Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010

ALGUIDARES, ‘TUPPERWARES’

Gil Elvgren, Lauren Bergman

 

Texto notável do António a propósito do “Também Cor-de-burro Feirante” no passado 11 de Novembro.

 

“alguidar - pois claro, nas feiras e drogarias, como nas prateleiras dos super-mercados, ainda hoje vemos ror de vasilhame plástico para todo o serviço, a bem dizer temos em casa um considerável sortido de tais mercearias, sendo que hoje beneficiam de prerrogativas funcionais e estéticas próprias do altar do design, que chega até às malas de (jovens, quase) senhoras com extraordinários motivos e provocativos, às extensões de cómodas que rastejam em rodinhas e dormem debaixo da cama ou a modernas lancheiras de parafusos, buchas e ferramentas que todo o chefe de família gosta de ter no saguão, dispensa, garagem ou arrecadação para o bric a brac (ia dizer bricolar mas pareceu-me estrangeiro disfarçado) dos fins de semana antes do avisado chamamento final de oficiais entendidos e habilitados!

tupperware - aqui arrisco o segundo p e talvez um processo desta marca porque chamamos toda a caixa e caixinha (pensando melhor, o mini-caixotinho também é de plástico, e além de armazenar, a título temporário, o que tem que armazenar, manifesta-se em articulações porventura sofisticadas senão surpreendentes e desengonçado o bastante para se acrescentar ao rol do anterior ponto alguidaral) seja de que marca for mas com nobre finalidade de evocar um modelo de negócio que é toda uma era de estruturação da sociedade desse tal século XX de tanto empreendedorismo e de inventivo papel no desenvolvimento sócio-profissional da mulher desse tempo em que havia tempo e que estará talvez na origem da actual crise pois apesar de as reuniões terem perdido o chá e passado a agressivo spam televisivo do mil vezes repetido telefone já e se encomendar nos próximos 10 minutos ganha também a tampa das caixinhas completamente grátis mas a verdade é que durante décadas de oiro do negócio tup(insisto)perware para vender caixinhas era precisa a injecção de demonstração e intimidação (como agora para os místicos super-aspiradores anti-fungos e anti-carpetes, os prodigiosos filtros purificadores ou ozonadores de água ou a inimaginável bimbi), havia que invadir a casa do incauto que a quer bem apresentar, para ter e apresentar casa recorre-se ao crédito, para ter crédito há avaliações e garantias, produtos estruturados hipotecários com a sua inevitável globalização e eis-nos em plena lixeira virtual plástico-financeira!!

saco tipo Tianamen - e chegamos ao típico saco a que hodiernamente renegamos virtudes, com honrosas excepções em legítimas e corajosas rebeliões sem flores, porquanto nos entulham os gavetos e as gavetas, os mares e (nos copos) os bares, ameaçando mandar-nos o planeta para o maneta mas que, dizia, tornou possível o consumismo desenfreado que nos formatou a vida inteira, isto considerando que a vida acabou verdadeiramente no dia em que a Lidl, além de despedir grávidas a recibo, concebeu e implementou o saco plástico a cruzado, quer dizer, a centavos depois cêntimos, ou seja e trocando por miúdos, a pagantes e aqui d'el rei que era por uma causa ambientalmente correcta mas certo é que reforçaram na dose do material e tal como o papel higiénico de lá entope tudo indissoluvelmente se bem que mudou para sempre as mentalidades das gentes e até seiras, curioso, sempre disse ceiras, não sei bem se alguma vez escrevi ceiras mas digo sempre ceiras, chegamos a vislumbrar deslumbrados na fila da caixa (também cada vez mais de plástico, irreciclável) dos super mini-mercados que arrasaram o pequeno comércio e agora lutam contra os funcionários públicos chineses que arrendam sem pagar renda os antigos lugares (sim, lugares, da fruta, do pão, do peixe) ou, está bem, dos antigos estabelecimentos comerciais que dantes havia e nos punham os olhos em bico pelos roubos no peso e no preço ao menos agora não, está tudo marcado em mandarim e traduzido a martelo para plotuguês mais difícil de entender que o chinês - não o tal de Tianamen, que se explicou bem aos tanques e lhes mostrou a verdadeiro poder de um par de sacos de plástico chinês”

