrita exorciza fantasmas, medos, diálogos penosos com o umbigo que nem é centro de nada, salvo do egoísmo, quantas vezes mascarado de mergulho sazonal em estado depressivo.

 

CAFÉ DA MANHÃ

  

Cortesia de Cremnóbata 

 

publicado por Maria Brojo às 09:09
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Domingo, 31 de Outubro de 2010

VENCER OU MORRER

Yossi Rosenstein, Juan Medina

 

  

 

28 de Outubro. 19 horas. Local: Museu Militar. Razão: lançamento do último livro de Mendo Castro Henriques, “Vencer ou Morrer”. Ficção histórica reportada às Guerras Peninsulares. O primeiro duma trilogia que promete e embevece quem, como eu, já desflorou com emoção as primeiras páginas da obra. Romance épico, discurso entre o queirosiano e o camiliano. Interromper a leitura por obrigações várias soube-me mal – o desejo é não interromper a cadência das palavras, delas a substância, do enredo que fala duma Lisboa e dum povo (o nosso) perante a ambição napoleónica e mais provindas doutras estranjas.

 

O acontecimento foi digno sem «luxoriquices» de tigela-meia. Na sala vetusta, em simultâneo grandiosa, Virgílio Castelo apresentou com brilho o que ali nos levava. O estimado Mendo, na simplicidade que lhe é própria, desenredou o percurso seguido até a investigação e as palavras e as páginas se ajuntarem dando corpo ao livro que, ou me engana a intuição, ou será êxito livreiro. Após satisfeita a fila imensa na espera do escrito na página segunda, os notáveis presentes – e se eram muitos -, anónimos e amigos reuniram-se num Porto de Honra sem arrebiques, dialogante e afável.

 

Nem parece sugestão vinda de mulher que abomina centros comerciais, mas arrisco: para hoje, adquirir o Vencer ou Morrer e fruir da leitura enquanto chuva e vento são, no exterior, deliciosa banda sonora. E lembro do filme Green Baret a marcha militar que, em alternativa, reúne condições para forrar paredes íntimas: _ “Saltar, combater / P'ra vencer ou p'ra morrer (…)  Em atenção, vamos atacar, / Preparar para saltar. / Cantando assim, / Lutaremos até ao fim."

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:50
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Sábado, 4 de Setembro de 2010

JANGADA ATLÂNTICA SEM POPA

Juan Medina

 

Os galegos vêem longe e bem. Mais querem do que consideração castelhana pelo celeiro que os seus campos enchem e são. Movimento separatista, diplomático e melífluo, arrecada ambições que abrangem fracção de Portugal. Precisando-a, margem Norte do Mondego, já actualizada até ao Porto de Sines – nem um porto de abrigo possuem com águas calmas, passíveis de utilização no ano inteiro por navios de grande porte. E a cobiça é o que tem de ser: primeiro suspira, depois aspira, de seguida concretiza.

 

O novo país tem nome em esboço: Porto-Galiza. Rentabilizaria a indústria pesqueira na Costa Atlântica, a nossa agricultura de planície no litoral Noroeste que prolongaria, por via administrativa, a agricultura galega de montanha, exemplo de organização e sucesso. A língua do país novo seria o galaico-português _ mistura de português arcaico falado na Galiza e portugês actual. Este melhor entendido pelos galegos que o castelhano. À Galiza falta valorizar a índole pachorrenta, entremeada com pendor arruaceiro, do nosso povo e o imbróglio em que se irão meter pelos (des)acordos ortográficos com o Brasil. E o hino do novo território como seria? Heróis do Mar com gaitada em fundo?

