Sexta-feira, 22 de Novembro de 2013

SEM A BINOCHE NA TELA

 

Mariana Kalacheva                                                  Marta Spendowska

 

Sala de cinema. Um homem e uma mulher ocupam cadeiras contíguas. O filme contraria o tempo - francês, como a trilogia “Bleu, Blanc, Rouge” de Kieslowski. Não tem a Binoche a adoçar a tela no “Bleu” ou no “Chocolat”. O par de atores é desconhecido, mas a marca do não-tempo está lá. Ele e ela. Uma história de amor como todas as histórias, porque mesmo quando o ódio move o guião, nasceu do amor ou da ausência dele.

 

Par que tudo parece fazer divergir. Substituem a normalidade do casal jovem ou de meia-idade (re)descobrindo o amor ou o par em que ele, mais velho, seduz, e é seduzido por uma Lolita declarada legal para amar e ser amada. Não amor platónico, mas o que funde corpos, torna único o cheiro molhado pelo desejo.

 

Amor improvável aquele contado no escuro, à revelia das convenções sociais que tudo pretendem regular. Lento como o movimento da câmara. Não há obscenidade nos planos. Há presença que regista, discreta, o diário do desejo. O deles. Nascido num olhar e num beijo novo na vida dos dois (beijo vindo das funduras, prediz a verosimilhança de um amor).

 

Na tela, é encenado ato amoroso. Na sala, o par de estranhos nem dá pela presença mútua de tão mergulhados naquele oceano de beleza e intensidade. Não sentem o natural constrangimento de se verem presos numa rede de intimidade a que são alheios. Estão quase sós na sala - no final da tarde, poucos ousam não rumar ao destino certo da quentura familiar. E, por maquiavélico ou isento de intenção acaso da bilheteira, arrumados lado a lado.

 

Na sala, ela descruza a perna e muda de posição. O tempo ali existe. Toca-o na falta de jeito de quem nem despegou os olhos da fita. Ele força resposta mecânica ao pedido de desculpa. Tomam consciência de si. E, enquanto vêm os corpos escorrer a magnífica intensidade, sentem o outro respirar. Identificam o odor do corpo próximo. Aumentam a sensibilidade aos movimentos leves de cada um. Um homem, uma mulher. Na sala, na tela. Um gosto feito nó unindo, por horas, vidas distintas.

 

Os atos de amor urgentes e o seu encanto - a intrepidez, a pressa do afundar no outro. Este seria vagaroso. Presente a (...)

 

Nota: texto acabado de publicar aqui.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:53
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