Quinta-feira, 1 de Maio de 2014

PORQUE É DIA DO TRABALHADOR

 

Van Gogh - Peasants Panting Potatoes 

 

Porque é “Dia do Trabalhador”, porque o espírito reivindicativo nascido em Chicago no ano de 1886 não pode fenecer, que quem trabalha se una, que pense individual e coletivamente como objetar, com responsabilidade, aos sucessivos rombos à sua condição.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 08:48
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Quarta-feira, 17 de Outubro de 2012

SUL OU LOCAL DE ENCONTRO

Mark Bryan

 

“Sul ou lugar de encontro de Psique e Eros ou os seus avatares de momentos imprevisíveis mas escritos em firmamentos debruados a luar do lado de lá do rio que se cumpre a encantar ;

rio cheio!!

grande, arquitecto capaz de impor calçada portuguesa em empreendimento destinado a exportação!

desaguar!!!

entre portos e marés
ai um dia
abriu-se ao mar o convés
e fez-se noite

entre cais e maresia
ai por fim
cumpriu a suma heresia
e fez o verbo

entre linhas, pontes, medos
ai o céu
ouviu troar nevoedos
e fez chão

entre postes e novelos
ai nunca
caiu estupendo atropelo
e fez-se já

era o tempo do começo
e de esquecer
de rios e rios a vencer
e soletrar e aprender

até a porta se abrir
até o céu desabar

até o fogo se rir
até um passo, à beira mar

e a água, enfim, desaguar”

 

Autor: o estimado António.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:01
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Terça-feira, 4 de Outubro de 2011

PESSOAS BOAS, FAMÍLIA OUTRA

  

Nestas duas semanas de trabalho, além dos da família e amigos, agradeço préstimos generosos de:

 

- Sr.ª D. Ventura, a excelente cozinheira que no Verão alimenta a família com o seu inato dom culinário, autora do arroz doce que me embeveceu, fiel e cuidadosa guardiã da casa de Gouveia o ano inteiro;

- Sandra, companheira de trabalho nas limpezas do Prado, e o filho Alcides, uma ternura de criança;

- O Sr. Ângelo, construtor da casa de Gouveia, amigo da família desde há quase meio século;

- Sandra que cozinhou óptimos almoços e me tratou com excelência;

- Lucília que alegremente os serviu.

 

Juntos constituímos família alargada de cuja ajuda tive o privilégio. Bem-hajam!

 

Nota: todas as fotografias foram publicadas com autorização dos retratados.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:03
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Terça-feira, 30 de Agosto de 2011

RETORNOS A FEITIÇOS

Estrela Faria, Abel Manta

 

Inverteram-se afectos - Lisboa de amor passou a amante, a Beira Alta de amor elevada a paixão. Complementam-se por amante e paixão serem formas lindas de expressar impulsos de ânimo. Não há paixão sem par amante, não há amor vero que dispense momentos de paixão. E distinguir entre sentires fortes que enrolam corpo e alma em rama fina de algodão é difícil pelas fronteiras próximas. Deixá-las entrecruzarem-se, oscilar entre uma e outra, alicia amanhãs. Não que a volatilidade dos afectos seja inferida, mas sim que de tão sérios e imprescindíveis simplesmente licenciam permutas de intensidade, mantendo, intocável, a fidelidade.

 

Nesta Lisboa, apetece descobrir mais e mais segredos que aumentem o pecúlio grato. Cidade mulher porque airosa, que joga ao ‘toque e foge’, enamora com recato para depois se abrir, despudorada, a quem dela e com verdade deseja fruir. E entrega-se e revela as colinas firmes, desce para o rio meneando ancas e nos requebros das pernas como se ainda soassem em fundo de música pregões das varinas. Deixá-la para um sempre é ingratidão à sua rara beleza nesta Europa vaidosa sem ter, todavia, onde cair morta. Porque quem ao belo se habitua tende a desvalorizá-lo, é preciso afastamento que cresça saudades e o reencontro por semanas ou meses torne em feitiço novo.

 

A Beira Alta é desafio que alicia urbana dos ‘sete costados’. Volver aos cheiros das urzes, dos pinheiros, da terra cavada, aos saltos dos ribeiros que o degelo engrossa, à proximidade da história lusitana em cada penedia, aldeia ou pelourinho, ao dia que pelo vagar possui mais do que duas dúzias de horas, seduz quem também por lá formou a matriz individual. Com os anos chegam desejos de paz mansa no exterior que permita às emoções a vivacidade de sempre, conquanto não interrompidas pelo correr sem fôlego nos dias.

