Segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

NINGUÉM NASCE MULHER

Autor que não foi possível identificar

 

Nada acrescentarei como novidade por a escrita e vida antes e com Jean Paul Sartre ser por demais conhecida. Relembro, emotivamente, momentos de leitura proporcionados por Simone de Beauvoir.

 

“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, económico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam de feminino. Somente a mediação de outrem pode constituir um indivíduo como um Outro. Enquanto existe para si, a criança não pode apreender-se como sexualmente diferenciada. Entre meninas e meninos, o corpo é, primeiramente, a irradiação de uma subjetividade, o instrumento que efetua a compreensão do mundo: é através dos olhos, das mãos e não das partes sexuais que apreendem o universo. O drama do nascimento, o do desmamar desenvolvem-se da mesma maneira para as crianças dos dois sexos; têm elas os mesmos interesses, os mesmos prazeres; a sucção é, inicialmente, a fonte de sensações mais agradáveis; passam depois por uma fase anal em que tiram, das funções excretórias que lhe são comuns, as maiores satisfações; seu desenvolvimento genital é análogo; exploram o corpo com a mesma curiosidade e a mesma indiferença; do clitóris e do pénis tiram o mesmo prazer incerto; na medida em que já se objetiva sua sensibilidade, voltam-se para a mãe: é a carne feminina, suave, lisa, elástica que suscita desejos sexuais e esses desejos são preensivos; é de uma maneira agressiva que a menina, como o menino, beija a mãe, acaricia-a, apalpa-a; têm o mesmo ciúme se nasce outra criança; manifestam-no da mesma maneira: cólera, amuos , distúrbios urinários; recorrem aos mesmos ardis para captar o amor dos adultos. Até os doze anos a menina é tão robusta quanto os irmãos e manifesta as mesmas capacidades intelectuais; não há terreno em que lhe seja proibido rivalizar com eles. Se, bem antes da puberdade e, às vezes, mesmo desde a primeira infância, ela já se apresenta como sexualmente especificada, não é porque misteriosos instintos a destinem imediatamente à passividade, ao coquetismo, à maternidade: é porque a intervenção de outrem na vida da criança é quase original e desde os primeiros anos a sua vocação lhe é imperiosamente insuflada.”

 

Nota: para bem conhecer a cronologia de Simone de Beauvoir recomendo este lugar.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:06
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Quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

AMORES NO CINEMA - BARDOT E DELON

 Brigitte Bardot by Lilach Eizenberg                      Brigitte Bardot – Ilustração                                          Brigitte Bardot by Vector 

 

      

Young Brigitte Bardot – Funkpix                                                                Brigitte Bardot et Alain Delon by Raymond Marcel Depienne

 

    

Alain Delon by Shahin Gholizadeh                                                                                                            Alain Delon by Adetomir

 

No filme “Les Amours Célèbres” - película realizada por Michel Boisrond em 1961 -, foi reunido par célebre que continuaria o romance para lá do plateaux. Ambos ícones de beleza, derramavam suspiros nas espetadoras e nos expetadores.

 

Brigitte Anne-Marie Bardot (Paris, 28 de Setembro de 1934) ficou mundialmente conhecida pelas iniciais BB. Foi o grande símbolo sexual dos anos 50 e 60. Ícone de popularidade na década de 1960, foi eleita pela revista americana Time como um dos cem nomes mais influentes da história da moda. Tornou-se estrela internacional em 1957, após protagonizar o polémico filme “E Deus Criou a Mulher” produzido pelo seu então marido, Roger Vadim. Chamou a atenção da intelectualidade francesa e Simone de Beauvoir descreveu-a como "uma locomotiva da história das mulheres" e considerada a francesa mais livre do Pós-Guerra. Viria a ser ativista dos direitos animais após se afastar da vida pública. Em Inglaterra (2009) foi eleita como uma das dez atrizes mais belas da história do cinema

 

Alain Delon (Sceaux, 8 de Novembro de 1935) teve como primeiro grande sucesso O Sol por Testemunha de 1959. A sua beleza física transformou-o num símbolo sexual nos anos 60 e 70.Talvez por isso, tenha lutado para ser reconhecido como um grande ator, e não apenas um ‘rostinho bonito’. Em 1997, para tristeza dos admiradores, Delon anunciou que pararia de atuar, dececionado com os rumos do cinema francês. Possui vários produtos com o seu nome, incluindo roupas, perfumes, óculos e cigarros.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 09:00
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Quinta-feira, 9 de Janeiro de 2014

SIMONE DE BEAUVOIR - 106º ANIVERSÁRIO

 

 

   

 

   

 

     

 

 

 

Nada acrescentarei como novidade por a escrita e vida antes e com Jean Paul Sartre ser por demais conhecida. Relembro, emotivamente, momentos de leitura proporcionados por Simone de Beauvoir.

