Segunda-feira, 21 de Março de 2011

A RAIVA DA CONTENÇÃO

 

Blake Flynn

 

A publicidade, como lhe compete, adapta-se aos novos tempos. Na televisiva e radiofónica, a mensagem ‘poupar’ ganha intervalos de tempo progressivamente maiores se todos bem somados. Contradição quando o objectivo é vender para alguém comprar. Mas, no subliminar, lá está o alvo primordial: consumir.

 

Por modos outros - crise política, económica/financeira, social - é recomendada contenção. Autocontrolo nos comportamentos, nos gastos. Estudos importados e sérios garantem relação entre agressividade e autocontrolo. Os obrigados a limitar consumos que derrapam num apelo tendem a focar a atenção em rostos que exprimam raiva e menos nos que reflectem medo. Da mesma maneira, quem faz dietas e come fruta em vez do bolo cremoso que lhe apetece escolhe filmes violentos onde é exibida vingança. Quem não conhece o humor canino dos que optam por regimes de emagrecimento ou de privação tabágica?

 

Termos impositivos como ‘precisa de’, ‘tem de’ provocam irritabilidade naqueles cujo autocontrolo está em alta. Os responsáveis das políticas que a todos abrangem devem estar alerta sobre as consequências dos encorajamentos negativos, imediatistas, nas atitudes quotidianas dos cidadãos. Substituí-los por incentivos positivos a longo prazo pode ser factor decisivo na paz social e no empenho em saudáveis mudanças comportamentais. Talvez suavizado o acabrunhamento de que padecemos e que nada contribui para o bem comum.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Porque é Dia Mundial da Poesia, Herberto Helder por Mário Viegas e Rodrigo Leão.

 

 

publicado por Maria Brojo às 09:18
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Quarta-feira, 6 de Outubro de 2010

QUEM NÃO MANDUCA, NÃO TRABALHA

Mathew Carlton, John John

 

Tenho amigo que resiste à designação ‘Funcionários Públicos’. Classifica-os como ‘Colaboradores do Estado’. Fundamenta: _ “Toda a pessoa que exerce profissão em qualquer sector da actividade pública não é um servidor, nem um assalariado, nem mero funcionário pelos contributos que devem ser valorosos no serviço comandado pelo Estado a favor da sociedade.”

 

A conversa sobre o tema bailou durante jantar com seis presenças: duas crianças, um trabalhador privado, três funcionários públicos. Entre garfadas de arroz de pato à transmontana, um tinto de fazer vibrar o basalto das calçadas e petiscos mais, o bailarico/diálogo foi agitado sem que perturbasse a calma do palato e do pós-prandial.

 

O ‘privado’ lembrou as horas fiadas de labor depois de findo o horário ou falta dele – neste caso, prolongada a dedicação ao trabalho e consequente rapinice ao tempo privado da vida. Dois dos ‘públicos’ como tições pelos 5 a 10% surripiados ao vencimento mensal. Adiantou um: _ “No meu sector, é consensual diminuir o labor em percentagem semelhante à do novo rendimento. Quem não manduca, não trabalha e mais não há a dizer. Carreiras iniciadas com perspectivas que o Estado assumiu, negam fundamentais e brutais mudanças de regras indo a meio o jogo em relvado mal semeado e ralo.” O segundo concordou. Fez denúncia dos abusos das chefias, da subserviência requerida, das lutas intestinas para “o meu brilho ser maior que o teu”. O ‘privado’ não se ficou: _ “Não restrinjas ao desconsolo do teu umbigo a queixa feita. Desde há muito, conhecemos os tropeções que descreves e constam do desafio na progressão da carreira. Para nós é simples: _ És de bom para cima, ficas; és suficiente ou medíocre e segues caminho para a rua. Sem contemplações. Diz-me se no público é assim.”

 

O ‘público’ terceiro entrou na roda. Entende razões de todos e constata falhas de sucessivos poderes que desgovernaram um caos trôpego de velho e cujo músculo cardíaco entrou em falência. Tanto se empanturrou pela satisfação de apelos/colesteróis primários, que entupiu os vasos por onde o sangue vital circula. Agora geme, respira mal, move-se com a Europa inteira em carrego nas costas. E mais se curva perante ela. Lerdo, não lobriga melhoras. Pois devia – mudar radicalmente de cima para baixo, explicar segundo a regra do espelho, constituir exemplo coerente sempre convenceu.

 

Terminou o repasto e o serão em gargalhadas apetitosas. Português é assim: da desgraça faz graçola.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Cortesia de Anónimo

 

publicado por Maria Brojo às 07:37
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Sábado, 11 de Julho de 2009

OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO


Siegfried Zademack

 

A Universidade Católica investigou. Resultou do estudo que, afinal, o programa “Novas Oportunidades” não se traduziu em melhoria profissional daqueles que o frequentaram. Que bom seria abranger pequenos e médios empresários no “Novas Oportunidades”!
D’accord! Alguns de vista curta e simplória, outros não. Muitos, por esse país fora, fundamentam o contrário. Levam adiante empresas familiares e fazem-nas sobreviver à terceira geração _ altura crítica que, frequentemente, afunda negócios lucrativos pelo espírito do «bem bom» instalado nos descendentes. Nascidos em berço confortável, tomam a empresa, futuro e sustento, como galinha dos ovos d’ouro. Que não é se o labor desdisser. Afundam-nas em menos de um apagar de vela. Outras há, como aquela que ontem comprou por um euro o BPP, que transmitem de geração em geração – no ADN? – espírito empreendedor.
 

Que tal entender nada mudar num pestanejo? Que qualificar é preciso? Que fazer voltar à escola quem a abandonou cedo demais é bom princípio? Que a exigência deve presidir à obtenção do diploma/atestado daqueles que foram além?

 

Em altura de pré/óbvia campanha eleitoral, as notícias lidas, vistas ou ouvidas, são reinação. Ora agora divulgo escândalo e insucesso teu, ora pões a boca no clarim e propalas o meu. Os cidadãos como vítimas _ não sendo atentos _ das várias manipulações.

 

Arregalar os olhos, apurar o ouvido e filtrar informações é obrigação. Os distraídos como marionetas agitadas por forças alheias. Aos que odeiam complacências, apetece dizer:
_ bem feito para quem esquece ser operário em construção!

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

“Operário em Construção” – Mário Viegas.

 

Panfletário? Não! Actual? Sim!
 

publicado por Maria Brojo às 00:00
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