Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2014

NA PRESSA URBANA

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Alberto Vargas

 

Eram cinco. Rostos erguidos, nariz praticamente na vertical. A isso os obrigava a pouca altura. Na curva do passeio, entre dois acessos a vias rápidas, destacavam-se. E olhavam. Miravam e comentavam. Remiravam, depois. Das alturas não arredavam os olhares. Parada no semáforo atrás deles, pertencia-lhes a minha atenção. O conjunto contemplativo interrompia a pressa urbana. Na tarde dormente, a implacável hora de ponta cadastrava quem não lhe cumpria o ritmo. Como eles. Como eu.

 

 

Cinco miúdos adolescentes: doze, treze anos, não mais. Gangas descaídas, polares com capuz, mochilas em corcunda incómoda. Entremeavam silêncio e fala. Embasbacados, comentavam o conteúdo do outdoor publicitário. Por isso esticavam a coluna e inclinavam para trás a cabeça. Lá em cima, como divina aparição, uma mulher reclinada com langor e sumária lingerie. Encarnado –- cor voluptuosa sugerindo interditos, em hipótese última, Natal. O branco na grinalda enfeitava comprido e loiro cabelo, pompons nos chinelos provocadores. E os projetos de homens, cá em baixo, apreendiam a lascívia que da mulher emanava e fazia caldo ebuliente com as hormonas juvenis.

 

 

Inesperada imagem interrompendo a, dos outros, corrida tardia. Um outdoor revelando publicamente o fascínio de uma mulher. Sugerindo ideal adulto, desejo de aprender e crescer e ser homem que a tivesse nos braços, com ela aprendendo na quentura da carne a concretização do desejo sexual. Nos veículos parados, poucos se detinham na figura elevada -– aos mitos urbanos estavam habituados e sabiam quanto deles a vida os afastava. Os miúdos não. Ali, num empedrado da cidade, possuíam a mulher, a tarde, o futuro.

 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 09:37
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Sábado, 16 de Março de 2013

META ESOTÉRICA

Norman Rockwel, Yong Chen

 

Não acredito em reencarnações e vidas futuras post mortem. Creio na conservação da massa de Lavoisier, confio nos acrescentos introduzidos à Mecânica Newtoniana pela Relatividade Restrita - a massa de um corpo em movimento não se mantém constante em qualquer condição, ficando na dependência do valor da distância percorrida por unidade de tempo. Não resisto a encadeado lógico: se maior velocidade acresce massa a um corpo, quem se deslocar a 180 km/h, numa viagem acresce em miligramas de miligramas o efeito de dietas e suores do ginásio. Sendo muita a ignorância dos portugueses no que à ciência concerne, fosse isto divulgado, cairiam para metade excessos e acidentes nas estradas. Configuremos: _ Rosarinho, vá mais devagar. A menina não vê que assim engordamos? À chegada, não enfiamos os vestidos/pele.

Esta (des)conversa para meta esotérica: em futura encarnação quero ser personagem de anúncio publicitário. As razões fazem lençol. Para começo: são todos lindos, eles, elas, os rebentos, pais, sogros, amigos e empregadas. Elegantíssimos, peles imaculadas, sempre encantadores, mesmo quando fritam batatas ou aspiram a casa. Eles são gentis, ronronam, oferecem flores, tratam dos filhos e cozinham como rematados «fados-do-lar». As casas nunca cheiram a peixe frito - cheiram a Seychelles ou a floresta tropical. A lida da casa é feita numa dança inebriada como a da Julie Andrews no inefável Música no Coração. Pais, sogros e amigos são sorridentes, isentos de maus fígados, neuras monumentais, rabujices várias ou bicos-de-papagaio. As crianças portam-se divinamente e brincam sorridentes. Os bebés não têm viroses, nem gritam a plenos pulmões ou cospem a sopa - dormem como anjos e são gordinhos. Eles e elas acordam penteados, os pijamas assentam bem e seda para elas é mato. Sedutores, num virar de olhos ou trejeito de lábios, deixam no ar da manhã inventada sugestão de lascívia.

Nós, os mortais que nada publicitamos salvo a vida real, comparados com eles nem pingo de idílicos temos. Que maçada!

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:40
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Domingo, 15 de Abril de 2012

MARIA EDUARDA COLARES NO 318 DA RUA DE S. BENTO

 

No restaurante “Tertúlia de S. Bento”, 318, orientado entre outros pelos queridos amigos Maria Ana e Pedro Pimentel com a excelência do Chefe Nuno Alvarenga e a colaboração de ótimos profissionais, decorreu a 1ª Tertúlia Temática. Convidada de honra: Maria Eduarda Colares. Carreira de excelência a nível particular e profissional.

 

Casa cheia de rostos amigos da convidada. Esteve presente a sabedoria desta Mulher em vastas áreas para a qual contribuiu a ascendência familiar e o seu intelecto de eleição. Foi tratada a escrita, a publicidade de ontem, de hoje, mais os segredos para o êxito duma campanha que a associe para sempre a um determinado produto e não outro.

 

“Tenha bom dia com Mokambo”, “Tão suave como a sua sede” e tantos slogans outros ainda permanecem na memória televisiva e coletiva. Mais é a Mulher de seu Nome Maria Eduarda Colares. Quem a ouviu reconhece do que falo.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 14:07
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