Sábado, 30 de Março de 2013

A COR DO REGOZIJO

 

Manuel Lapa

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:44
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Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2013

A ORGANZA DE SCHEHERAZADE

 

Gustav Klimt – The Kiss

 

Fazer como Scheherazade. Sabiamente reservar o mistério deixando por contar, a cada noite, pedaço de narrativa que cativa. Prolongar a estória pela subtileza dos silêncios. Conservar sob véu de organza os pensamentos e encobrir impulsos com renda embrincada. Do rei persa Xeriar, ela conhecia a raiva pelas mulheres após cilada daquela que muito amara. Sabia que virginal e nova esposa a cada dia ele fazia sua para no fim da noite a assassinar.

 

Desobedeceu à vontade do pai temeroso e casou com o rei. Porque curiosa e destemida? Pelo desafio de acordar para nova aurora onde outras soçobravam? Por amor incondicional ao rei que de si próprio fizera esquife, não foi – arguta, sabia a duvidosa valia do descrer sistemático na possibilidade de ressurreição para vida nova.

 

Durante mil e uma noites ela contou estórias engenhosas. Edificantes. Cada uma enlaçada com a seguinte. O final sempre adiado para o anoitecer do amanhã. Veio o amor. Vieram três filhos gerados em inolvidáveis êxtases, sem que o véu de fina organza resvalasse e da mulher expusesse os segredos. Xeriar cicatrizou a chaga de ódio que o perseguia. Depois, reconheceu amar Scheherazade e dela fez rainha. A tanto chegou a persistência e a força dum afeto cujo balbuciar desconhecia, quanto mais a fala.

 

Nota: texto esquecido na arca dos escritos e, há instantes, publicado aqui.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:48
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Domingo, 11 de Dezembro de 2011

OCRE, LARANJA, "NARANJAS"

 

Na condição de visitante por horas, na Plaza de Espana reaprendi o gosto por Sevilha. Quando a luz e as cores entontecem, ainda hoje e passada semana e meia, faltam palavras que dela mais digam do que banalidades. Serão poupadas.

 

 

A Catedral ascende até ao antigo minarete árabe, La Giralda, que por tanta beleza sobreviveu à destruição da mesquita islâmica onde o actual templo foi implantado. Rampa em vez de escadas - por ali subiam a cavalo os encarregados de anunciar os momentos de oração – quem não teme os trinta metros e chega ao cimo da Giralda é contemplado com uma visão fascinante da capital da Andaluzia. Afirmam alguns que a Catedral pela sua extensão – é maior que a de São Pedro em Roma, a de São Paulo em Londres e a terceira no mundo – polui visualmente Sevilha. Más-línguas, pela certa.

 

 

O Bairro Judeu é perdição que ignorava. Descoberta que soube a pouco, tantos cantos, recantos, pátios floridos onde, na quentura estival as sombras apetecem e aliviam os corpos cativos do Sol impiedoso. Por ruelas estreitas e detalhes também é feito o bairro. A placa lembra ter ali nascido Murillo, o pintor que de modo soberbo representou o barroco espanhol. Outras surpresas emergem a cada esquina dobrada. Demais para caberem aqui.

 

 

Do Palácio dos Arcebispos e da cafetaria La Campana «fala» um conhecido escritor espanhol em livro de excepção. No conjunto dos que li da sua extensa obra, está em segundo lugar nas minhas escolhas. Como sempre, é exercício crítico sobre os comportamentos fétidos da humanidade. Aconselho a edição espanhola pelo esplendor original da escrita não sair desvirtuado numa tradução. Pergunta com direito a prémio: _ Qual o nome do autor e do livro mencionados?

 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:59
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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011

HÁ UMA TELA

Paul Rahilly, Jack Beal

 

Nunca fui de aderir a promessas cuja concretização é dilatada no tempo. Seja da conjuntura ou da experiência que a sucessão dos dias comporta, dou por mim a desenhar sorriso vero ao ouvir nas notícias matutinas que o crescimento económico português será realidade em 2013. A vaga desesperançada deste povo é tamanha que começo a apreciar algumas predições optimistas, conquanto baseadas em números de papel e, por tal, voláteis como brisa. Persisto em renegar mentiras e leviandades politiqueiras que só atam e não desatam o cinto dos mexilhões. Teimo em considerar escândalo o abismo das desigualdades sociais. Porfio no ideal da equidade na justiça, na saúde, nas decisões governantes. Obstino-me no exercício pragmático da análise do visto, deduzido, que o microcosmo dum bairro, duma rua permitem. Mas sonho com advir outro para os concidadãos humilhados há demasiadas eras, com mergulho nos sentimentos e emoções sem temores que me aflijam pelo matutar no como e no porquê; contrariar vida certinha, deserta de utopias, de riscos e risos que envolvem a alma inteira, de quotidianos ronceiros e iguais.

