Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2013

CONCHITA

 

Jack Vettriano

 

Na vida adulta de avoengos beirões e endinheirados, o pecado da luxúria falava espanhol. Melhor, encantava em espanhol, convencia por gemidos e obtinha através de beicinho e volúpia. Os casinos de Espinho, Póvoa de Varzim e da Figueira da Foz desfaziam fortunas em menos de Pai Nosso rezado com fervor e de joelhos pelas mães e «esposas» devotas e (des)enganadas frente a oratórios pejados de Santos e santinhos.

Os desvios do bom caminho de um ‘rapaz de família’ começavam nas repúblicas coimbrãs, aí prosseguiam até o enérgico «Basta!» do pai de família temendo exaurida a bolsa. Havia interlúdio no casamento, por amor ou «arranjado», que legitimava discretas e ocasionais derrapagens sendo preservada a ignorância da respetiva e ao jantar, servido a horas, ninguém faltasse. Um sossego!

Pelo fastio, a modorra instalava-se. Os negócios entediavam e os ímpetos da carne, outrora vigorosos, murchavam. Os parceiros de tertúlia afiançaram: _ “Do que precisas é ir à Conchita! Ficas outro!”

 

E ele ia. E ficava. E ganhava ânimo. Enrubescia as faces, o olhar coruscava, abria o riso e a vela dos negócios enfunava como se alísio soprasse. Tudo corria de feição até o homem transpor a corrente da lascívia e desaguar na paixão. Aí começava a pensar, gastar, comer e gemer em espanhol sob o imperioso domínio da horizontalidade das artes de nuestra hermana. A Conchita (...)

 

Nota: texto completo aqui.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:32
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