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Cortesia do Pirata-Vermelho

 

publicado por Maria Brojo às 07:54
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Quinta-feira, 5 de Agosto de 2010

CONVERSETA D´ANTANHO E D'HOJE

Matthew Lake, Lauren Bergman

 

Fruto das nanotecnologias, invenção desenvolvida no Norte do país: tecidos que repelem a sujidade. Revestidos com nanofilamentos, negam manchas de azeite, café, vinho e causas outras de lavagens. No imediato, sob forma de toalhas de mesa e guardanapos. Quanto arranjo! Mulher que se desdobre na atenção afectuosa ao gerir família alargada requere: _ Já! Para ontem vai tarde. Para amanhã e depois, sinto falta. A cada dia passado, lá vai uma toalha p’ra máquina. Ao jantar, é remedeio o linho trocado de cima para baixo. Vale ser liso, somente bordado nas fronteiras. Sol quase deitado, passa por fresco cheiroso. E é poupada água, rodopios na máquina, químicos detergentes, ferro e vapor movido a electricidade. Repelidas nódoas, espaçadas lavagens. Para quem odeia desperdícios, um achado!

 

A converseta lembra usos d’antanho, primórdios do vigésimo século, ouvidos contar por família que partiu. Às sextas ou sábados, celha repleta de água morna e banho semanal. Antes, fumegavam panelas e o sabonete Ach Brito varria a sujidade. O lençol de cima mudado para baixo, limpo o da cobertura da pele. Aos quinze dias, cama feita de novo.

 

Os dermatologistas bem podem condenar uso diário de gel de banho, esfoliações a esmo, não raro acabando em rezinga borbulhenta. Aconselham água chilra para limpeza e protecção da epiderme. Écran solar todo o ano substituindo cremes esquisitos e caros para unto da face – melhor anti-rugas não há p’ra eles e elas.

 

Sendo o básico simples e económico, vão de retro complicações. A frugalidade respeita o equilíbrio da terra e dos seres.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Da querida Dobra:

 

publicado por Maria Brojo às 09:20
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Quarta-feira, 14 de Julho de 2010

FAÇAM SOPA, NÃO A GUERRA!

Mark Blanton, Lauren Bergman

 

De novo, tropeçou. A causa não foi liana estendida no caminho ou pedra aleatoriamente caída, ambas invisíveis. Como ré a calamidade financeira neste lugar onde a Europa termina. E fina-se mesmo aqui! À Geografia e ao passado recente ignorámos o não. Os decisores vogam num charco de contradições sem que da água parada levantem cabeça. Os «politosos», as mais das vezes, confundem. Os que são povo sofrem e ajudam menos que o devido. Serviço limpo na tarefa de afogar o país.

 

Quando a governação e a oposição preferem à objectividade sondagens e cálculos de poder, quando desfolham o malmequer – hoje, sim, amanhã, se verá -, quando é facto não terem surgido como gavinha primaveril ao penduro do nada, quando 70% do pecúlio anual é gasto com funcionários, subsídios, espigos outros, mais que questionar os dois pontos descidos numa agência de rating é necessário repensar quem somos e a linha de rumo.

 

Antigos ministros das finanças (ausentes, deliberadamente, maiúsculas) têm botado discurso. Medina Carreira reclama a intervenção do FMI, Pina Moura conforma-se, Ernâni Lopes protege a dama espadachim: cortar na faixa dos 15, 20, 30 por cento os ordenados dos funcionários públicos, ministros dentro (“15 sem dúvida, 20 provavelmente"). Indagado sobre o modo de o dizer aos portugueses, o Sr. Lopes foi além:  _ "A cru. Sem explicar nada. Ou melhor, explicando que ou é assim ou não é." De seguida, o sector privado faria o mesmo. Mão-de-obra competitiva, objectivo final. Entretanto, na Saúde, Ana Jorge lança apelo: “façam sopa em casa”. Haja Deus!

 

Uma mulher vem do trabalho para casa e ouve o que não quer, mas quer, porque fácil o clique que a mude para remanso com CD. Governos em banda larga: de iniciativa presidencial, de salvação nacional, de bloco central, de sábios. E a mulher enfia-se na catacumba, pisos vários abaixo do habitat. Já no elevador, deslizando o -2, tem um baque _ querem ver que a Moody’s entrou?!...

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 06:18
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