 

Devido às pretensões clandestinas, seguem de perto a política e o fado português. Pasmam com os seis anos do Casa Pia, a desgraça da justiça em geral, a incúria na nossa floresta, a ineficácia da prevenção e do combate a incêndios que, se próximos, os engasgam pelo medo de contágio. Ontem, nas televisões galegas, a leitura da súmula do acórdão piano foi notícia. As penas-fruto também. Que seja! Que pensem muitas e boas vezes antes de seguirem exemplos de antanho na junção a povo que desgoverna e sobre governar tem vaga ideia.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:39
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Domingo, 15 de Agosto de 2010

COM EIRAS E SEM BEIRAS

Juan Medina

 

Quem amava a natureza fazia herbários, observava o voo dos pássaros, o colorido das borboletas, as variedades dos peixes. Mergulhavam entre rochas e catavam cogumelos nos pinhais. Por essa altura, não existiam áreas protegidas, a escassez de água nem o Alentejo preocupava. Desconhecida a expressão ‘crimes ambientais’, conquanto existissem. Era sabida melhor qualidade do ar nas serras e na beira-mar. Das cidades, o pecado maior era o corridinho quotidiano. Não eram falados ecologistas. Não eram confundidos com fanáticos em jipes que mal sabem distinguir uma couve dum eucalipto. Não era julgada a natureza como oceano de tranquilidade, mas lugar que equilibrava regeneração das espécies com barbaridades e mortes doutras. A mudança é substantiva - associa melhor e péssimo.

 

À deriva, voga gelo mais extenso que Lisboa no Atlântico Norte. Cheias devastadoras na Europa Central, na China e no quase desértico Paquistão. A Rússia desusadamente acalorada. Incêndios com eiras e sem beiras que os contenham. Os fenómenos extremos dão que falar há seis meses contados. O sabedor Antímio de Azevedo disse bem ser o homem o único animal que destrói o seu habitat. Mas não, acrescentam muitos - fenómenos cíclicos da Terra, nada de novo ou extraordinário está a acontecer. E, alegremente, cuidam da vidinha viciada em descuidos ambientais. Sozinhos nada podem, afirmam; culpados são outros: multinacionais e Estados poderosos. Num dia, empurrados os descendentes para picos altaneiros em fuga dos oceanos subidos, já partiram. Havendo além, que assistam à catástrofe debruçados em nuvens contaminadas. Que indaguem São Pedro e saibam, enfim, dos desmandos feitos aqui em baixo por culpa ou omissão. Que lhes seja dada ordem de soltura, ‘encorpem’ devidamente para não assustar as gentes e revisitem o que era e não é mais.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Cortesia de Veneno C.

 

publicado por Maria Brojo às 06:25
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Sexta-feira, 9 de Julho de 2010

DA BARRIGA, SALTARAM DÍVIDAS

Juan Medina

 

Os gregos, habituados a entrar no banco por tudo e nada que lhes financiasse o consumo exacerbado, andam ensimesmados. Lojas vazias. Por vender cremes, viagens e et cetera. Caos automóvel diminuído. Finalmente, como nós, restringem compras ao essencial, óptimo meio de distinguir o prioritário do acessório. O Cavalo de Tróia caiu-lhes em cima e da barriga, em vez da força grega, saltaram dívidas. Pelo visto, Aquiles tinha mesmo calcanhar débil.

 

Pedro Santana Lopes apresentou ontem a biografia do “Rei da Madeira”. Porque certamente pedagógica, quiçá livro de auto-ajuda, será uma das leituras de férias. Mal espero a compra de um exemplar... Ou mais, que o Natal está à porta, do subsídio respectivo sabe o Olimpo, e convém ir armazenando presentes para os amigos que por hábito oferecem velas enfeitadas com florinhas.

 

Avião movido a energia solar, em fase experimental, descola em 2012. Bom augúrio para o planeta! Propõe-se dar volta ao mundo nos três anos seguintes. Um excesso quando comparado com similar propósito concretizado em 80 dias por Willy Fog.

 

Não é que investigadores da Universidade de Aveiro desenvolveram tecnologia para medir o protão? Foi chegado o tamanho de 0,84 x 10 -15m, 5% a menos do que o estimado. Ora, além da publicidade na Nature, a conclusão obtida e patrocionada pelo Instituto Max Planck poderá obrigar a rever toda a Física Atómica. Incontestável é serem os portugueses desistabilizadores naturais por via da mistura lusitana, visigótica, sueva, germânica e árabe que lhes flui no sangue.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:15
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