Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2013

DEFINIÇÃO DE SAUDADE

 

Jorgensen

 

O hábito de madrugar tem, além das vantagens conhecidas, o benefício de ouvir na estação de rádio preferida, TSF no caso, algumas notícias não repetidas depois. Como se ouvintes matutinos merecessem brinde. Como se quem acede à sintonia mais tarde fosse vítima predileta de lembretes sobre a ruína da nação. Ora, porque tamanhas desgraças são quotidianos duros de roer, já bondam repetições de meia em meia hora. É de entender a opção predominante nos taxistas pela Rádio Amália – tristes sinas em modo fadista são mais fáceis de digerir, aliviam o «anda, não anda» e a escassez de clientes. Sempre lembram dias mais animados pela inconsciência da dimensão da rataria que havia de conduzir à ratoeira atual que trilha cidadãos sem queijo à vista.

 

Do ouvido no amanhecer dos nacionais, destaque para história breve. Reza assim: jovem médico em estágio de oncologia peregrinava pelas enfermarias. Vê menina só. Mudando a hora da visita, o mesmo. Intrigado, entabula diálogo com a criança.

_ Porque estás sempre sozinha? Não tens visitas.

_ Tenho, pois. Todo os dias a minha mãe está aqui.

_ Então porque nunca calhou vê-la?

_ É que quando está muito triste vai para o corredor chorar. Não me diz, mas eu sei.

_ Porque chora tanto?

_ Pela minha morte, pela saudade que vai ter.

_ Receias a morte?

_ Não. Quando morrer, sei que a minha mãe gostou muito de mim. Vamos ter saudades as duas. Como nos amamos tanto, a saudade é maior. Saudade é a tristeza por já não termos aquilo de que gostámos.

 

Nota 1: texto publicado agorinha nesta «chaminé».

Nota 2: hoje, destaco no “Escrever é Triste” este texto do Manuel S. Fonseca.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:33
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