Sábado, 22 de Novembro de 2014

A BROA DOS VELHOS

Rembrandt 1606  - 1669The Blinding of Samson, 1636

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Rembrandt (1606 -1669) – “The Blinding of Samson”, 1636                                                   “Mona Lisa and Her Husband Rembrandt”

 

“A República vive da mendicidade. É crónico. Alexandre de Gusmão, filósofo, diplomata e conselheiro de D. João V, acentuava que, depois de D. Manuel, o país era sustentado por estrangeiros.

Era o Séc. XVIII. A monarquia reinava com sumptuosidades, luxos e luxúrias.

 

A rondar o Séc. XX, Antero de Quental, poeta e filósofo, acordava em que Portugal se desmoronava desde o Séc. XVII. Era pedinte do exterior.

 

A Corte, sempre a sacar os cofres públicos, ia metendo vales para nutrir nobrezas, caçadas, festanças e por aí fora…

 

Uma vez mais, entrou em bancarrota. Declarou falência em 1892. A I República herdou uma terra falida. Incumbiu-se de se autodestruir. Com lutas fratricidas e partidárias. Em muito poucos anos, desbaratou os grandes princípios democráticos e republicanos que a inspiraram.

 

O período posterior, de autoritarismo, traduziu uma razia deletéria sobre a Nação. Geriu a coisa pública por e a favor de elites com um só pensamento: o Estado sou eu. Retrocedia-se ao poder absoluto. A pobreza e miséria dissimulavam-se no Fado, Futebol e Fátima.

 

As liberdades públicas foram extintas. O Pensamento foi abolido. Triturado.

 

O Povo sofria a repressão e a guerra. O governo durou 40 anos! Com votos de vivos e de mortos.

 

A II República recuperou os princípios fundamentais de 1910, massacrados em 1928.

 

Superou muitos percalços, abusos e algumas atrocidades.

 

Acreditou-se em 1974, com o reforço constitucional de 1976, que se faria Justiça ao Povo.

 

Ingenuidade, logro e engano. Os partidos políticos logo capturaram o Estado, as autarquias, as empresas públicas.

 

Nada aprenderam com a História. Ignoram-na. Desprezam-na.

 

Penhoraram a Nação. Com desvarios e desmandos. Obras faraónicas, estádios de futebol, autoestradas pleonásticas, institutos públicos sobrepostos e inúteis, fundações público-privadas para gáudio de senadores, cartões de crédito de plafond ilimitado, etc. Delírio, esquizofrenia esbanjadora.

 

O país faliu de novo em 1983. Reincidiu em 2011.

 

O governo arrasa tudo. Governa para a troika e obscuros mercados. Sustenta bancos. Outros negócios escuros. São o seu catecismo ideológico e político.

 

Ao seu Povo reservou a austeridade. Só impostos e rombos nas reformas.

 

As palavras "Povo” e “Cidadão” foram exterminadas do seu léxico.

 

Há direitos e contratos com bancos, swaps, parcerias. Sacrossantos.

 

Outros, (com trabalhadores e velhos) mais que estabelecidos há dezenas de anos, cobertos pela Constituição e pela lei, se lhe não servem propósitos, o governo inconstitucionaliza aquela e ilegaliza esta. Leis vigentes são as que, a cada momento, acaricia. Hoje umas, amanhã outras sobre a mesma matéria. Revoga as primeiras, cozinha as segundas a seu agrado e bel-prazer.

 

É um fora de lei.

 

Renegava a Constituição da República que jurou cumprir. Em 2011, encomendou a um ex-banqueiro a sua revisão. Hoje, absolve-a mas condena os juízes que, sem senso, a não interpretam a seu jeito!

 

Os empregados da troika mandam serrar as reformas e pensões. O servo cumpre.

 

Mete a faca na broa dos velhos.

 

Hoje 10, amanhã 15, depois 20%.

 

Até à côdea. Velhos são velhos. Desossem-se. Já estão descarnados. Em 2014, de corte em corte (ou de facada em facada?), organizará e subsidiará, com o Orçamento do Estado, o seu funeral coletivo.

 

De que serviu aos velhos o governo? E o memorando?”

