Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012

A CASA DA «DESGRACIA»

Mary K Wood, Kenney Mencher

 

Local - supermercado de bairro.

Protagonistas - a Macy, o dono do supermercado, a cigana, a mulher nervosa.

 

Na caixa junto à porta, a Macy queixava-se do frio. «Encamisolada» até mais não poder. Rosto franzido. Contrariado. De resto, é quase sempre assim independentemente da estação do ano. Chama “meu amorrr” às clientes. É brasileira com anos de Portugal. Cinco, enumero. Dos anteriores nada sei. Dedos ágeis fazem sair, num ápice, a conta/paga. Rabuja, mas enfia à medida que tecla os adquiridos num saco. Encara as filas de clientes como prova de mau gosto pela hora escolhida.

 

Cenário restante – expositores, congelados no frio em arca vertical com a porta transparente para estimular apetite. Rondam-nas compradores. O dono, mal-encarado, vigia funcionárias e quem se apresenta disponível para encher o fundo do saco de plástico num irritante amarelo. Etnias misturadas atraem no lugar.

 

De novo, a caixa registadora. A cigana substituía a Macy no gesto «enche-saco». Totalizada a conta, sopesa conteúdo e euros. Da bonomia faz uso: _ “Esta é a casa da desgracia”. E gargalha enquanto o diz. A “senhora dona” atrás e à minha frente resolve também ensacar. Chegado o momento de abrir o porta-moedas, fosse pelo nervosismo acidental ou costumado, derrama no chão as moedas. Ninguém da fila se mexe, salvo eu. De cócoras, cato as que vislumbro e entrego-as à dona. Deparo-me com ela ao alto, esperando a minha recolha. No gesto da devolução, ouço:

_ Nem valia a pena. Acordei a saber que iria perder dinheiro.

_ Mas não perdeu. Julgo estarem aí todas.

A Macy concordou. Os da fila também. Continua a senhora dona crente em predestinações:

_ Não! Que perderia dinheiro sabia desde manhã.

E saiu cabisbaixa sem palavra mais ou olhar para trás.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 11:07
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