Sábado, 5 de Janeiro de 2013

RISO, SOPA E MAIS

 

Jan Bollaert

 

A família do “Escrever é Triste” tem vindo a libertar-se dalgumas contenções linguísticas. Num rabisco, perorei sobre elas a partir de São Tomás de Aquino: “brincar é necessário para levar uma vida humana”. Defendo o mesmo: gargalhar repõe no espírito energia que o corpo e os dias agradecem – é dado como provado que o riso liberta hormona, endorfina, que para o cérebro importa sensação de bem-estar, alivia dores e tensões. Uma boa piada ou encarar os fatos com bonomia e humor, são melhor remédio que pílulas a granel. Porém, o que faz grasnar de alegria um sujeito ou um povo não garante que noutro, diferente, almeje o mesmo. Os ingleses pelam-se por trocadilhos, os franceses e alemães pelo nonsense, os stars & stripes preferem gracejar sobre assuntos locais. Seja qual for a língua ou a herança cultural, afirmam sabedores que o gracejo deve brincar com o efeito surpresa para a universalidade do riso acontecer.

 

Richard Baxter

 

Por cá, o autêntico vernáculo, condimentado pela gíria, está para as anedotas, como a batata para a sopa; se de legumes melhor - grelos, ervilhas, nabos, ***alhos, tomates e pepinos servidos por curto e eficaz enredo, levam muitos portugueses a lágrimas galhofeiras. Noutra vertente, explosão de génio servida por um vigoroso “porra!” dizem fornecer maior alívio do que um “fosga-se!” desenxabido.

 

Millôr Fernandes defendia que “o nível de stress do indivíduo é inversamente proporcional à quantidade de “foda-se! que espirra.” Perguntava se existe algo mais libertário do que o referido conceito para, em seguida, justificar: “O foda-se! aumenta a minha auto-estima, torna-me uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Liberta-me. "Não quer sair comigo?! - Então, foda-se!". Rematava abonando o direito do termo na Constituição.

 

“Filho de muitos pais” veio substituir com a clássica «delico-doçura» social expressão antiga que envolve ‘senhoras’ dadas a acasalar se remuneradas. Não tem enésimo de expressividade da antiga. Perante desmando institucional ou privado, um "puta que o pariu" bravo e forte põe nos eixos a emoção.

  

E pensar que não me atrevia além do “puxa”, do “caraças”, ou d’une merde ocasional.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:41
link | Veneno ou Açúcar? | ver comentários (2) | favorito

últ. comentários

Olá Tudo bem?Faço votos JS
Vim aqui só pra comentar que o cara da imagem pare...
Olá Teresa: Fico contente com a tua correção "frei...
jotaeme desculpa a correcção, mas o rei freirático...
Lembrai os filhos do FUHRER, QUE NASCIAM NOS COLEG...
Esta narrativa, de contornos reais ou ficionais, t...
Olá!Como vai?Já passaram uns meses... sem saber de...
continuo a espera de voltar a ler-te
decidi ontem voltar a ser blogger, decidi voltar a...
Autor que não foi possível identificar: Andrew Atr...

Julho 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

pesquisa

links

arquivos

tags

todas as tags

subscrever feeds