Domingo, 11 de Setembro de 2011

À VOLTA DO "CALHABÉ"

 

De baixo para cima, pétalas coloram o perto, das humildes e envergonhadas que pela noite se fecham em recato para abrirem com a madrugada, sempre abraçadas aos canaviais que bordejam linha férrea em desuso, às simples, porém envasadas e mimosas, em cantos protegidos de ventos, somente encantam quem as vê com olhar surpreso por novo amanhecer e, ainda de baixo para cima, os cotos sobrepostos da palmeira desembocam em ramalhete fendido, os cachos de glicínias encimam portão que oculta palacete.

 

 

Nas casas senhoriais, memórias garbosas de capelines protegendo alvuras de peles femininas, charretes, mais tarde nos anos, automóveis em entra e sai na hora de ‘receber’, meninas de luxo no luxo de sedas e damascos que pelas janelas meditam no mundo visto por cima dos muros, tão próximo e distante dos sonhos juvenis, idosos acomodados em cadeirões fofos, desinteressados do mundo além do descrito nos livros relidos e dos afectos presentes chegado o tempo de perspectivar final, empregadas com farda e crista afadigadas em acender lareiras, servir os ‘senhores’ e depois rirem na cozinha das manias deles, víveres entregues pela porta da criadagem, namoricos soltos proibidos às donzelas/patroas e também servas dos seus pais/patrões.

 

 

Formosas moradias em banda, se hoje o não são é adivinhado que foram, ladeiam a Avenida do Brasil cruzada por ruas em declive obrigando a arfar quem as sobe, olhar atentamente o empedrado quem as desce, ladeiras, dizem-nas pela inclinação e baptismo, becos sem levarem a lado nenhum salvo aos moradores, toponímias curiosas, balcão de carnes frescas anunciadas como sendo de categoria.  

 

 

 

 

Zona ‘nova’ que o não é porque já o foi apresenta arquitecturas muito más e de excelência com todos os graus intermédios, a Almedina encastoada sob vidros e metais do estádio continua a sugerir entradas e demora para a saída, a esplanada protege leituras de páginas a estrear ou de usadas bem amadas, porque amar livros é tão fácil como amar pessoas e mais fáceis de transportar na caminhada sob colunas que parece taparem o Sol, mas não, foram nuvens as responsáveis pela obscuridade imprópria da hora que o relógio sinaliza e pela descarga provável de chuva desfeiam, entristecem o casario pintando-o de manchas que lá estavam e com o brilho não eram vistas como acontece em sapatos velhos que a graxa faz refulgirem.

 

CAFÉ DA MANHà 

 

publicado por Maria Brojo às 15:21
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Quinta-feira, 29 de Julho de 2010

AS CINCO DE EDISON

Drudwyn, Michel Dooling

 

Dormimos menos que o necessário. Estudos validados comprovam que vamos para a cama tarde demais. Por isso, dormimos acordados. Por isso, andamos rezingões, invejosos, maldizentes e desconfiados. Pela tensão acumulada que o curto sono não compensa, corremos o risco de encimar a lista dos povos mais chatos do planeta ou o mais perigoso na estrada. É sabido dos 83% dos acidentes fatais na estrada serem devidos ao adormecimento do condutor. Os picos da sinistralidade ocorrem na alta madrugada em que ocorre redução espontânea da vigília - o condutor perde capacidades de decisão fundamentais. Erra. E os portugueses morrem, engordam, diminuem a memória, adoecem com hipertensão, diabetes e fragilizam o sistema imunitário – consequências directa das horas de repouso rapinadas.

 

O maior militante anti-sono de todos os tempos foi Thomas Edison. Inventou a lâmpada eléctrica e alterou, definitivamente, o ciclo biológico humano ao criar nova luz da noite. Em 1910, média de nove horas dormidas, hoje, sete horas e picos. Edison dormia no máximo cinco horas, talvez, quem sabe?, razão para criar o dia artificial. A Napoleão bastavam menos de seis para se dar por repousado. Einstein carecia de nove ciclos do ponteiro das horas e sobrava-lhe vigília genial para esticar o tempo, curvá-lo, brincar com ele e a matemática.

 

Faltam-nos sesta e sono nocturno. Não parecendo que a implacável economia venha a prevê-la no ritmo laboral, melhor é deitar cedo e cedo erguer. Para mim tenho que o contencioso português com a produtividade, a matemática e o optimismo aliviava de vez. Em vez de pílulas, sexo, o melhor indutor natural do sono.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:41
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Segunda-feira, 1 de Março de 2010

"GLAMOUR" EMPREENDEDOR

 

St Glamour, 1º Aniversário

 

Quando num dia só três pessoas queridas reúnem tristeza, é hora de questionar. Pelo tempo, pela conjuntura pessoal, pelas desgraças sucessivas que fazem manchetes e cujas imagens mais desengraçam as gentes? Tudo junto. Os nórdicos talvez não saibam porque fazem fila nos consultórios dos «psis». Porque enfiam barbitúricos pelas goelas e se despedem da vida. Especialistas de todo o lado e senso comum em latitudes mais a Sul, têm uma das explicações: falta de sol. Abundando luz natural, brilhando horizontes curtos e literais, experimentar alegria é mais fácil. O optimismo vem atrás.  

 

Ela veio de Londres. Farta de saudades do marido e da filha e do cinzento e da noite chegada cedo demais. Arrecadou, porque excelente profissional em qualquer lugar, muitos dos antigos tostões. À chegada, não se quedou, nem lamuriou, nem pasmou pela casa e nos cafés de bairro; antes, construiu projecto. Realidade, depois. Gerou postos de trabalho. Equipa liderada com sensibilidade, entusiasmo e sorrisos veros. Quem está e arriba é pertença da família que os códigos usuais chamam microempresa. Com sucesso. Glamour – nome e verdade.

 

Se o desemprego acontece, é tempo de utilizar o luto e horas livres. Com disciplina e perseverança, alargar competências. Os Centros de Emprego não podem resumir-se a questionários burocratas. Urge ir além. E vão ou deviam. Querem/devem saber de quem os procura. Perfil. Objectivos. Capacidades. Possibilidades. E, havendo vontade e apoios, criar emprego próprio. Após arranque custoso, gerar empregos que tragam luz a vidas mais.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Não vem a propósito. Reposição, sei. Como lidar com um gosto/fetiche?

 

 

publicado por Maria Brojo às 06:25
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