Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2015

RETENÇÃO VERSUS PROGRESSÃO NAS ESCOLAS

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Tom Albertsta

 

É parangona o relatório do Conselho Nacional de Educação dirigido por David Justino. O relatório concluiu que as reprovações a todas as disciplinas quando o aluno apenas manifesta não ter alcançado os objetivos a uma ou duas disciplinas “potencia comportamentos indisciplinados, promove baixa autoestima dos alunos e dificulta ainda mais a aprendizagem.” Quem é profundamente conhecedor da nossa realidade escolar, não pode, em consciência, rejeitar este facto.

 

 

 

Convém que seja trazida à colação a falta de cerca de seis mil técnicos de ação educativa (auxiliares) nas escolas do país. Estabelecimentos de ensino com mil alunos apenas têm ao serviço nove auxiliares de manhã e outros tantos à tarde; outros ainda menos. Impossível controlar saídas faltosas dos estabelecimentos de ensino, vigilância dos pátios e outros espaços fora das salas de aulas, incapacidade de remeter para as mesmas os alunos que optam pela falta. Se, em média, cerca de seiscentos milhões de euros são gastos com as retenções atuais, fatia substantiva é devida a este problema falsamente economicista dum país que não cuida dos seus infantes e adolescentes nem dos restantes cidadãos.

 

 

 

Um aluno que apenas reprovou a uma disciplina é potencialmente elemento perturbador nas turmas onde serão inseridos no ano letivo seguinte. O desinteresse nas disciplinas em que alcançou os objetivos, a maioria no caso vertente, é contagioso nos pares. Daqui à indisciplina geral e a maior número de insucessos é um passo. Por outro lado, reunir os chamados «repetentes» numa só turma em cada ano letivo é medida discriminatória que nada resolve não existindo a possibilidade da escola determinar currículos alternativos para as repetências.

 

 

 

“David Justino considera que «é preciso evitar que a avaliação interna seja um processo de sucessão de notas de exames e testes», sublinhando que «há outras formas de avaliar» e que a avaliação interna «deve ser preferencialmente formativa», e sem «sacrificar uma avaliação à outra», uma vez que devem funcionar numa lógica de complementaridade. Na recomendação aprovada por unanimidade pelo CNE, este órgão refere-se a uma «cultura da nota», que desvaloriza os «processos que promovem as aprendizagens».”

 

 

 

Julgo que abandonar os exames no quarto e no sexto ano é medida isenta de sentido. Todos sabemos que a dedicação dum ser humano ao seu trabalho aumenta havendo provas finais onde conhecimentos adquiridos são postos à prova. E não é a idade que conta – vivemos num mundo em que sempre fomos e somos expostos a avaliações vida fora. Existem aqueles que, ‘à boca cheia’ afirmam serem traumáticas estas provas em idades precoces. Disparate. Sendo bem conduzida a pedagogia, pondo de lado a “cultura da nota”, o estímulo para a aprendizagem de cada criança sai incrementado.

 

 

 

A falta de professores suficientes e especializados no acompanhamento dos alunos com dificuldades é notória. O excesso de burocracia a que estão sujeitos e lhes subtraem tempo para as atividades letivas é vergonha. Desinteresse dos encarregados de educação e injustiça social são factos. Mas nada desculpa o estado que julga economizar e desperdiça escandalosamente. Depois, existe o descrédito que há décadas tem vindo a ser apanágio da atividade docente. Se as instituições de ensino superior não logram formarem bons professores, que sejam, elas sim, avaliadas. Que modifiquem métodos, exigência, conteúdos e corpo docente.

 

 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

 

publicado por Maria Brojo às 11:56
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Terça-feira, 23 de Julho de 2013

AI DE MIM TÃO LATINA...

 

Andrii Afanasiev e Ernan Tornea Pillerva - Pope Francis

 

Apelido de italiano degenerado que remonta a tempo medido em séculos, nada e criada em Portugal, apaixonada pelo Mediterrâneo cujas bordas quase conheço de cor e pelas ciências. Conjuntura que deu no que deu: contradição devida ao pragmatismo emotivo. Pela emotividade, lágrimas - raras, concedo – escorrem na face quando me tocam no ponto E, o da emoção concentrada, momentos e vidas alheias. Foi o caso com a eleição e atual visita do Papa Francisco ao Brasil. Quantas saudades de um chefe da Igreja Católica com riso genuíno e bondoso, de facto envolvido nos problemas sociais sem que abdique dos valores que prega.

 

Steven Vaughan e Kaya Mar - Kare Middleton & Royal Baby'First

 

Se já tinha lacrimejado no passamento da Lady Diana, o mesmo aconteceu com o nascimento do herdeiro do seu primogénito. Um rapagão, pelo que ouvi (3,800 kg não é feito de qualquer um). Depois, há esta coisa de ser particularmente vulnerável a tristes figuras lacrimosas em casamentos, batizados e funerais ou comoções alheias que faço minhas. E sinto-me feliz pela condição de possuir raça latina até doer.  

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:45
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Domingo, 17 de Janeiro de 2010

EM VEZ DA QUINTA, UM CHARUTO


Michael Godard e Mel Ramos

 

Não vivem nela, mas trazem de renda uma quinta. Semeiam, regam e colhem. Zelam pelos vivazes e pelos vegetais que plantam. Em vez de frutos, alfaces e favas, obtêm bens simbólicos na forma de pontos. Como quaisquer rendeiros, quem não trabalha não «manduca». Apodrecem árvores e o semeado. Mas contam os vizinhos que podem ofertar bicharada e sementes para enriquecer e reanimar a quinta. Mais que vizinhos, são amigos. Solidários e generosos. Quantos mais, o lucro sobe.

 

Curiosa pelo empolgamento de queridos próximos, constituí quinta(l). Tudo morto, soube ontem. Sendo má quinteira que não visita, nem nada faz pelo terreno que em sorte lhe coube, o plantio não resistiu. Murchou. Feneceu. Felizmente, mais atenta aos solos reais. Neles, desafogados, crescem pinheiros, árvores de saborosos frutos entre Junho e Dezembro, alfazema que colho e enche sacos de linho bordados, depois, cheirosos em gavetas. Sinto o aroma, piso a terra, embevecem-me as nozes gordas, avelãs e os figos. A fruta luz. Com os pimentos e as abóboras enchem de cor o solo escuro. O rendeiro por conta nada paga, salvo ajuda no jardim da casa provinciana que traz num brinco. Ainda assim remunerado porque o sorriso, a disponibilidade e a boa disposição do Sr. Mário não estão cotados no mercado dos salários.
 
Talvez por saber e sentir riquezas tamanhas, não me entusiasme bonequinha virtual andando de uma lado para outro simulando obra feita na Farmville duma rede social. “A Tale of Sex, Money, Genius and Betrayal”, escrito por Mezrich, conta o parto do Facebook. Como pais, alunos da Universidade de Harvard. Obra polémica que nos EUA tem dado que falar. “Elliot Schrage, porta-voz do Facebook, já reagiu ao livro: «Ben Mezrich aspira a tornar-se a Jackie Collins ou a Danielle Steele de Silicon Valley»." A polémica segue nos capítulos seguintes.

 

Não lerei, é certo, a obra. Não cuidarei a quinta da boneca. Serei vizinha, doarei bens que ao quinteiro traga pontos. Prefiro sentires outros. Reais. Consistentes. Por eles perdi a virgindade num charuto partilhado, molhado, condimentado. Sem descrição fica o prazer do reconto onde a personagem terceira foi, por opção, em vez de um Cohiba um Monte Cristo.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 11:33
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Olá Tudo bem?Faço votos JS
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