Quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

ATÉ SEMPRE, ROBIN WILLIAMS!

 

 

                     

 

                         

 

Devido ao interregno de publicações nas duas semanas e meia de férias do SPNI, longa série de acontecimentos não foram aqui sublinhadas. Uma delas, respeita ao falecimento aos 63 anos de Robin Williams, um dos meus comediantes preferidos, no passado dia 11 deste mês.

 

A carreira de Robin Williams está recheada de momentos marcantes. Ator e comediante, começou a ter visibilidade nos anos 70 através da participação na sitcom "Mork and Mindy”. No entanto, seria o desempenho em "Good Morning Vietnam" a trazer-lhe aclamação da crítica e merecer nomeação, em 1988, para os Óscares. Foi o início de uma década, onde o ator experimentou sucesso atrás de sucesso. A segunda nomeação chegaria com "O Clube dos Poetas Mortos", filme de culto para muitos e que o colocou definitivamente na corrida para a estatueta dourada. Foi rei na stand-up comedy.

 

A 66ª edição do Emmy Awards que anteontem teve lugar em Los Angeles, homenageou Robin Williams. O comediante Billy Crystal, grande amigo de Robin, teve a cargo o segmento "In Memoriam". Ao longo da sua carreira, Williams foi galardoado em duas das nove vezes em que esteve nomeado para os Emmy.

 

“Good Morning, Vietnam” de 1987 e dirigido por Barry Levinson é uma comédia dramática de guerra que julgo poucos terem esquecido. O grito matinal de Adrian Cronauer (Robin Williams) aos microfones do posto de rádio no campo militar ficou para a história do cinema e continua a ser proferida com o mesmo significado de alegria e entusiasmo pelo começo de um novo dia.

 

“Dead Poets Society" foi dirigido por Peter Weir, um dos meus realizadores preferidos a par de Barry Levinson e alguns outros. As inovações pedagógicas e subversivas do professor de inglês Jonh Keating numa prestigiada instituição de ensino masculina, rígida e pejada de normas desadequadas aos jovens estudantes, culminam em momentos dramáticos e no apoio incondicional dos alunos. A frase latina ‘Carpe Diem’, divulgada pelo filme, continua atual e repetida inúmeras vezes.  

 

“Mrs. Doubtfire”, realizado por Chris Columbus em 1993, é outra película estrelada por Robin Williams que vejo e revejo sempre com infinito prazer. Nela, desempenha o papel de um pai (Daniel Hillard) mal sucedido na vida pessoal e profissional. Pelas restrições impostas após o divórcio, raramente consegue ver os filhos ou recebê-los adequadamente. Disfarçado de senhora Euphegenia Doubtfire candidata-se ao lugar de empregada doméstica que a ocupada ex-mulher (Sally Field) anuncia. É aceite, está com os filhos e mais não digo das hilariantes e/ou comoventes situações em a família é envolvida.

 

CAFÉ DA MANHà

 

publicado por Maria Brojo às 08:36
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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2013

PANTALHA AO SERÃO

 

Vic­tor Brau­ner, Adão e Eva, 1923, 70 x 100 cm, ICEM, Tulcea

 

Fora, noite invernosa. Dentro, calor, luzes indiretas, coadas umas pelos abat-jour, outras por camuflagem de vidro discreta. Exotismos envasados. Banqueta pequena no ângulo reto do sofá. Vestimenta: pijama e meias de lã. Na hora de dormir, é o nada que garante, inteiro, o tato com a macieza dos lençóis. Antes, o serão. Sendo a mulher «papa-filmes», acomoda-se na banqueta rente ao ‘afegão’ sem que descure o amparo das costas pelo sofá. Mania de desprezar almofado e afofado em troca de couro gasto e ladeiro jamais alguém entendeu.

 

Ele imerso em trabalho de casa que a empresa não obriga, obrigando. Após o duche à chegada, protege-o roupão felpudo. Pés em chinelos turcos cor-de-ameixa. A darem com os lençóis e a capa do edredão. Minúcias que aprecia. Que ajudam e conjugam partilhar. Que também alegram o final do dia.

 

Ela, pantalha ligada, digere trindade de filmes no tempo costumado. O justo para a demora na coincidência de laço dos corpos e quenturas e gemidos trocados na rodilha das parcas horas até o despertador soar. Porque esganiçado, clarim de «alevanta magalas».

 

Mas ela via filmes. Por ser Inverno, não contemplando a ambiência neve, voltava o disco ao polímero antes de mostrar valia. Naquela noite precisa, deslizaram no ecrã uma Moore com moderado desfoque de botox mais o Nicolas Cage dirigidos pelo Norman Jewison no Moonstruck. Ela, desvanecida com o romance, com o branco do Little Italy nova-iorquino tresandando a famelgas mafiosas. Funcionários divinos seduzem clientes para restaurantes de charme tanto quanto o deles, lembrava. Não respondeu a pergunta enciumada feita pelo ele ao lado. A partir daí, a intervalos, erguia o olhar do monitor e assestava-o nela.

 

Neve segunda encontrou-a no The Big White estrelado por Robin Williams e Holly Hunter num Canadá que de tão branco só visto. Quando o rol técnico fluía, ele ainda não completara o homework. Ela serviu-lhe chá branco, “Pai Mu Tan” de Fujian, na chávena por ele preferida. Mimo, entretém que bem saberia. E soube. E bebericaram juntos.

 

Voltando ele às teclas, ela ficou-se pelo Canadá. Neve terceira: Fargo com a tragédia combinada do branco, morte e dinheiro. Más-línguas dizem The Big White imitação menor de Fargo. Ela perguntou-lhe o que achava: _ Que não, que era profunda a diferença: no Fargo, reinava ambição; na neve segunda, amor incondicional.

 

Espreguiçou-se. Foi à cozinha buscar maçã encarnada à fruteira. Sem a roer, falou com um dedo. Ele seguiu-o. A cumplicidade e o desejo e o quente e o ainda hoje suculento como a maçã na noite fizeram hino.

 

Nota: texto publicado aqui.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:27
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