Quinta-feira, 3 de Julho de 2014

PARA QUE VOS QUEREMOS, SACOS DE PLÁSTICO?

 

Alex Alemany

 

Um trabalho da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa concluiu que 97% da poluição marinha corresponde a resíduos de plástico e destes 27% são elementos que incluem fragmentos de sacos de plástico descartáveis, que permanecem na natureza e, ao dividirem-se em pequenos fragmentos, são confundidos com alimentos pelos animais que os ingerem.

 

Os ambientalistas da Quercus vão instalar um "estendal" de 466 sacos descartáveis encontrados nas praias nacionais, número que as estimativas apontam para a utilização anual de cada português, enquanto na Europa a média desce para 198. Los Angeles é, desde o início deste ano, a primeira metrópole que baniu sacos de plástico. Na Europa, a Irlanda suspendeu a distribuição gratuita de sacos, a França anunciou que vai seguir o mesmo caminho, a Itália substituiu os descartáveis por biodegradáveis e Espanha deixa ao cliente a opção de escolha do material, em quatro possibilidades.

 

Neste Dia Internacional dos Sacos de Plástico, o “estendal” em frente à Assembleia da República pretende alertar os deputados para o problema ambiental e económico da utilização de sacos de plástico, e visa propor a suspensão gradual da sua oferta nas lojas. Para a Quercus, as lojas devem decidir as medidas para substituir a oferta de sacos, do uso de sacos reutilizáveis ou de papel, à instalação de eco-caixas (que não oferecem sacos) ou a aplicação de uma taxa por cada saco.

 

Hoje, o PS e Os Verdes apresentam propostas para reduzir os sacos de plástico e promover a reutilização, com os socialistas a defender um sistema de desconto mínimo sobre o preço dos produtos vendidos ao consumidor, não inferior a 0,05 euros (cinco cêntimos), por cada cinco euros de compras, quando o cliente prescindir dos sacos de plástico gratuitos. Em meados de Abril, o Parlamento Europeu aprovou medidas no sentido de reduzir, em pelo menos 80%, a utilização de sacos de plástico até 2019.

 

Compostos por resinas tóxicas derivadas do petróleo, os sacos de plástico levam, em média, 500 anos a decompor-se. Embora possam ser separados para reciclagem, apenas uma ínfima parte chega a este fim – estima-se que menos de 2%. Outro problema é a reutilização dos sacos para acondicionar o lixo orgânico. É uma nova função quase inevitável para os sacos que trazemos do supermercado ou até mesmo para os que compramos especificamente com esse fim e, por esse motivo, existem à disposição do consumidor sacos biodegradáveis.

 

Nota: uma das fontes utilizadas no texto foi esta.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:05
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Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2014

CESARIANA QUE TENHO PRESSA

 

 

  

Jan Esmann 

 

Pouco depois dos olhos piscarem decididos a abrirem-se para o dia, depois dos rituais básicos das manhãs, o comum: ligar a rádio e ouvir novidades matutinas raramente quentes e boas como castanhas saídas do assador.

 

Do que ouvi, além da mais sumarenta, quatro notícias merecem destaque :

- morreu Paco de Lucía, o génio musical e mestre da guitarra andaluza;

- pelo segundo ano consecutivo, anulada a Feira do Livro no Porto;

- as declarações do nosso seráfico Presidente em São Francisco perante assembleia de jovens portugueses altamente qualificados. Descreveu Portugal como oásis distante do negrume que a imprensa internacional soe relatar;

- o Parlamento Europeu discute criminalização e multas a que estão sujeitos clientes de prostitutas, agravadas as penas se as «meninas de aluguer» tiverem idade inferior a 21 anos. De imediato, estas e o sindicato a que pertencem rebelaram-se. Presumo que por estarem em jogo os respetivos proventos e o direito a disporem livremente do seu corpo.

A estas e outras lá irei em dias próximos.  

 

O relevo do acontecido em Portugal vai direto para um estudo de duas investigadoras da Universidade de Aveiro. Transcrevo a notícia da Agência Lusa, pela convicção de que se deixar com rédea solta a minha subjetividade desaparece a essência objetiva do assunto. E merece-a.

“Um estudo hoje divulgado conclui que o elevado número de cesarianas efetuado no serviço público de saúde deve-se ao facto de os hospitais não terem profissionais suficientes "para que haja tranquilidade" na hora de decidir.

O estudo sobre a realização de partos, elaborado pelo Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial (DEGEI) da Universidade de Aveiro, conclui que a preferência pela cesariana é tomada muitas vezes num contexto de cansaço por turnos prolongados e partos morosos.

"No setor público, os médicos ganham uma remuneração fixa, independentemente das consultas ou das cirurgias efetuadas. Assim, a preferência pela cesariana em detrimento do parto natural não se deve a questões económicas mas organizacionais. A opção pela cirurgia deve-se ao facto de os hospitais não terem profissionais suficientes para que haja tranquilidade na tomada da decisão mais apropriada", refere o estudo.”

 

Mais refere:

- por cada parto natural, um parto cirúrgico;

- aumento de 70% no número de cesarianas efetuadas no último ano;

- no privado, o número e substância dos exames requeridos durante mais consultas que o habitual no seguimento das grávidas, envolve proventos acrescidos para os médicos e para a instituição;

- ainda no privado, parto cirúrgico requer prolongar o internamento.

 

Repito: desde há alguns anos a esta parte, Portugal mais se afunda no rótulo de sítio mal frequentado.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Nota: porque morreu Paco de Lucía, homenagem merecida.

 

publicado por Maria Brojo às 09:24
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