Quinta-feira, 6 de Fevereiro de 2014

“NÃO É ALEGRE NEM TRISTE”

 

 

Morte da Severa - autor que não foi possível identificar

 

 

Grácio Freitas – Amália, pop arte                                                                          Grácio Freitas – Mariza, pop arte

 

Li:Fernando Pessoa afirmou ao Diário de Notícias, em 1929, que “a canção é uma poesia ajudada” e, referindo-se ao fado, sobre o qual escreveu “Há uma música do povo”, o poeta disse que “não é alegre nem triste". "É um episódio de intervalo”.

“Domou-o a alma portuguesa, quando não existia, e desejava tudo sem ter força para o desejar”, acrescentou Pessoa, referindo que, "no fado, os Deuses regressam legítimos e longínquos".”

 

Soube: em Abril, é editado o novo álbum de Mariza. Um dos temas, “É ou não é”, foi originalmente interpretado por Amália Rodrigues e criado por Alberto Janes, um dos mais populares compositores portugueses das décadas de 1950 e 1960, autor de alguns dos fados mais conhecidos da nossa fadista maior. A letra mantém atualidade. Vejamos:

 

“É ou não é
Que o trabalho dignifica
É assim que nos explica
O rifão que nunca falha?
É ou não é
Que disto, toda a verdade,
Que só por dignidade
No mundo, ninguém trabalha!

É ou não é
Que o povo diz que não,
Que o nariz não é feição
Seja grande ou delicado?
No meio da cara
Tem por força que se ver,
Mesmo até eu não meter
Aonde não é chamado!

Digam lá se assim ou não é?
Ai, não, não é!
Digam lá se assim ou não é?
Ai, não, não é! Pois é!

É ou não é
Que um velho que à rua saia
Pensa, ao ver a minissaia:
Este mundo está perdido?!
Mas se voltasse
Agora a ser rapazote
Acharia que saiote
É muitíssimo comprido?

É ou não é
Bondosa a humanidade
Todos sabem que a bondade
É que faz ganhar o céu?
Mas na verdade, não
Lá sem salamaleque,
Eu tive que aprender
É que ai de mim se não for eu!

 

Proponho: ouvir as interpretações de Amália Rodrigues e de Mariza do “É ou não é”.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:43
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Terça-feira, 5 de Novembro de 2013

DOIS MILHÕES E MEIO EM 50 ANOS

 

 

Kathleen Scarboro

 

Seja pelas vidas esforçadas, por comodismo, ou ambição de mais e melhor para os filhos, os portugueses diminuíram a procriação. A manter-se a situação atual, Portugal perderá dois milhões e meio de habitantes em cinquenta anos. Uma em cada duas crianças nascidas em Portugal são filhas de emigrantes. Não fossem eles e o país teria atingido de forma mais abruta a contagem decrescente da população. No ano passado, nasceram dez mil crianças filhas de estrangeiros que neste retângulo marginal da Europa assentaram arraiais.

 

Nas escolas, é significativo o aumento de alunos com nacionalidade estrangeira. Os muçulmanos que frequentam a escolaridade básica e secundária, têm dificuldade na integração. Voz amiga reportou ter sido posto à prova numa turma que lecionou no ano letivo findo; estavam inscritas duas muçulmanas que não falavam qualquer língua exceto a dos pais e avós. Era suposto aprenderem a ciência exata onde estavam inscritas. Não faltaram a uma aula. Do início até ao fim do ano letivo, copiaram, durante os tempos letivos, o Corão. Em contrapartida, os ucranianos adaptam-se com facilidade à língua portuguesa e teimam na rápida aprendizagem tendo o dicionário sempre à mão. Brilham nas aulas e atingem o nível da excelência. Quando indagados sobre a razão, a resposta é, invariavelmente, a mesma: “aqui é exigido pouco comparado com o regime de rigor no desempenho que tínhamos no país natal.” Croatas e moldavos dizem o mesmo. Reluzem nas pautas que listam as classificações.

 

Os chineses inseridos na escolaridade portuguesa apresentam dificuldades em relação às turmas e ao português. Em contrapartida, deixam longe os demais alunos nas disciplinas de Matemática e Educação Física – não é exclusiva responsabilidade do governo Chinês o brilharete nos Jogos Olímpicos e na computação.

