Terça-feira, 29 de Julho de 2014

PAIXÃO PELO BRANCO ESTICADO

 

Maria Brojo (Detalhe de uma das primeiras telas)

 

Há uma tela por comprar. Sonho-a. Nela fiz esboço imaginário. Olho-a de dentro para dentro. Deteto erros e corrijo-os. É experiência nova. Amadurecida. Segue ordem diferente da habitual: apaixonar-me pelo branco esticado, pela dimensão, no instante, pensar obra, adquirir e, em casa, arrebanhar óleos, pincéis, diluentes e cavalete. Meses voaram desde que na fantasia pairam traços e cores. Alicia o perigo implícito da concretização em muito se distinguir do idealizado – são dialéticos os viveres seguintes que o ser interpelam. Paleta doce ou agreste tem a faculdade de modificar conteúdo e tons que da tela farão o que será. E, pelo “Princípio da Incerteza” da Agustina Bessa-Luís, uma certeza: pintura acordada com o acontecido e o por acontecer.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 00:29
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Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2012

PRINCÍPIO DA INCERTEZA

 

Jan Bollaert

 

Também o que deu nome à trilogia da Agustina Bessa-Luís. Princípio da Incerteza – não é possível prever com rigor o comportamento de uma micropartícula. Lembro as teorias da Relatividade - energia e massa como semelhantes na essência, espaço e tempo interligados. Apelo à Mecânica Quântica – a matéria é em simultâneo onda e partícula. Os eletrões e outras partículas subatómicas dançando em harmonia com os átomos, estes com os ajuntamentos que constroem (as moléculas) e com os planetas que pulsam ao ritmo do sol e, com ele, do cosmos.

 

A biologia prova a coreografia perfeita do universo – o sémen que ascende ao óvulo, a circulação sanguínea, os ciclos menstruais harmonizados entre mulheres que durante algum tempo permanecem juntas, a sincronia do coração e do respirar. Até os relógios de Huygens acabaram por oscilar em simultâneo e ignorarem o descarto inicial. Os saltos precisos do átomo de césio de um nível energético para outro definem, nos relógios atómicos, a unidade de tempo (SI – Sistema Internacional de Unidades). Erro de compasso inferior a um segundo em vinte milhões de anos. A matéria – viva ou não – bailando ao mesmo ritmo. Caos síncrono, irrepetível, organizado por formulação matemática. Determinista. Passado, presente e futuro como resultado da imparável e sussurrada comunicação matemática e física e química entre partículas.

 

Jan Bollaert

 

Einstein e as pontas da teoria unificadora dos campos – zonas do espaço onde forças gravíticas, elétricas ou magnéticas confluem. Visionário, louco, excêntrico segundo contemporâneos. Genial pela intuição lógica e suporte científico. As vidas encaradas como perspetivas individuais duma realidade única. Julgadas distintas pelos humanos não o sendo enquanto são. Espectadores de um palco que pensam cheio e onde impera o vazio.

 

Poema budista completa:

Vazia e calma e livre de si

É a natureza das coisas.

Nenhum ser individual

Na realidade existe.

 

Não há fim nem princípio,

Nem meio.

Tudo é ilusão,

Como numa visão ou num sonho.”

 

Texto publicado aqui.

 

CAFÉ DA MANHÃ


publicado por Maria Brojo às 11:02
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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011

HÁ UMA TELA

Paul Rahilly, Jack Beal

 

Nunca fui de aderir a promessas cuja concretização é dilatada no tempo. Seja da conjuntura ou da experiência que a sucessão dos dias comporta, dou por mim a desenhar sorriso vero ao ouvir nas notícias matutinas que o crescimento económico português será realidade em 2013. A vaga desesperançada deste povo é tamanha que começo a apreciar algumas predições optimistas, conquanto baseadas em números de papel e, por tal, voláteis como brisa. Persisto em renegar mentiras e leviandades politiqueiras que só atam e não desatam o cinto dos mexilhões. Teimo em considerar escândalo o abismo das desigualdades sociais. Porfio no ideal da equidade na justiça, na saúde, nas decisões governantes. Obstino-me no exercício pragmático da análise do visto, deduzido, que o microcosmo dum bairro, duma rua permitem. Mas sonho com advir outro para os concidadãos humilhados há demasiadas eras, com mergulho nos sentimentos e emoções sem temores que me aflijam pelo matutar no como e no porquê; contrariar vida certinha, deserta de utopias, de riscos e risos que envolvem a alma inteira, de quotidianos ronceiros e iguais.

 

Há uma tela por comprar. Sonho-a. Nela fiz esboço imaginário. Olho-a de dentro para dentro. Detecto erros e corrijo-os. É experiência nova. Amadurecida. Segue ordem diferente da habitual: apaixonar-me pelo branco esticado, pela dimensão, no instante, pensar obra, adquirir e, em casa, arrebanhar óleos, pincéis, diluentes e cavalete. Meses voaram desde que na fantasia pairam traços e cores. Alicia o perigo implícito da concretização em muito se distinguir do idealizado – são dialécticos viveres seguintes que o ser interpelam. Outono doce ou agreste pode modificar conteúdo e tons que da tela farão o que será. E pelo Princípio da Incerteza, uma certeza: pintura acordada com o acontecido e o por acontecer.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:31
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