 

Há uma tela por comprar. Sonho-a. Nela fiz esboço imaginário. Olho-a de dentro para dentro. Detecto erros e corrijo-os. É experiência nova. Amadurecida. Segue ordem diferente da habitual: apaixonar-me pelo branco esticado, pela dimensão, no instante, pensar obra, adquirir e, em casa, arrebanhar óleos, pincéis, diluentes e cavalete. Meses voaram desde que na fantasia pairam traços e cores. Alicia o perigo implícito da concretização em muito se distinguir do idealizado – são dialécticos viveres seguintes que o ser interpelam. Outono doce ou agreste pode modificar conteúdo e tons que da tela farão o que será. E pelo Princípio da Incerteza, uma certeza: pintura acordada com o acontecido e o por acontecer.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:31
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Quinta-feira, 2 de Junho de 2011

ELEIÇÕES E CAÇADAS

Autor que não foi possível identificar, Blake Flynn

 

Disse o Fernando Alves nos Sinais: “campanha eleitoral mais parca do que é costume em promessas que não em demagogia e insultos. Como lembrava Bismarck, nunca se mente tanto como antes das eleições, durante as guerras, após uma caçada.” Acrescentaria a pesca e momentos de transtornado enamoramento às ocasiões mentirosas enunciadas pelo chamado Chanceler de Ferro alemão. Os pescadores aumentam aventura e centímetros ao peixe que debicou o anzol; os enamorados, ainda que de muitas águas, somente vêem ouro no parceiro que lhes acresce adrenalina para todo o sempre, ámen; e é bom assim ser ou o Alberoni estaria rotundamente equivocado, os livros que publicou plenos de dislates, embora se tomados como obras de auto-ajuda o disparate sobrevenha. A cegueira nos amores é frequente razão de momentos gloriosos conducentes a parcerias felizes quando, mais do que a exaltação hormonal, a substância/elo é, afinal, vera, firme e sustenta honestos projectos íntimos.

 

Exageros políticos nas campanhas também chegam de Itália: é exigido a Clemente Bastella, ao serviço de Berlusconi, o cumprimento da promessa eleitoral de se suicidar caso fosse derrotado na liderança da câmara de Nápoles. Umberto Bossi também chamado à pedra pela jura de cortar os «tintins» perdendo a câmara de Milão. Malabarismos que podem constituir a morte dos artistas, disse Fernando Alves. Quem deles tem pena, peninha ou configura luto próprio? Não eu! Quem as promete, que as pague. Lá ou cá. É tudo.

 

Prémio Príncipe das Astúrias das Letras atribuído a Leonard Cohen pela carreira poética, musical e literária. António Lobo Antunes foi um dos vinte e oito preteridos. O meu aplauso para Cohen filósofo, poeta, compositor, cantor. Terei de visitar a Amazon para encomendar livros, no original, do canadiano que mais prezo.  

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:37
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Sábado, 23 de Abril de 2011

OUTRA CASA DE VIDA E MEMÓRIAS

 

Feita a poda de Janeiro, os arbustos estendem ramos novos prolongados por verde juvenil. Em rubi, brincos-de-princesa disfarçam grades e muros. A rua curva como as vidas, o portão verde franqueia memórias doces e dolorosas ou não tivesse partido um grande amor da família.

 

 

Atrás do tijolo, o bucho limita canteiro. Subindo degrau modesto, estrelícias pontificam no empedrado que a outros degraus conduz. Da imponência e elegância da folhagem surgem, espampanantes, pontas de fogo nascidas de brácteas carnudas que também geram pétalas azuis. Aves-do-paraíso. E que belo dizer da flor/pássaro apenas clamando sol!...

 

 

Dentro do rosa português, outros amores, objectos simbólicos. Ofertados as mais das vezes, vazios de bombons e conhaque, as embalagens ficaram no armário onde outros estão guardados pela lembrança de quem à casa os levou. Amigáveis trocas de presentes, aniversários, Natais, Páscoas? Talvez. Mas houve afectos nas dádivas que as fizeram permanecer. 

 

 

A menina da rádio não o é ao acaso. Com o pai tomou gosto às sintonias, à descoberta de postos, à companhia como forro de tarefas. Na azáfama do ‘limpa e esfrega’, mãos pouco zelosas arruinaram palhinha, deterioram rebordos. Além destes mais há que não couberam nos retratos.

 

 

No pérola que cobre o estuque, ofertas de amigos outros - manchas de cor contemporâneas, românticas as flores pastel pintadas sobre pó de vidro e cozidas em mufla. Assimetria na ordem, paleta harmoniosa.

 

 

Preparativos para a Festa da Páscoa: a Senhora tem orquídeas, o centro de cobre outonal substituído por hastes de pessegueiro em flor; arroz doce em digna taça de barro rescende a canela. Do leite-creme, a cor e o aroma do açúcar queimado com esmero que o palato agradecerá com 'Aleluia' sentido.

 

CAfÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 07:37
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