 

 Alberto Pinto Nogueira

 

(Procurador-geral da república no Tribunal da Relação do Porto, nasceu em 26/04/47 e é natural de Vila Nova de Gaia.)

 

CAFÉ DA MANHà

 

 

publicado por Maria Brojo às 08:43
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Quinta-feira, 10 de Julho de 2014

A «MINHA» ARGENTINA DEIXOU Van-Gogh ASSIM

   

A Clockwork Orange                                      Self Portrait of the Artist, 1889, Orsay                     Like the Simpsons

 

Desde o início do Mundial de Futebol 2014 que desejava final entre um país da América Latina e um Europeu. Antes do Argentina/Holanda, a minha simpatia ia direta para a “Seleção das Pampas”. Não tinha reserva alguma, salvo a atrás referida, contra os da “Laranja Mecânica” nem contra o fabuloso filme de Kubrick estreado em 1971 nem contra os conterrâneos de Van-Gogh nem contra a pintura flamenga nem contra os grandes homens que deixaram impressivo legado ao mundo nem contra o povo dum país que amo e me fascinou. Bem pelo contrário, a Holanda encantou-me enquanto país de postal ilustrado que é semelhante a dizer pelos belos clichés que a publicitam: canais, moinhos de vento, campos e o mercado das flores em Amsterdão, os tamancos de madeira e a cerâmica de Delft a que não resisti, as vestimentas tradicionais, o queijo Edam. Mas houve mais. Senti-me próxima de Rembrandt, de Johanes Vermeer, de Piet Mondriam , de Vincent Van-Gogh no que à pintura concerne. No pensar o tempo, colei-me a Erasmo de Roterdão, Espinoza, René Descartes, aos escritores Harry Mulisch, Cees Nooteboom (“Os Distúrbios de Paris” e “Nas Montanhas dos Países Baixos”). Lembrei as vítimas da Segunda Guerra Mundial documentada por Anne Frank no seu diário e na casa onde se abrigou dos invasores alemães.

 

De regresso ao «mundo da bola» que, por ora, canibaliza notícias de importância maior, aguardo (in)tranquila a final domingueira.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Argentina                                                                                                                     Holanda

publicado por Maria Brojo às 09:40
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Segunda-feira, 26 de Março de 2012

‘FAZ-DE-CONTA’

Geoorge Owen

 

      Esquecido o telemóvel na mala de faz-de-conta, própria dos arranjos excecionais, tocou. Para lá de sensata, a hora. Esquecidos sessenta minutos de diferença entre o relógio dela e o dele. 

_ Estás bem?

_ Nem bem, nem mal. «Meia-foda». Já saiu.

 

       Por não ser mulher de ficar sem entender, quis saber o que era coisa aquela.
_ Nem é, nem deixa de ser.

_ Como assim? Ou é, ou pela metade é à mesma. Menor, talvez.

_ Palpar e esfrega. Ela não quis mais.

 

       Remoeu o porquê. Deles e delas, ouvia semelhante. Diferente o durante e o balanço. Elas não fornicaram, eles tiveram o assim-assim. Para a mulher, copular é penetração. Para o homem derrame fluido, haja ou não entrar e sair, vaivém que no mesmo culmine.

 

        Em que ponto da espiral genética, ou em que meandro cerebral se alojará a diferente leitura que do mesmo faz um homem e uma mulher? Construções da civilização? Registos biológicos distintos no feminino e masculino? Para o homem basta o despejo que mulher receba no rosto ou na pele? Não. Se lhe ligara àquela hora, fora poucochinho o momento.

 

        Por serem múltiplas as vidas, o (des)entendimento no discurso entre os géneros não se restringem ao sexual. Interpelavam-na códigos inúteis. Sabia que ele dizia as mulheres prolixas. Porque românticas, julgava-as frágeis aos violinos quando o fito masculino era estritamente cartesiano – vazar órgão. Que constatava, desiludido, as inúmeras fêmeas que, naquele particular, ombreavam com ele. Porquê? Por não abdicarem da lança que, desde sempre, fez dos homens caçadores? E se a mulher usar arma semelhante na busca de sustento interior? Galdéria ou frívola? Nem um pouco! Reforço da estima que a si dedica e nem sempre atinge o satisfaz. Antes pessoa que lê e se adapta aos sinais enviados pelos tempos. Que cresce. Distingue desejo e amor. Como os homens. Como deve ser. Adestrados uns e outros para a contemporaneidade. No melhor e no pior.

