Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

NEM TUDO O VENTO LEVOU

Gary George

 

"Scarlett _ Rhett... if you go, where shall I go, what shall I do?

Rhett Butler _ Frankly, my dear, I don't give a damn.

Scarlett _ Sir, you are no gentleman.

Rhett Butler _ And you, Miss, are no lady.”"

 

Assim retorquia um Clark Gable sobranceiro a uma Vivian Leigh rebelde e apaixonada. Garota, sonhadora, depressa cansei os livros de inocentes afetos, bondade às pazadas, fadas, sapos que eram príncipes, príncipes que eram uma maçada. Tudo envolto em bosques, castelos, heroínas loiras com lábios de rubi. Olhos azuis ou esmeralda. Os joelhos esfolados por campeonatos de salto à corda e à «macaca» não me davam aspeto de menina bem comportada. Que não era, também pelas atrevidas leituras à socapa sem descurar o parecer. Mimada, enamorada pela família, desgostá-los era mágoa pesada. Aprendi a conciliar. Engolir o grito de dor ao desinfetar a ferida, e tapar com a fímbria do vestido, mesmo à justa, a prova do delito. Inventar sítios novos para esconder livros proibidos que devorava, sôfrega, roendo maçãs aninhada num canto qualquer. "Tudo o Vento Levou" visto na «têvê» foi deslumbramento na baralhação entre criança e adolescente. A majestade cénica, a crueza da guerra civil, a escravatura e os distantes senhores valiam por mil histórias da Sarah Beirão que me era permitido ler. Não me despedi do Speedy Gonzalez – preservei-o como resquício de infância com o mesmo valor do gosto por compota acabada de fazer que o lume e o saber da cozinheira deixa no ponto.

 

Amores épicos, grandiosos, heroínas misteriosas de mantilha escondendo parte do rosto e pernas infinitas em saltos agulha, homens sedutores, encostados à ombreira da porta, uma perna dobrada sobre a outra, chapéu descido, cigarro enovelando o fumo no ar. Amores que não vivemos. O que ficou por fazer. (...)

 

Nota: texto completo no "Escrever é Triste".

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 10:02
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Sábado, 27 de Outubro de 2012

‘Room with a view’

Autor que não foi possível identificar

 

Garota, sonhadora, depressa cansei livros de inocentes afetos, bondade às pazadas, fadas, sapos que eram príncipes, príncipes que eram uma maçada. Tudo envolto em bosques, castelos, heroínas louras com lábios de rubi. Olhos azuis ou esmeralda. Os joelhos esfolados por campeonatos de salto à corda e à «macaca» não me davam aspeto de menina bem comportada. Que não era, também pelas atrevidas leituras à socapa. Mimada e enamorada pela família, desgostá-la era mágoa pesada. Aprendi a conciliar. A ler Sarah Beirão. A engolir grito de dor ao desinfetar ferida sorrateira nos joelhos tapados com a fímbria do vestido. A inventar sítios novos para esconder livros pecado, alimento da minha sofreguidão. Charlotte Brontë foi deslumbre na baralhada passagem de menina a adolescente.

 

A leitura continua isolamento amigável. Separa o pequeno mundo onde sou. Abre outros. Concilia a mulher com pensares diferentes. Promove sonhos nem às paredes confessados. Daí a necessidade duma janela, dum espaço que respire o fora, dum room with a view para dar tempo a metaleitura firmada quando o olhar se desprende da página e procura o longe íntimo. Observador daria por inexpugnável o castelo de quem a si própria, lendo, faz companhia.

 

Jean-Pierre Gibrat

 

Má leitora pela índole conduzida ao hábito de devoradora de livros, incrementei a necessidade de voltar ao lido. Confesso mais de vintena de regressos a obras que me caíram no goto, algumas na adolescência. A Cidade e as Serras transportam-me ao Minho da infância estival, aos sabores conseguidos no ferro da panela à lareira, aos rituais agrícolas, às graçolas das gentes, às graças finamente engendradas pelo Eça. Leitura outonal acompanhada pelo roer de maçãs, se camoesas melhor. Indiciada a dependência dos retornos pelos ciclos da Terra. Ao Gonzalo Torrente Ballester no Filomeno, para meu pesar e ao Umberto Eco reservo o Inverno. A inauguração da Primavera ergue-me os braços para retirar Música de Praia da prateleira onde o resto do ano passa ao lado de Pat Conroy. No Verão, releio sagas. Eugénio de Andrade, sempre.