 

Talvez em Lisboa falte o ‘bom dia’ do vizinho, talvez em Lisboa sobre cimento e torres onde gentes anónimas pernoitam após regresso extenuado a casa, talvez a oferta cultural seja tanta que entristece aquele que nem para o seleccionado consegue tempo, talvez em Lisboa os ciclos da Terra sejam menos pronunciados, talvez cada um esqueça demais quem é, talvez cada um lembre demais quem não foi. Talvez.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:23
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Quarta-feira, 10 de Agosto de 2011

CARMO ISABEL E ANTÓNIO

J T Winic

 

Ela, Carmo Isabel, ele, António. Ela, órfã desde cedo, criada pela avó ‘Mamia’ – petit-nom carinhoso inventado pelos bisnetos, luz dos seus olhos -, madrinha e prima em segundo grau, bem como pelo avô Artur que acumulava funções de marido, companheiro, eterna paixão.

 

Porque nos quarenta do século passado era paupérrima a maioria das gentes, também abundava miséria descalça em S.Cosmado, distrito da Guarda. Quem possuía terreolas e uns tostões ajudava aqueles cuja dieta se limitava a pão centeio, caldo, azeitonas e batatas. Entre outros, a avó ‘Mamia’ e o avô Artur melhoraram vidas fosse através do apadrinhar casamentos e baptizados, da paga nas jornadas campesinas, das copiosas «fatia»*, das merendas que permitiam aos trabalhadores irem pra recato já «comidos»*, fosse pelos empréstimos sem juros e retorno à vista; o emprestado, assim chegassem dias melhores, zelosamente devolvido – a tal chegava a honra que cada aldeão prezava. Caloteiro ou ingrato eram termos malditos. Por isso retribuíam favores com produtos saídos das mãos calejadas. Bastas vezes o avental ou o xaile cobria dúzia de ovos, no cesto galinha ou coelho, cabrito sendo Natal ou Páscoa. Custava aceitar, tamanha a falta sabida no bolso e na panela de quem ofertava. Em troca, folar ou outra lembrança generosa dos padrinhos. Entre generosidades mútuas, os dias corriam.

 

Ao crescer, a prima Carmo brilhava pela formosura morena, pela diligência e pela voz ímpar. O rancho da vila depressa lhe deitou o olho e levou-a à “Exposição do Mundo Português”. Os «lisboinhas» que a viram cantar e seus volteios airosos na dança, gritavam:

_ “Cai nos meus braços, morena do meu coração!”

O rancho arrecadou um dos lugares cimeiros na competição pela fidelidade à cultura popular que representava, a prima convite para actuar em Teatro de Revista no Parque Mayer. Nem hesitou: regressou à terra para os braços do seu conversado António, ex-marinheiro. Haviam de casar e ter um filho. Pela vida difícil, migraram para Lisboa. Alugaram casa no Dafundo, partilhada com outra família pra dividir a renda. Poupados uns dinheiros também na costura, montaram pequena capelista, ela ao balcão, ele como revisor da Carris. Melhorada a vida pela labuta, o petiz foi criado com amor e mimos, estudou em colégio, é homem de sucesso no mundo empresarial espanhol. Habita em Madrid.

 

Tornavam à casa aldeã de S. Cosmado em cada Verão. Primeiro, de comboio, depois no automóvel que luzia. Assomados ao «povo»*, bando de garotagem corria atrás da raridade dum carro na estrada poeirenta habituada a carroças atreladas aos burricos, motoretas e pés andarilhos. E as famílias primas confraternizavam - à volta da mesa, o deleite era a inolvidável sopa de «bagudos»* com abóbora que a prima Carmo servia -, iam comprar novidades, pírex e chocolates a Espanha, beber as cá proibidas Coca-Cola e Fanta, comer paella.

 

Certo é desde há, bem contados, oitenta anos, nunca terem sido quebrados estreitos laços do afecto que ainda hoje une as duas famílias primas.

 

Adendas:

1. «fatia» - refeição servida aos trabalhadores rurais por conta doutrem cerca das onze e trinta da manhã;

2. «comidos» - jantados;

3. «povo» - aldeia;

4. «bagudos» - feijão maduro.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:13
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