Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2014

O TEMPO DA INOCÊNCIA

 

Don Segmiller

 

O tempo da inocência. Da ingenuidade. Da descoberta. Dos porquês. Da inconsciência do amanhã. Dourar os idos da infância é atitude comum. Fazer deles refúgio de colo, sonho e aconchego, antecipando que ao crescer não são fáceis de encontrar. Haja sabedoria para os reconhecer e preservar.

 

 

A perda da inocência, surripiada pela malícia, crueldade ou mesquinhez, outrossim pelo ato de crescer, antecedia a que no futuro se adivinhava. Tempo com difuso final. Sem que da data ficasse registo assinalado no individual calendário interior. Ao contrário da seguinte, não raro ansiada, perda do crescimento: a virgindade.

 

 

E chegávamos frágeis ao momento esperado. Assumindo tremores ou simulando saber consolidado no momento da virgindade cair. Pouco mais havendo que misto de curiosidade e temor. Nos saberes adquiridos, clandestinamente, à boca pequena, ou em desajeitados ensaios, havia a certeza da inevitabilidade. Romper o hímen era romper a última barreira mental que entravava o caminho da mudança pessoal.

 

 

Com os cataclismos, deceções e vulnerabilidades que as sociedades enfrentam, é tempo de despedida. Deixar cair a virgindade social como caiu a da inocência. Depois, crescer.

 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 07:47
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Quarta-feira, 5 de Outubro de 2011

‘CARTILHA DO HOMEM BOM’

Byron Traag Snider,  Sylvia Bokor

 

O SPNI está vivo e de boa saúde na perspectiva da autora dos escritos que nele surgem. Não é um génio literário, comete gralhas temporais e outras, muito lhe falta para dominar a língua portuguesa que ama. Mas é viciada no aprender, bastas vezes com os comentários, parte integrante deste espaço. Submete-os a análise crítica, elucida-se nas fontes que procura e corrige sendo necessário. Todavia, outro vício a caracteriza: abomina delatores de conversas privadas. Acontece que em oito anos desta chaminé virtual, como diria José Pacheco Pereira, somente por duas vezes factos deste teor surgiram. Ao dar conta do ocorrido, a tecla “apagar” foi premida. Idêntico gesto quando esparsos insultos entre comentadores ou dirigidos à autora molestam dignidades. A esta compete ainda moderar intervenções sob a forma que decidir adoptar.

 

Por algumas vezes, casos de vidas aqui descritos foram considerados delações. Rejeito esta interpretação. Preservado o anonimato das fontes, situações exemplares de vidas merecem ser reflectidas ou porque demonstram a miséria vivida pelo nosso povo, ou porque espelham comportamentos atávicos de gentes como nós. Curioso é serem igualmente consideradas como intromissões na privacidade escritos puramente ficcionais o que nem admira pela tendência generalizada de subentender dados biográficos nas letras que outrem alinha e dá a conhecer.

 

Fio honrado de conduta não é universal - depende das sociedades, dos indivíduos, conquanto princípios gerais sejam acolhidos como parâmetros, ainda assim questionáveis em momentos decisivos. Seja tomado como exemplo mentir. Quantos de nós vendo alguém sofrer ou em situação terminal não girou o pensado no intuito de aliviar dores?

 

Não seja entendido como desculpabilização ou justificação de falhas o atrás exposto. Cada um reflecte sobre as práticas quotidianas como pode e sabe e quer. Se, de todo, não as pensa é direito seu. Rotular levianamente comportamentos parece-me impróprio, mas que erga alto o braço quem nunca tiver caído nesta e noutras tentações contrárias aos mandamentos inscritos na ‘Cartilha do Homem Bom’.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:40
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