 

Discordo da opinião de amigo estimado, leitor e escritor exigente, ao afirmar que se lhe ofertassem as Fnacs ficaria com dez por cento e para reciclagem útil mandaria os noventa de sobra. A tão radical sentença, oponho o meu congénito ecletismo.

 

Domen Lombergar 

 

Defeito e qualidade.

 

Verso e reverso.

 

Sou dispersa nas escolhas. Leio por inteiro o comprado ou ofertado, à exceção do “Linguado” e dos últimos pedantismos do Mário de Carvalho. Se pelo vocabulário - obriga a dicionário d’antanho, outro atual ao lado - julga atingir hallelujah, que se desengane. Evoluiu, sim, desde a singeleza exemplar no Beco das Sardinheiras. Por dobrões não contados entregou ao diacho que o não leve a pureza sábia.

Refinou e perverteu.

 

Por ora, com entremeios de cambraias outras, leio, em castelhano, Arturo Pérez-Reverte no room with a view. Oferto cambraias finas.

 

A redação está conforme ao «Tpc», querida Tia?

 

CAFÉ DA TARDE

 

publicado por Maria Brojo às 12:30
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Quinta-feira, 27 de Julho de 2006

NEM TUDO O VENTO LEVOU

Gary George “

 

"Scarlett _ Rhett... if you go, where shall I go, what shall I do?

Rhett Butler _ Frankly, my dear, I don't give a damn.

Scarlett _ Sir, you are no gentleman.

Rhett Butler _ And you, Miss, are no lady.”"

 

Assim retorquia um Clark Gable sobranceiro a uma Vivian Leigh rebelde e apaixonada. Garota, sonhadora, depressa cansei os livros de inocentes afetos, bondade às pazadas, fadas, sapos que eram príncipes, príncipes que eram uma maçada. Tudo envolto em bosques, castelos, heroínas loiras com lábios de rubi. Olhos azuis ou esmeralda. Os joelhos esfolados por campeonatos de salto à corda e à «macaca» não me davam aspeto de menina bem comportada. Que não era, também pelas atrevidas leituras à socapa sem descurar o parecer. Mimada, enamorada pela família, desgostá-los era mágoa pesada. Aprendi a conciliar. Engolir o grito de dor ao desinfetar a ferida, e tapar com a fímbria do vestido, mesmo à justa, a prova do delito. Inventar sítios novos para esconder livros proibidos que devorava, sôfrega, roendo maçãs aninhada num canto qualquer. "Tudo o Vento Levou" visto na «têvê» foi deslumbramento na baralhação entre criança e adolescente. A majestade cénica, a crueza da guerra civil, a escravatura e os distantes senhores valiam por mil histórias da Sarah Beirão que me era permitido ler. Não me despedi do Speedy Gonzalez – preservei-o como resquício de infância com o mesmo valor do gosto por compota acabada de fazer que o lume e o saber da cozinheira deixa no ponto.

 

Amores épicos, grandiosos, heroínas misteriosas de mantilha escondendo parte do rosto e pernas infinitas em saltos agulha, homens sedutores, encostados à ombreira da porta, uma perna dobrada sobre a outra, chapéu descido, cigarro enovelando o fumo no ar. Amores que não vivemos. (...)

 

The end

 

Nota: texto completo no "Escrever é triste".

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:14
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Lembrai os filhos do FUHRER, QUE NASCIAM NOS COLEG...
Esta narrativa, de contornos reais ou ficionais, t...
Olá!Como vai?Já passaram uns meses... sem saber de...
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Curta as férias querida...Beijos
ABANDONODAVID MOURÃO FERREIRAPor teu livre pensame...
Ainda?Isso aí no Inverno é gelado ;-)

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