Quarta-feira, 18 de Abril de 2012

PORCOS, FEIOS E MAUS VERSUS BONITOS REPLICADOS

 Matthew Carlton

 

“Os filhos dos ricos são bonitos e têm sucesso; os dos pobres perpetuam inferioridade nos ferretes sociais.” Atentando bem, a beleza rica é, frequentemente, uma falsa beleza. O luzir da pele e do cabelo, a elegância de um pé sem mácula delicadamente apoiado na vertiginosa curvatura de uma sandália, o embrulho das formas em tecidos perfeitos são partes de um todo fascinante carimbado como belo. As competências sociais afinadas por sucessivas gerações são o brilho dos salões. Os descendentes assimilam como água uma série de códigos que, frequentemente, os distancia dos demais. Todavia, é sabido que qualquer ser humano inteligente, culto, ou simplesmente informado, de duas uma: ou emerge socialmente pela cópia das condutas que o integram nas elites dominantes, ou preserva o desprendimento considerado um valor, não raro uma excentricidade que o compraz pela «imagem de marca» associada.

 

Em ambientes socialmente heterogéneos como as escolas, contabilizado o sucesso, nele dominam adolescentes cujas famílias possuem recursos económicos e culturais. Os mais desfavorecidos têm, globalmente, menor sucesso escolar. Dando por adquirido o logro do pensamento nazi, não é aceitável supor privilégio de castas a inteligência e demais dotes do intelecto fundamentais para o êxito na consolidação das aprendizagens. Em que resquício cerebral se esconde a diferença referida na constatação? Havendo igualdade no apoio afectivo da família e no acesso às ferramentas necessárias, arrisco resposta breve: nas competências sociais. Saber falar em público, adaptação a ambientes diversos mesmo se aparentemente superiores ou hostis, possuir uma linguagem corporal espontaneamente correcta permite ao intelecto concentrar-se no essencial e lateralizar como ociosidades verdadeiros calcanhares-de-Aquiles nos menos preparados para a exposição social.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 18:09
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Sábado, 4 de Junho de 2011

DE OABAMA A VIENA

John Zacchio, Matthew Carlton

 

Discurso de Obama onde é elogiado arquitecto português e manifestado conhecimento da respectiva obra é raro. Aconteceu na entrega do Pritzker 2011 ao agraciado Souto Moura, acontecimento por aqui exaltado. Os Estados Unidos sabem agora da excelência de alguma arquitectura portuguesa e deixaram de ignorar também o nome de um dos maiores, nossos, nesta forma de arte/ciência. Não que sem o prémio ou os encómios do presidente norte-americano fosse menor o valor das obras construídas ou o meu orgulho na qualidade de concidadã. Mas sabe bem ver o mundo reconhecer a qualidade de gentes portuguesas, ainda que muitas delas vejam na emigração a saída única para desenvolverem conhecimentos e trabalhos de qualidade. Triste país que sangra talentos para o exterior sem vero querer de propiciar condições necessárias e dignas!

 

José Gusmão Rodrigues, aluno do 12º ano da Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho, ganhou, em Viena, a medalha de prata nas Olimpíadas de Filosofia. Lutou por constituir delegação nacional, sempre apoiado pelo professor Domingos Diogo Correia. A Sociedade Portuguesa de Filosofia não deu resposta ao pedido de apoio do estudante e do professor que tivera há dois anos. Trinta países em competição. Durante quatro horas, escreveu ensaio em inglês, uma das quatro línguas permitidas: inglês, francês, espanhol e alemão, sendo que nenhuma delas podia ser materna. Quatro tópicos fornecidos sobre incerta épocas históricas da Filosofia. E o nosso José Gusmão arrecadou mérito e glória. No futuro provável, exportar este jovem é crime.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:08
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Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

SUSPIRO LEVIANO, C'EST TOUT!

