Sexta-feira, 14 de Junho de 2013

SEM FOLGAS NEM FERIADOS

 

Autores que não foi possível identificar

 

Inveja e egoísmo cabem, paralelos, nos comportamentos e sentir dos humanos. Wikipédia dixit: “inveja é o desejo por atributos, posses, status, habilidades de outra pessoa gerando um sentimento tão grande de egocentrismo que renegue as virtudes alheias, somente acentuando os defeitos.” Não necessariamente associada a um objeto: a característica típica é a comparação desfavorável do estatuto dalguém relativamente a outra.

 

Nas sociedades competitivas, a inveja decorre como água após o degelo. Consequência, dizem, do darwinismo social - “na autopreservação e auto-afirmação, a inveja é a arma dos incompetentes.” Inveja é a última palavra de Os Lusíadas. Comumente associada à cor verde, como na expressão "verde de inveja". A frase, retirada de uma expressão de Shakespeare, green-eyed monster, remete para um indivíduo motivado por este sentimento menor.

 

O ciúme costuma dar a mão à inveja. O medo da perda envolve, além do pivô do ciúme, quem o sente e quem o motiva. Relacionado com insegurança pessoal, pode, se exacerbado, constituir obsessão. O malfadado e não resolvido Complexo de Édipo obriga o ciumento a exigir fronteiras rígidas à liberdade do outro.

 

Dor, raiva, tristeza, medo, depressão e humilhação são emoções associadas aos dois sentimentos menores que afligem quem os experimenta. Tão naturais ao ser humano como o tédio e a raiva. Danosos. Carecendo de vigilância individual. De análise crítica do «ser» sobre o «ser». Permanente. Sem folgas nem feriados.

 

Era uma vez, uma cobra que decidiu perseguir um pirilampo. Ele fugia com medo da feroz predadora, mas a cobra não desistia. Um dia, já sem forças, o pirilampo parou e disse à cobra:
_ Posso fazer três perguntas?
_ Podes. Não costumo abrir esse precedente, mas já que te vou comer, podes perguntar.
_ Pertenço à tua cadeia alimentar?
_ Não.
_ Fiz-te algum mal?
_ Não.
_ Então porque me queres comer?
_ Porque não suporto ver-te brilhar!

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:19
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Terça-feira, 10 de Abril de 2012

MALVASIA E GEOMETRIA

 

Cruzeiro Seixas

 

Da cabalística não sou maskilim e pouco sei além do mistério emprestado ao sete e ao nove. Nela me iniciei às voltas na Regaleira ou por ficções de credibilidade duvidosa. Dizem ser o três número mágico – a família clássica confortada pela primeira maternidade, o tempo humano traduzido pelo presente, passado e futuro, o mínimo de pernas para suportar mesa ou assento, a base transgressora da pluralidade nas fantasias eróticas, a conta que Deus fez.

 

Terá sido o acaso ou um capricho da fortuna que nos angulou a geometria? Na ausência da malvasia – casta louvada por Shakespeare –, a mistura de tequila e cointreau se à eloquência do discurso pouco acresceu, soltou as emoções. Desprendeu a fala. Quebrou as rédeas do riso. Restituiu à liberdade osgestos. Não que o embaraço fora previsto – no quotidiano justapunha-mos as vidas.

 

À beira das águas mansas do Tejo, e antes do na tua, na dele ou na minha, abrimos portas à volatilidade das intenções. Não nos satisfez o resguardo meticuloso do passado, o presente arrumadinho, a embalagem conformada ao peso e à medida rígida da expedição postal, o fazer adiado para amanhã que pode nem chegar. Da noite a cumplicidade. Da maresia o odor. Do sal o deleite. E acordámos na frase puída - os “(a)casos” podem não ter finais felizes, mas os começos... Ah, esses!... Felizes são.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 17:48
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Domingo, 28 de Junho de 2009

SIGNOS, ROY, NIETZSCHE E PAVESE

 

 Autor que não foi possível identificar
 
Roy Lencastre – nick que não aprecio enquanto tal, segundo a subjectividade que reivindico -, deve esconder insaciável fome de saber. Roy trouxe à colação frases mestras de mestres:
_“A Felicidade é a sensação de que o poder cresce.” Nietzsche
_“Ser infeliz é ter desejos.” Cesare Pavese
 
A Teresa C., personagem humilde, discorda. Os ícones pensantes podem, mas embacia-os, impor subjectividades como postulados ou definições. Sim, Bohr, postulou. Construiu modelo científico. Caramba! Mas o átomo é suposto «coisa». Não se vê, mas apoia a matéria consequente que precisava de modelo para ir adiante. E foi. Ajudado por Sommerfeld e por Schrödinger. Einstein também viria a sustentar base lógica. A Mecânica Quântica emprestou auxílio. Serviu até ao presente. Durante quanto tempo mais? Ninguém sabe.
 
Definir sentimentos e emoções é arrogância. A Teresa C., insubmissa no crédito aos saberes definitivos, lustrou galões. Irreverentes. Por eles, reclama:
_ Crescer é saber menos.
 
Sabe de quem fala _ dela. Não desafina nas «postas de pescada». Como Nietzsche e Pavese, que vasculhou de modo avulso. Talvez pela ignorância a discórdia. Deviam saber que o absoluto é invenção. “Sonho de uma noite de Verão”. Shakespeare sabia. Ela acredita nele.
 
A Teresa C., personagem que a inquietude caracteriza, sempre propagou não se fiar na ladainha dos signos definidos em mapas astrais. Pelo sentir de uma criança com pouco mais de um par de anos de idade, renega o dito. Que se lixe o pragmatismo! Existem semelhanças entre seres nascidos em período semelhante que não encontra noutros. Explicação satisfatória era matriz pessoal coincidente que o crescer molda. Que arrastava à espiral do ADN. Mais não. 
 
Hoje, vai além. Rodeada de familiares amores “escorpiões”, a criança, um entre eles, provou-lhe o improvável – algum copy/paste potencia conjugação harmónica nos “aquários”, “virgens”, “leões” e “gémeos” próximos. Odeia coincidências, uma e outra, sem que as indague. Vício experimental? Talvez! Incoerente? Certeza que a satisfaz e não lhe permite parar.
 
CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 02:56
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Olá. Posso falar consigo sobre a sua tia Irmã Mar...
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