Terça-feira, 23 de Abril de 2013

RASPAS TU, RASPO EU

 

Michael Godard

 

Quem se alheia do tecido social arrisca progressivo desentendimento dos outros e de epifenómenos que marcam o tempo em que é. Na frescura da manhã, ouvido o disparar dos lucros da Santa Casa da Misericórdia à conta da doudice aguda e abrangente pelo «raspa» das Raspadinhas. Raspa quem pode e quem não possui proventos que satisfaçam dignamente a sobrevivência. Porta-moedas mais gordo, esperança comum. Adição a este tipo de consumo, risco também comum. Não raro, é esgotado em raspadelas, fração substantiva do salário. As dívidas chegam depois.

 

Cartão de aparência inocente – barato e à venda em qualquer quiosque seja de esquina ou não -, responde, de imediato, à ânsia do saber se por baixo do abracadabra em forma de película a raspar há pilim a receber. Euromilhões, jogos online, exigem mais paciência e/ou recursos de suporte.

 

O trevo sedutor, endoudando os mais recetivos ao vício do jogo, leva muitos de volta ao tinir das moedas nas máquinas dos casinos donde haviam saído a custo. E se não é o tratado a diabolização das Raspadinhas, é preocupante quando um povo náufrago em vez de procurar boia segura se apoia a jangadas de cartão.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:24
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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011

PORTUGUESA, EXEMPLAR

Salvador Dali

 

Inscrição simples – documentos banais do candidato e impressos em dose comedida. Seleccionadas diligências pretendidas, a instituição actua: visita de reconhecimento por técnicos especializados, definidos cuidados a prestar. Tomado como exemplo casal idoso, lisboeta, ele acamado, a mulher, oitenta para cima, ainda ligeira apesar dos anos acumulados e dalguns padecimentos. Difícil mover o diabético, amputado, regular a glicemia, cuidá-lo para que feridas não surjam e alastrem. Por menos de vinte euros, a instituição envia regularmente enfermeiras, acompanhadas ou não de médico, e cuidadoras da higiene do doente.

 

Na última visita do pessoal de enfermagem, detectada pele seca e uma borbulha na perna restante. Mereceu atenção que olhos desprevenidos julgariam sem importância. No dia seguinte, uma médica desloca-se ao domicílio, inspecciona o motivo de alarme constante no relatório da enfermeira, medica e recomenda o que fazer; do mesmo modo, anota ser necessária consulta da especialidade. Novo dia, a equipa técnica verifica se o tratamento obteve resultados positivos e regista tensão alterada. Marcada consulta outra sempre ao domicílio. Fraldas e resguardos fornecidos mensalmente em número suficiente para não existirem faltas.

 

Informação repetida ao logo dos dois anos de assistência: _ “Havendo necessidade, basta telefonema a qualquer hora para ter auxílio aqui em casa.” Desde então, os serviços prestados continuam idênticos na eficácia. Nome da instituição: Santa Casa da Misericórdia. Portuguesa, exemplar.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 13:58
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