 

“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam de feminino. Somente a mediação de outrem pode constituir um indivíduo como um Outro. Enquanto existe para si, a criança não pode apreender-se como sexualmente diferenciada. Entre meninas e meninos, o corpo é, primeiramente, a irradiação de uma subjetividade, o instrumento que efetua a compreensão do mundo: é através dos olhos, das mãos e não das partes sexuais que apreendem o universo. O drama do nascimento, o do desmamar desenvolvem-se da mesma maneira para as crianças dos dois sexos; têm elas os mesmos interesses, os mesmos prazeres; a sucção é, inicialmente, a fonte de suas sensações mais agradáveis; passam depois por uma fase anal em que tiram, das funções excretórias que lhe são comuns, as maiores satisfações; seu desenvolvimento genital é análogo; exploram o corpo com a mesma curiosidade e a mesma indiferença; do clitóris e do pênis tiram o mesmo prazer incerto; na medida em que já se objetiva sua sensibilidade, voltam-se para a mãe: é a carne feminina, suave, lisa, elástica que suscita desejos sexuais e esses desejos são preensivos; é de uma maneira agressiva que a menina, como o menino, beija a mãe, acaricia-a, apalpa-a; têm o mesmo ciúme se nasce outra criança; manifestam-no da mesma maneira: cólera, amuos , distúrbios urinários; recorrem aos mesmos ardis para captar o amor dos adultos. Até os doze anos a menina é tão robusta quanto os irmãos e manifesta as mesmas capacidades intelectuais; não há terreno em que lhe seja proibido rivalizar com eles. Se, bem antes da puberdade e, às vezes, mesmo desde a primeira infância, ela já se apresenta como sexualmente especificada, não é porque misteriosos instintos a destinem imediatamente à passividade, ao coquetismo, à maternidade: é porque a intervenção de outrem na vida da criança é quase original e desde seus primeiros anos sua vocação lhe é imperiosamente insuflada.”

 

Nota: para bem conhecer a cronologia de Simone de Beauvoir recomendo http://www.wagnercampelo.com/simonedebeauvoir/cronologia.htm

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

O inesquecível filme sobre Beauvoir e Sartre, “Les Amants du Flore” de Ilan Duran Cohen, legendado em português. Para ser visto em ecrã inteiro.

 

publicado por Maria Brojo às 09:27
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Quinta-feira, 15 de Agosto de 2013

COMUNIDADE DE AVEIRO, 23 DE AGOSTO DE 2002 (II)

 

1ª tentativa de aguarela em grande formato e carvão do final da minha infância inspirados nos testemunhos da tia da pobreza no mundo

 

“Querida Rosinha e Manuel,

 

(…) Recordo a missa nas Aldeias, linda na sua simplicidade.

 

Tenho a certeza, a certeza da Fé, de que os nossos queridos pais estão felizes e são eles, com certeza, que pedem por nós.

 

Fiquei muito feliz com o gesto discreto do Manuel, quando foi ter contigo ao café. É assim, o amor alimenta-se de pequenos gestos de ternura que vão ao encontro da sensibilidade de cada um. E nesta etapa de vida, vós e eu, não precisamos de grandes coisas, mas de gestos de amor verdadeiro e profundo.

 

E pronto. Estou feliz por ter escrito tudo isto. Uma encomenda deve chegar na 2ª ou 3ª feira.

 

Beijinhos, beijinhos da Mª do Céu

 

P.S. – Deixei o carregador do telemóvel na sala de jantar. Arranjei solução aqui. Não se preocupem. Tragam-mo quando regressarem a Coimbra.”