 

        Ao desligarem, retomou o pré-sono. O José de Lima fora encantador. Como o jantar no Blakes. Explicara a escolha da Oude Kerk para a exposição – Saskia, a primeira mulher de Rembrandt, ali sepultada. O românico iria bem com as formas e veladuras que distinguiam a pintura da Olga. Idos da pintura italiana e do Vélazquez recriados. O Garcia Lorca presente nas palavras a óleo. 

_ Uma sorte estar disponível para a data que ajustei. Amanhã levo-a para sentir o espaço.

_ Quero! A que hora me vai buscar? 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 12:18
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Terça-feira, 15 de Junho de 2010

UMA HORA POR DIA, FRENTE VOLVER

Rembrandt

 

Alfa Lisboa-Porto. Bigode. Vez primeira do conhecimento que não passou da cortesia ‘tira e põe mala no cais’. Década após, outro percurso cruzado tão vago como aquele. Carrefour acidental.

 

Este é o primeiro dia dos cinco anos seguintes do novo mandato de Guterres à frente do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR, duplo prémio Nobel da Paz). Ban Ki-moon aprovou. Fez bem. António Guterres, inábil político enquanto made & prime minister in Portugal, estava rouco aos microfones da TSF. Emoção ou constipação? Desajuste ou frente volver?

 

Não tem saudades da política nacional, disse. Vencedor em habilidosas negociações que conduzem a bom porto de abrigo os mais vulneráveis do mundo. De 2005 para cá, amontoou sucessos humanitários. Longo foi o percurso do juvenil solidário nos ditos ‘extintos bairros da lata’ até hoje. Regressaria ao voluntariado quando encaixotou os papéis e saiu do palacete, outrora mosteiro, nas traseiras do Palácio de São Bento.  

 

Thomas More forjou uma ilha de fantasia que carecia de palavra/nome por haver. Chamou-lhe Utopia. Guterres recria-a. Nele fascina o pendor pelas utopias que procura desmentir ao tentá-las reais. Assim o li, assim o leio, assim o entendo na voz, por agora, roufenha. Aplaudo quem sente e dá alegria e elabora paixão no trabalho dádiva ao serviço dos malquistos pela fortuna.

 

Num país onde é curta a tradição do voluntariado e poucos alojam valores solidários efectivos que vão além do vizinho do lado, resiste a esperança – mais e mais jovens, adultos também, experimentam o prazer de servir quem muito necessita. Uma hora por dia e não sabe o bem que lhe fazia!

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

Yo adivino el parpadeo
De las luces que a lo lejos
Van marcando mi retorno.
Son las mismas que alumbraron
Con sus plidos reflejos
Hondas horas de dolor.
Y aunque no quise el regreso
Siempre se vuelve
Al primer amor.
La vieja calle
Donde me cobijo
Tuya es su vida
Tuyo es su querer.
Bajo el burln
Mirar de las estrellas
Que con indiferencia
Hoy me ven volver.
Volver
Con la frente marchita
Las nieves del tiempo
Platearon mi sien.
Sentir
Que es un soplo la vida
Que veinte aos no es nada
Que febril la mirada
Errante en las sombras
Te busca y te nombra.
Vivir
Con el alma aferrada
A un dulce recuerdo
Que lloro otra vez.
Tengo miedo del encuentro
Con el pasado que vuelve
A enfrentarse con mi vida.
Tengo miedo de las noches
Que pobladas de recuerdos
Encadenen mi soar.
Pero el viajero que huye
Tarde o temprano
Detiene su andar.
Y aunque el olvido
Que todo destruye
Haya matado mi vieja ilusin,
Guardo escondida
Una esperanza humilde
Que es toda la fortuna
De mi corazn.

Carlos Gardel, Volver

publicado por Maria Brojo às 10:41
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