Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2013

APETECIA-LHE

 

Trish Biddle 

 

Talvez o fúcsia sintetizado pelo Leonhart Fuchs. No minimalismo, reviver Elsa Schiaparelli e a rivalidade com Coco Chanel entre as duas guerras que rasgaram o mundo. Lembrar Dali, o vestido com lagosta impressa, o gigantismo do chapéu em forma de sapato. Arrojos idos e vindos. Fúcsia – a cor das meias dos toureiros, símbolo que rejeitava da Ibéria. Fascínio pela indecisão entre rosa, lilás e encarnado, pela conjugação da arte e da ciência. Provocação que Yves Saint Laurent retomara e a seduzia ao rever na pantalha das memórias o laço imenso debruçado na Torre Eiffel. Apetecia-lhe o abandono num avião. Que a levasse e depositasse no seizième arrondissement, a Torre em fundo. O fúcsia enlaçado. O rio estrada de «barcos-moscas» para turistas verem dos ícones bordas e fachadas.

 

Apetecia-lhe.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Yves Saint Laurent                             Moda e Arte - Schiaparelli (1937) com desenho de Dali

 

publicado por Maria Brojo às 09:01
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Terça-feira, 9 de Outubro de 2012

DESPACHO BREVE

Autor que não foi possível identificar

 

Olhou os guindastes e os trolhas que lhe construíam novas paredes. O sobe e desce dos ferros. Mudança em frente. Que os móveis ficassem enquanto ela partia. Criar sítio novo. Casulo. Levar as telas, esculturas e cerâmicas. Fotografias de família que desemolduraria. Trapos, adereços e calçado. Álbuns e livros. Pouco mais. Com parcimónia, rechear o apartamento branco. Pintá-lo com sedas e musselinas. Talvez limas e ameixas. Talvez o fúcsia sintetizado pelo Leonhart Fuchs.

 

No minimalismo, reviver Elsa Schiaparelli e a rivalidade com Coco Chanel entre as duas guerras que rasgaram o mundo. Lembrar Dali, o vestido com lagosta impressa, o gigantismo do chapéu em forma de sapato. Arrojos idos e vindos. Fúcsia – a cor das meias dos toureiros, símbolo que rejeitava da Ibéria. Fascínio pela indecisão entre rosa, lilás e encarnado, pela conjugação de arte e ciência. Provocação que Yves Saint Laurent retomara e a seduzia ao rever na pantalha das memórias o laço imenso debruçado na Torre Eiffel.

 

Apeteceu-lhe abandono nos braços férreos do guindaste ali tão perto do aeroporto. Que a levasse e depositasse no ‘seisièmme arrondissement’. Em vez de trolhas, a Eiffel em fundo. O fúcsia enlaçado. O rio estrada de barcos-moscas com turistas em busca dos recantos e símbolos de Paris nas bordas.

 

Despedira o Santiago com habilidade. Evitara a “minha ou a tua?”, o “deixas o teu e levamos o meu, ou o contrário? Por mim, esteja contigo, as coisas não têm valor.” Estava certa de si: nem apetite, nem sentimento. Poisou-lhe um beijo flor nos lábios. Abreviou o fim sem entremeio de coxas, sussurros e gritos. Lembrou outra mão que um dia lhe amordaçara a boca, não fosse escândalo para os vizinhos a banda sonora do prazer. Ele menos livre que ela julgara. Preso a conveniências.

 

Por esse tempo, a janela larga sobre o Sado era fronteira de vícios inconfessados quando a noite chegava. Adivinhados. Depois, confessos. Ela ensaiara fuga vezes demais. Sem êxito. Atravessava a ponte e volvia sempre ao Sul perto. E não o queria, querendo. Guerrilha longa demais.

 

O Francisco dera-lhe mão e afeto que a puxara do inferno - carne e sentimento - pelo simulacro de amor que para si ela inventara e ele desesperava. Tão fácil mentir a quem era! E fora amante e apaixonada do Francisco, fizera planos _ vida junta num dia longe, porque não? Mas soubera da verdade que a mentira dele provou. Deles fez réu num processo sem delongas no tribunal dos sentimentos que acomodava. Quando a consciência era fogo esperto, recorria ao mesmo tribunal e fazia despacho breve.

 

Nota: publicado ontem no “Escrever é Triste”

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 06:55
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