 

Assim termina a carta cuja publicação foi iniciada ontem. Termina também no SPNI a homenagem à tia Maria do Céu Brojo iniciada esta semana. Não esqueço a influência que esta mulher excecional teve no meu percurso. Desde cedo e pelo diálogo, orientou-me leituras - Sartre, Camus, Simone de Beauvoir e outros sempre na língua original -, depois discutidas em família, que completavam as que os pais recomendavam. Sempre respeitados a minha curiosidade e gosto.

 

Uma das músicas que a preenchia era o “Imagine” dos Beatles. Trauteava-a frequentemente com a sua magnífica voz. O conteúdo da letra harmonizava-se com um dos objetivos da missão que escolhera aos dezasseis anos, ainda estudante no Colégio do Sagrado Coração de Maria na Guarda. Para trás, deixou o início de um namoro feliz com o António Pinho Brojo. Este e os pais, a avó Mamia e o avô Artur, tentaram demovê-la. Assentiu em refletir nos dois anos de espera pelo noviciado. Na “Ordem do Sagrado Coração de Maria”, já em Lisboa, escolheu o nome de Madre Anunciata. Prosseguiu estudos nas Universidades de Salamanca e Roma. Lecionou nos colégios da Ordem e em vários liceus do país, sempre vigiada pela PIDE. Razão? Não perder uma oportunidade de apelar à justiça social e, mais tarde, à "Teologia da Libertação". No final dos anos setenta, optou por “Les Frères de La Charité” a que ainda pertence.

 

Imagine

 

Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people living for today

Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people living life in peace

You, you may say
I'm a dreamer, but I'm not the only one
I hope some day you'll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people sharing all the world

You, you may say
I'm a dreamer, but I'm not the only one
I hope some day you'll join us
And the world will live as one

 

John Lennon  

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:48
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Sábado, 22 de Junho de 2013

"LES HOMMES ENDORMIS" DA BRIGITTE BARDOT

 

Peter Engels, autor que não foi possível identificar

 

Volta que não volta, lembro dos anos cinquenta e sessenta do século que já lá vai a diva do cinema europeu que todas as «esposas» sensaboronas temiam. A imagem fornecida da BB condensava inocência e sensualidade capaz de deixar em tremeliques orgásticos o mais pacato dos homens. E eles acorriam aos cinemas sós ou acorrentados pelas respetivas que lhes vigiavam pestanejares e trejeitos quando rosto e corpo perfeitos da Brigitte enchiam os ecrãs.

 

Se as fitas que estrelou enquadradas na nouvelle vague não deixaram grandes memórias, outro destino teve o "Viva Maria" em que partilhava a tela com Jeanne Moreau, bem como o subversivo "E Deus criou a Mulher" dirigido pelo marido, Roger Vadim. Perdura na memória a inesquecível cena em que dança descalça em cima de uma mesa, tida por uma das mais tórridas da história do cinema.

 

Simone de Beauvoir descreveu Brigitte Bardot como "uma locomotiva da história das mulheres". Outros intelectos rotularam-na como a mulher mais livre da França no pós-guerra. Por esse tempo, nos «States», Marilyn Monroe borbulhava como ícone sexual, conquanto não fosse além do púdico maiô obediente aos estúdios hipócritas censores e conservadores. Na mesma época, BB atrevia o bikini, (...)

  

"Ils ont tous les mêmes manières
De peser au creux de nos lits
Abandonnés à leurs mystères
Sans façon désertant nos vies
Ils ont tous les mêmes manières
Les hommes, les hommes endormis

 

Ils ont tous le même visage
Serein détendu rajeuni
Ils ressemblent aux enfants sages
Comme parfois ils sourient
Ils ont tous le même visage
Les hommes, les hommes endormis

 

Repus et alanguis
Au creux de nos bien êtres
Ils dorment lourdement
Inexorablement
Avec de l’insistance
Même de l’insolence
Ils dorment libérés

Loin de tout, loin de nous

 

Les éternelles, les inquiètes
Les amoureuses attendries
Nous les curieuses on les guette
Avec des ruses de souris
Nous, les éternelles, les inquiètes
On les guette, on les guette
Les hommes... Endormis"

 

Nota: texto integral aqui.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:55
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