Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011

_ COMO? ‘PIMBA’?

Jean Gabriel Domergue

 

Segundo os padrões familiares, nova demais para assistir ao Teatro de Revista quando o esplendor lhe pertencia, vi a primeira ‘revista’ pouco antes do 25 de Abril de 74. Recordo-me da sensação de forma de teatro menor, conquanto divertido, cenicamente encantador. Falas brejeiras, muitas; as de censura à censura vigente e à sociedade portuguesa mais aos governantes, por tanto curarem da discrição, somente entendimentos treinados as assimilavam. Na altura, jovem espigadota, enformada pela doutrina vigente, não fora a liberalidade da JEC, restaria surda e cega ao sistema ditatorial.

 

Com o espírito de então, ao Teatro de Revista chamaria 'pimba' fazendo uso da atávica arrogância juvenil a pender para o ‘intelectualóide’. Nem perceberia que 'pimba' era eu devido às palas que me restringiam horizontes e das quais foi difícil abdicar. Mas lembro, sim, os corpos perfeitos das coristas, os strass e cetins, a ousadia da rede nas meias, o ar canaille que pairava. E quando levantavam em simultâneo as longas pernas, os seios pulando dos espartilhos ousados? Os homens, habituados à modéstia dos sutiãs e cintas caseiras, às camisas de grosseira flanela das senhoras donas esposas no deitar, iam ao rubro e babavam na cadeira. Deles, os mais libert(in)os, enviavam flores aos camarins das artistas, coristas incluídas, pois então!, e esperavam, findo o espectáculo, acesso a momentos de luxúria inauditos. Da vontade da mulher, da conta bancária ou do arrojo e figura marialva dependia o sim e o não.

 

Vem ao caso o tratado pela audição desde há três dias da “Rádio Sim”. Casa esvaziada de fios ligados a satélites, o trazido deu «nega», os antigos, rijos como peros do Vale D. Pedro, funcionam. Sintonia única a emitir: “Rádio Sim”. Inenarrável a programação para quem é ouvinte da TSF - noticiários emprestados pela Rádio Renascença, música portuguesa de tempos que há muito foram outros. Tem ‘discos pedidos’, adivinhas, conversas madrugada dentro com gentes acordadas pelo ofício ou cujas insónias entretêm; idosos na maioria. Antes de ter «crescido», classificá-la-ia de ‘pimba’. Já não. Traz alegria, gargalhadas vigorosas, ânimo aos molhos a quem a procura e com ela suaviza solidões e achaques.

 

‘Pimba’ esta rádio? ‘Pimba’ quem a ouve? ‘Pimba’ o Quim Barreiros? _ Não! ‘Pimbas’ são os falsos profetas, os arrogantes de tigela meada, os ricos que maltratam ou exploram funcionários e passam aos alheios o estatuto de mecenas, escritores pretensiosos, artistas curvados ao que no pretenso elitismo “está a dar”.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:13
link | Veneno ou Açúcar? | ver comentários (5) | favorito

últ. comentários

Olá Tudo bem?Faço votos JS
Vim aqui só pra comentar que o cara da imagem pare...
Olá Teresa: Fico contente com a tua correção "frei...
jotaeme desculpa a correcção, mas o rei freirático...
Lembrai os filhos do FUHRER, QUE NASCIAM NOS COLEG...
Esta narrativa, de contornos reais ou ficionais, t...
Olá!Como vai?Já passaram uns meses... sem saber de...
continuo a espera de voltar a ler-te
decidi ontem voltar a ser blogger, decidi voltar a...
Autor que não foi possível identificar: Andrew Atr...

Julho 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

pesquisa

links

arquivos

tags

todas as tags

subscrever feeds