Segunda-feira, 28 de Outubro de 2013

LOU REED BY MANUEL S. FONSECA

 

  

Paul Meijering - Lou Reed   Autores que não foi possível identificar – Lou Reed

 

“Era um aris­to­crata nova-iorquino. Ou, visto, de Los Ange­les, um des­ses snobs con­ti­dos que toca gui­tarra como se não lhe cou­besse um fei­jão já se está a ver onde. Visto daqui, de Lis­boa, será sem­pre um tipo que cami­nhava pelo lado selvagem.

 

Tinha tanto de poeta como cara de velha. Misturava-se nele uma poe­sia sim­ples e direta, um con­ví­vio fácil com as outras artes, um gosto suave por uma certa deca­dên­cia exis­ten­cial. Como todos os nova-iorquinos, pare­cia que podia ser euro­peu, mas nunca teria sido nada sem Bro­o­klyn ou Coney Island.

 

Um tipo de veludo, um tipo das cata­cum­bas. Teve alguns dias per­fei­tos. Fez can­ções e, sem o escar­céu de Keith Richards, tomou uma valente car­rada de droga, da boa e da pesada. Para fazer can­ções, diz ele, batia uma todos os dias. Sem tra­ba­lho não se vai a lado nenhum.”

 

Nota: publicado no "Escrever é Triste".

 

Duas obras que vão além do simples retrato de Lou Reed. A primeira, de Peter Rodulfo - Living with Lou Reed, a segunda, de Fabrice Plas – Vicious, inspirada por um dos temas mais aplaudido de Lou Reed.

 

 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:20
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Domingo, 17 de Outubro de 2010

DOÇURA VERDE E COBRE

 

À espera entre muitas, uma oliveira. Tronco robusto que denuncia idade e força e resistência. Este é o primeiro incentivo ao olhar quando o travão manual sobe e dá por finda viagem soalheira. Em cima, recortando o céu/horizonte próximo, campanário branco, imaculado, convoca quem chega. O cruzeiro mais além. Afronta entrada vetusta, carimbada por estrelas muitas, rochas polidas esparramadas à luz terminal em manhã de Outono pleno. O cruzeiro é a última das bússolas.

 

 

O esplendor do Alentejo apazigua inquietudes exportadas de quotidiano assoberbado com preocupações que decidem futuros profissionais. A planura, o casario alongado por terra imensa, quatro quilómetros atrás, é o perto visto de longe. E quem deseja, há anos, passar dias de Outubro em Boston pelas surpresas coloridas das folhagens encontra dentro o que o fora promete (ilude?). Bastou contornar de Évora a muralha recomposta, mal, com cimento. Avançar como quem vai para Estremoz. Depois, parar em sítio prometido. Paraíso? Qual quê? _ Faltam macieiras e pardalada exótica. Serpentes. Adões e Evas, sim, todavia compostos. Presentes e serviçais e cúmplices desde o olho fotoeléctrico/abre portas.

 

 

As grades limitam janelas conventuais. Emolduram a paleta cromática da estação. A tijoleira e a pedra. Um banco vazio onde fariam sentido almas que repousassem corpos exaustos. Mais elas do que eles, pois queixumes físicos são, mais das vezes, adições sucessivas de lágrimas invisíveis. Engolidas. Comandantes se a vigília do senso autoriza fluírem à revelia. Talvez banco memorial, como na Inglaterra ou na Escócia. Português, este. Que cada um dele faça seu.

 

 

E no Outono que cai, a doçura é verde e cobre. Árvores desempenadas legam à Terra o devido. Provam vida na morte. Testemunham precariedade inerente. São lágrimas e sorrisos e afagos e gostos enformados na folhagem que borda margens e muros.

 

 

Dentro a visão última. Nada esquecido. Roupeiro vazio. As cadeiras tentam minutos de rendição. E senta-se alma no corpo. Olha o princípio do foi. O convento abre escadas e caminhos e carreiros. A vida aprendeu com eles.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

 

 

publicado por Maria Brojo às 19:44
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