 

Quem são, afinal, os portugueses? A história testemunha o lusitano e ancestral apetite por descobrir e conhecer novos mundos. Imigrámos, miscigenámos outros povos e foi chegado o tempo de recebermos emigrantes que chegam idênticos na esperança aos portugueses fugidos à miséria e aos horizontes curtos dos anos sessenta e no dorido presente. Levantar o espectro da relação criminalidade/emigrante é fácil. Difícil é fundamentá-la com rigor. E quem, apreensivo, vê a chegada de estrangeiros e os julga destinados a trabalhos menores, esquece que na investigação científica, em trabalhos diferenciados técnica e culturalmente, nas artes, muitos são os que ocupam lugares de mérito.

 

É justificado receio não quando nos procuram, mas quando partem. Dados recentes confirmam esta tendência. Diminuídos fluxos migratórios para Portugal, é provada a recessão (opressão) da nossa economia. Nesta conjuntura do país, respeitar e acolher com dignidade emigrantes, é investir num futuro menos severo para todos nós.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:22
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Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2013

MANCHA DE BATOM

 

Sally

 

Tornar inteligível a miséria atual do país é como tentar explicar à mulher mancha de batom alheia no colarinho da camisa do «seu» homem – este pode ter sido sempre fiel, mas convém que a justificação, por ridícula que seja, tenha consistência.

 

Nota: publicado aqui.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

"Não queiras saber de mim

Esta noite não estou cá

Quando a tristeza bate

Pior do que eu não há

Fico fora de combate

Como se chegasse ao fim

Fico abaixo do tapete

Afundado no serrim

Não queiras saber de mim

Porque eu estou que não me entendo

Dança tu que eu fico assim

Hoje não me recomendo

Mas tu pões esse vestido

E voas até ao topo

E fumas do meu cigarro

E bebes do meu copo

Mas nem isso faz sentido

Só agrava o meu estado

Quanto mais brilha a tua luz

Mais eu fico apagado

Dança tu que eu fico assim

Porque eu estou que não me entendo

Não queiras saber de mim

Hoje não me recomendo

Amanhã eu sei já passa

Mas agora estou assim

Hoje perdi toda a graça

Não queiras saber de mim"

publicado por Maria Brojo às 07:53
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Segunda-feira, 23 de Agosto de 2010

CAMAS OUTRAS NA MESMA

 

Gayle B.

 

Quem experimentou enfarte do miocárdio, frequentemente, teme o esforço duma relação sexual. Pois não deve – quem sabe afirma-a, no esforço, semelhante à subida de lanço de escadas ou a caminhada de trinta metros em terreno plano. Isto, se o acto entretiver o «ex-enfartado» e a companheira habitual - sexo/«estreia» sobe o nível de ansiedade e terá de esperar. Duas semanas após o enfarte, ausentes complicações, que a pessoa retome a vida normal. Conquistas médicas facilitam quotidianos benquistos para o indivíduo.

 

Mas há que contar com infidelidades sexuais. Investigadores apuraram a desigualdade salarial como potenciadora de bicadas extraconjugais timbradas ou não. Tenham eles ou elas peso económico inferior nas contas domésticas, camas outras interpelam sentidos que neste domínio contam. O porquê é inquietação. Quais os meandros que constituem o domínio económico de um elemento do casal como lei motiv para o parceiro diversificar experimentações eróticas? Equilibrar auto-estima carecida de valorização pela via sexual?

 

Para modestos entendimentos como o meu, se um dos acasalados auferir salário mais graúdo que o do outro favorece ambos. Em que curva cerebral estará alojado o erotismo adúltero do caso? Ignoro. Todavia, existem premissas para a vida dum par feliz. Talvez, dizeres íntimos como este:

_ Não troques pela carreira quem és e quero. Provemos o enlace romântico que nos une mais sólido, mais seguro do que cofre de haveres e poderes. Gozemos o prazer da nossa gaiola soalheira sempre com a porta aberta. Evitemos distracções do essencial mútuo. O teu dinheiro não é afrodisíaco para mim. O nosso amor canta independente e liberto dos atilhos largos que os bancos te creditam mensalmente.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:04
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