Segunda-feira, 12 de Agosto de 2013

CANTARES NA ‘MINHA’ ALDEIA

 

Detalhe duma experiência minha a óleo em honra do avô Artur Brojo e duma das casas da família, a "Casa do Prado", sita em S. Cosmado, Aldeias

 

Do espólio familiar e de S. Cosmado-Aldeias (autor das letras e da música Artur Brojo).

 

“Do alto da serra,

Olhei pra baixo e vi

A igreja da minha terra

A casinha onde nasci

 

Vejo além ao longe

Um regato e uma fonte

E uma linda capelinha

Tão branquinha lá no monte

 

Vejo da minha janela

Toda a casinha singela

Nesta aldeia de encantar

Vejo lindo panorama

Que logo a atenção me chama

Para depressa adorar

 

Vejo as ovelhas no monte

Correr a água da fonte

Por enormes ribanceiras

As moças ao regressar

Depois do trabalho acabar

Cantam lindas ramaldeiras.”

 

Enquanto na “Sociedade Industrial” – Amarantes, as lançadeiras iam e vinham, obedeceu ao ritmo e compôs a música do “O meu Amor é Pastor” (poema escrito ao serão do mesmo dia). É considerado património do folclore do Concelho de Gouveia.

 

“O meu amor é pastor

Já anda a aprender a ler

Já comprou uma cartinha

Para depois m’escrever

 

Rapazes e raparigas

Cantai cantigas

Batendo o pé

Também canta o meu amor

Que ele é pastor

Ai lariló-lé.”

 

Artur Brojo tinha profunda consciência da opressão dos trabalhadores pelos donos da terra coadjuvada pela sua experiência fabril (referido em “Maria e Sario”). Embora desse trabalho a quem precisava, jamais explorou o suor alheio. Exemplo duma quadra musicada que, segundo os recontos, criou e o povo a que tinha orgulho de pertencer cantava sob o peso da enxada.

 

“Ao malhar da borda

Vinho à malha

Se o patrão não paga

Fica o pão na palha.”

 

Com o primo António Pinho Brojo e o amigo deste, André, nas férias em S. Cosmado, ambos exímios tocadores de viola e futuros catedráticos de Farmácia na Universidade de Coimbra, nos serões da família e por onde calhava, tocavam até de madrugada.

 

O António, o André mais o Zé Roque faziam serenatas de encantar. O poema seguinte fez parte duma em favor da, ao tempo muito jovem, tia Maria do Céu, vinda ela de férias do Colégio do Sagrado Coração de Maria, na Guarda, onde prosseguia estudos.

 

“Ao longe

Ao cair da tarde

Quando no mar

O sol lentamente

Se vai apagar

É que eu penso

No teu olhar

Tão meigo e profundo

Que me deixa a sonhar.”

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

O par de sequências musicais do avô Artur Brojo abaixo interpretadas pelo Rancho Folclórico de Gouveia, possuem o encanto raro da genuinidade que letras e pautas contêm. Poemas belos que o povo mais idoso das Aldeias ainda trauteia. Giacometti, amigo do avô, garantia a ancestralidade dos temas e ficou pasmo quando numa das visitas teve nas mãos os originais em papel datados e assinados. Aconselharia, a bem do património musical português, deixar cair no esquecimento o autor. Pelo amor aos Hermínios, suas gentes e tradições, o avô concordou e assim aconteceu.

 

publicado por Maria Brojo às 11:42
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