Sexta-feira, 5 de Junho de 2015

O ‘MEU HOMEM'

Rob Hefferan

 

Deles, dizem algumas elas:

_ Não pode ser mais um. Não pode suplicar. Não pode exigir além do indizível contrato. Não pode transmitir culpas e solidões como aumento no carrego de pedras às costas da mulher que as rejeita. Não pode invocar sistematicamente o ‘decide tu’. Não pode assenhorear-se do espaço alheio. Não pode ser um «pipi com meias altas» (figurinha cinzenta copiada do «está-a-dar»). Não pode ter GPS instalado no cérebro que mapeie a mulher. Não pode ser repetitivo nas «estórias». Não pode recontar como vício seduções antigas. Não pode rejeitar nomes e verdades dele e dela. Não pode exercer a dúvida sobre o dito com o coração. Não pode ignorar matizes da voz feminina nem erguer fantasmas roídos.

 

_ Deve ser uma praia de seixos rolados brilhantes pela maré. Confiar no que oferece e deseja. Deve aceitar a mulher e ser aceite tal qual é. Deve esconder recônditos que somente lhe pertencem. Deve respeitar o mesmo na parceira. Deve rir e chorar. Deve ser inteligente, perspicaz, ter humor. Olhar, a direito, nos olhos. Ser louco se apetecer. Transgressor. Leal antes, durante e depois com a certeza de ser entendido pela mulher. Deve ser autónomo em casa – precisar dela por saber das capacidades bastantes que possui para lidar com as miudezas do dia-a-dia. Deve ser Holmes pelo múltiplo saber e não pela arrogância. Dr. Watson porque sentimental e romântico. Lamechas se quiser.

 

Não satisfazendo o deve e por dever que ame e seja amado sem contabilidade miúda. Homem dela e dele a mulher. Porque sim. A melhor das razões.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:30
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Quarta-feira, 28 de Julho de 2010

CAÇA NINFAS

Rob Hefferan

 

Porque restam caçadores peritos no uso de balas dum-dum em humanos quando deviam destiná-las a bichos/perigo de grande porte ou de casca dura, porque estilhaçam corpo dentro do alvo, é retomada, pelas teclas do António, a denúncia no texto “À Espera de Perseu”.

 

“um mundo de equívocos, é este em que vivemos...

 

amiúde, equívocos entendíveis (sff, não confundir com atendíveis) pela ambiguidade das circunstâncias, pela multiplicidade de hipóteses interpretativas, pelo falível dos humanos, pela fragilidade dos momentos, por tanta coisa e por nada

 

às vezes nem é bem o que parece ou não é tanto assim

 

o episódio da pousada faz lembrar "A arma dos juízes", da Clarinha, que já veio a este "Sem Inveja" provavelmente alertada pelo gg por via de um desacerto de Y e X que inviabilizava uma ciência inteira ou mesmo mais, a vida toda, se bem que a vida toda, tal como a conhecemos, se deve em grande parte a uns quantos desacertos, incluído aquele Y coitadinho que, muitos milénios depois, vem a gerar casos de pousadas e outros que tais

 

agora fazendo fé no cafilento mal empregador caça ninfas: os abusos são de sempre mas a hora também é de se pedir referências dos patrões e não apenas dar referências de empregados; porque se há um crescente fulgor da responsabilidade social das organizações, com preocupações de exigência ética, também subsiste muito empresariado portuga mal formado e mal afamado que importa estudar, identificar e denunciar, nominalmente, para que as coisas efectivamente mudem

 

essa dosezinha de coragem pode ajudar ninfas vindouras mas sobretudo tornar o empreendedorismo português mais educado e mais responsável, senão mesmo mais responsabilizado

 

allez!”

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 06:20
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Quarta-feira, 28 de Abril de 2010

DO CABOTINO QUE NÃO ERA, A GREVE NOBRE

Rob Hefferan

 

Pensou. Voltou atrás na fila  dos itens lógicos . Avançou para recuar. Progrediu. Havia reflectido sobre greves subservientes de interesses que não exclusivamente laborais. Porque detesta «arregimentações» _ OK, no Facebook alinha em doudarias por gostar de brincadeiras _ sempre negou vínculo aos sindicatos que a prometiam defender dos ‘malvados’ patrões. Destes, conheceu dois. Um que tinha por cabotino e de quem odiava tiradas que dizia escatológicas; hoje, considera o melhor que lhe pagou. A segunda era, efectivamente, cretina. Com vista mais curta que a da miopia corrigida. Licenciatura e curriculum fabricados. Pobres e curtos. Uma triste como tristes foram quem lhes suportou borrascas e disparates e perversidades. Eu, entre eles. No início do desempenho, correspondeu a desejos que a profissional havia adiado. Com o rolo dos dias desembrulhado, percebeu a burrice que alojara. Para si concluiu não ser pessoa fiável que lê sinais. Aprendeu.