L.W. Perkins, Matthew Carlton

 

Desde o Verão, soube há pouco, os carabinieri andam atarefados. Seja pela recolha de fundos por multas que as autarquias italianas necessitam, seja pela vaga conservadora que avassala o país de Berlusconi, esbirros vigiam e somente estar paredes-dentro salva de coimas o cidadão. Enfiada a burca/salvaguarda da segurança pública, as Câmaras dos lugares da 'bota mediterrânica' viram legitimado o direito de proibir. Paga aos carabinieri quem violar as normas saídas ainda quentes do forno da imparável imaginação de cada um dos autarcas italianos sob a batuta de Berlusconi - homem de boas práticas e melhores costumes por lobrigar. O que é permitido em Verona é proibido em Veneza e apenas com manual de conduta em cada lugar(ejo) italiano é possível conhecer a fronteira da permissão.

 

Decotes, vestidos curtos, mini-saias, calças descaídas que permitam vislumbrar lingerie fazem incorrer em pena a utente. Apanhar conchas, erguer castelos de areia, massagens profissionais, ouvir música antes das 16h nas praias está fora de questão sendo vontade impedir assalto legal aos bolsos ou ao que deles fizer vezes. Circular com latas de cerveja, garrafas de vinho - que farão as gentes às ditas ao regressarem a pé do supermercado? -, andar com socas – culpadas de ruído excessivo -,  grupos que excedam dois membros nos parques públicos meia hora antes da viragem da noite para dia novo são candidatos à caça. Ainda que abrangidos pela condição de casal não se livram da multa ocorrendo-lhes beijarem-se no automóvel - mostras de amor explícito assim tornadas viciosas; pedir esmola igualmente obtém punição - a multa presumo ser retirada do chapéu/cofre ou da lata chocalhada pelas moedas.

 

In factum, usar burca equivale a vestido mini e decotado – 500 euros de coima, além do insulto aos limites morais islâmicos que proscrevem a similitude. A primeira, devido a poder abrigar armas letais e terroristas, o segundo por ofender a moral pública – outra justificação é mentira porque dentro dele qualquer artefacto extra(ordinário) é visível. Preventivamente e sob a capa de segurança máxima contra os «al-qaedistas», França, Bélgica. Holanda e Itália  proíbem a par da burca, o niqab – aquela peça inenarrável que, à semelhança dos super-heróis, esconde o rosto e dificulta a identificação do putativo malvado. O hijab passa impune - também melhor fora que um xaile ou lenço grande tapando cabelo e pescoço significasse perigo eminente. Que faríamos nós, correctas cidadãs do ocidente, se uma saraivada louca nos privasse das echarpes e pashminas «tapa-tudo»?

 

Os deuses não estão loucos, mas os herdeiros terráqueos com cérebro de galinha, sim. E nem adianta acrescer argumentos e lembrar direitos: _ suspiro, desta feita leviano, c'est tout!

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:00
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Domingo, 10 de Janeiro de 2010

PARADIGMA: 500 EUROS

Matthew Carlton
 

Licenciados, com especialização ou pouco qualificados. Conseguindo trabalho, em média, arrecadam quinhentos euros para a sobrevivência. Maior é o vencimento de uma funcionária doméstica com «casas» para lhe preencherem a semana. Não é a «empregada» que ganha demais – são eles, jovens e adultos até aos vinte e cinco anos, que ganham pouco.

 

A geração mais escolarizada de sempre é também, pelo império da necessidade, a mais dócil relativamente às exigências dos empregadores. Aceitam cumprir horários escandalosos. Aceitam a precariedade dos ‘contratos a termo certo’ e anos a fio com ‘recibos verdes’. Aceitam trabalhos que não os gratificam, nem, tão pouco, correspondem às habilitações. Porque sem «saber» sabem que o trabalho/ordenado é decisivo na construção da personalidade, na passagem para o mundo adulto com responsabilidade indispensável ao «crescer» digno.

 

Numa década, subiu para 50% o número dos jovens sem contrato permanente, de um para seis os desempregados juvenis e, neste lote, triplicou o número dos que possuem licenciatura.

 

Democratizado, o ensino não soube fornecer competências adequadas às exigências dos empresários. As universidades debitam diplomas a um ritmo incapaz de ser absorvido pelo mercado de trabalho. Não é desejável contracção nas habilitações superiores, antes rever criticamente os curricula em todos os níveis da pirâmide escolar. Maior exigência é caminho para alterar o novo paradigma: ‘licenciado ganha a vida num call center’. Mantendo-se, os danos futuros são impossíveis de prever.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 09:34
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