 

Se há greve que apoiaria com faixas e marcha conjunta na rua, seria a das mulheres com parceiros que confundem violação com sexo. Sofresse monstruosidade tamanha e sabe o que faria: malas à porta, dele ou dela. Mas ouve-as falar. Fora do escuro da alcova, descrevem mãos que amarfanham almofada, cedências temerosas das reacções despóticas enquanto galho espinhoso as penetra. Das acusações, depois:

_ És frígida! Não prestas em nada. Na cama, és gelo que não apetece a ninguém. Trata-te. Muda. Nem feijoada como a da minha mãe sabes fazer.

 

As mais débeis soluçam. As lutadoras não cedem pitada da auto-estima. Algumas encontram amante que _ conversa gasta! _ aporta ilusão de apreço e a possibilidade dum amor. Rodados vezes muitas os ponteiros do relógio no continuado mau, exigem distância e preservam, de si, o melhor.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 06:39
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Domingo, 11 de Abril de 2010

DEDILHARES LEVIANOS

Rob Hefferan

 

Conceito apologético: "a reencarnação e a imortalidade são dois conceitos que significam o mesmo. Devemos sempre interferir no que podemos e abandonar aquilo que não nos deixa interferir. Seguimos assim o nosso destino e caminhamos para um conhecimento total do que somos e para o que somos, porque vivemos para o infinito e não para o momento."

 

Facto: num entretém, premi tecla leviana.

 

Obtive:

- em vida passada, nasceu entre 1550 e 1600. Naquela época impunham-se novos ideais artísticos e é iniciada mudança intelectual e política na sociedade (qualquer compêndio de História diz o mesmo);

- possui em alto grau a arte de estabelecer relações entre conceitos (aposto que diz o mesmo a todos!). Dessa aptidão para compreender, para "ligar" as ideias entre si decorre a importância da comunicação com os outros e da relação afectiva (óbvio!);

- na vida anterior foi uma nobre francesa (moi?) que, embora tivesse um irmão e duas irmãs, conquistou o coração do pai;

 

- a sua mãe morreu jovem, deixando-a órfã (olha do que me safei nesta, houve outra?, vida!). Teve educação cuidadosa, orientada pela família do seu pai que a enviou para a casa de uma princesa em França (costume francês para as meninas da alta linhagem - que bem!). Casou com um homem muito mais velho por imposição familiar e tornou-se amante de um homem mais novo (OK, morno). Morreu muito velha de causas naturais (a idade avançada costuma ter esta consequência).

 

Conclusão: não sendo propósito chorrilho de disparates, mais proveitosos outros dedilhares.

 

Nota: as palavras de hoje explicam as de ontem.


CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 12:35
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Quarta-feira, 7 de Abril de 2010

"ATÉ DESPOIS" PODIA SERVIR

Rob Hefferan

 

“Acordada? Bjs”. Não leu em tempo útil. O sono arribara cedo na noite começada sem nela encontrar resistência. Já a manhã ia no fim quando ligou os telefones. Palavras chegadas com o vagido programado e habitual. Pergunta em diferido. Resposta:

_ “Agora estou, ontem não! Beijos.”

 

«Bjs» como forma convencionada e menor de palavra que carece das letras todas. Forma menor de ciao, o «xau». «Até despois» podia servir. Dava no mesmo fosse outro o mandador. Não ele – nas formas comuns encontrava agilidade e economia de tempo. Dizia. Mas era ou vício, ou poupança (des)propositada. Ao invés da riqueza de alma e da generosidade interior.

 

Repensou «ois» lidos e idos. Odiados. Não fora laço amigável com o remetente, ficaria sem resposta. Modos sovinas e metralhados pelos usos em voga são frialdade que dispensa. Quem enviava era mais. Mais caloroso, mais profundo no pensar, mais-valia nas partilhas. Refugiado em códigos menores, tão pobrezinho... Fórmulas somente na Ciência Química _ a do sulfato de hidrogénio, impropriamente designado como ácido sulfúrico faltando o «aq», e a da água são o par de ‘recuerdos’ comuns naqueles que dela se despediram após a escolaridade básica.

 

Desagradam-lhe «bjs» como a perplexidade que merece ao saberem-na residente/apaixonada numa ciência experimental. Pela imagem, afirmam-na centrada em línguas germânicas ou portuguesa. Ou em Filosofia. Olhares redondos de espanto quando desmente _  engole o desagrado pelo rótulo preconceituoso devido à inutilidade da argumentação repetida.

 

Malvadas hordas de símbolos da pressa social e do 'despacha-afabilidades'. Com duas ou três letras é mastigada a ráfia calorosa duma comunicação.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 09:15
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