Sexta-feira, 9 de Abril de 2010

ATRAVESSAM SOL E SOMBRAS

Sonia Roji e Greg Horn

 

Procuram o sol nos cantos onde o vento descansa. Ajuntam-se, aos poucos, quando a manhã arrastou mais de metade. Idosos. Passada lenta. Bengala um por outro. Com excesso de peso quase todos _ caminho andado para corações e artérias atrofiadas. ‘Bom dia!’ à chegada. Palavras escassas depois. Olham, sem ver, o visto diário. Vislumbre de ânimo quando mais um se acomoda nos bancos comunitários.

 

Nas sombras frias que Abril não aqueceu, os mais novos. Desocupados dia sim, dia sim. Falta de trabalho ou de vontade em utilizar com proveito social as horas que fogem perdidas em inutilidade. Cigarro numa mão, cerveja na outra. Magros. Olham e/ou interpelam sem talento as mulheres que passam. No resto, tão velhos como os aquecidos pelo sol. Em frente, apartamentos com boa cara são coberta que os aconchega chegado o tempo da janta. Da noite.

 

Atravessam sol e sombras mulheres elegantes. Passeiam cães ou caminham em passo rápido até desembocarem nos parques onde a saúde e as formas exemplares do corpo são promessa. Equipadas com o melhor do sportswear. Saem dos condomínios fechados. Ignoram velhos e novos próximos pela vizinhança, distantes pelo estatuto da morada e da profissão. A eles e elas acontece virem a casa num pulo. Entram e saem temerosos. Carrões deixados à porta por tempo curto, não os saqueiem ou vandalizem os novos postados nas sombras, camisetas justas, calças descidas, orelhas furadas. Pacíficos no seu bairro _ se desmandos fazem escolhem lonjuras convenientes. Tristes, todos. Uns porque as dores chegaram e adivinham fim próximo, outros pela ociosidade e boa/má vida, os «ricos» pela mediania encapotada, pelos recursos insuficientes para satisfação de prazeres grandiosos, cópias dos abastados de facto. Semelhanças (in)visíveis.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:28
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Sábado, 20 de Março de 2010

SE NA ESTÓNIA RESULTOU, ‘BORA LÁ’ PORTUGAL!

 

 

Sonia Roji

 

Em Julho de 2009, milhares de vezes aberto no YouTube, o vídeo interpelou trio português unido pelo gosto dos veículos todo-o-terreno. Ao "Vamos a isso!" houve passos repartidos por trinta e duas semanas. Hoje, cem mil portugueses de pás, ancinhos, vassouras e luvas em punho, complementados por máscaras, irão desbravar treze mil lixeiras. Varrem entulho amontoado ao acaso ou porque discreto o lugar onde mais existia já  - sujeira motiva sujeira. O Presidente e a Ministra do Ambiente, participam na cruzada. Especulo que sem enfiarem mãos nos detritos, electrodomésticos, plásticos, pneus e outros testemunhos de incivilidade. Mas é bom que estejam presentes. Que leiam vontades de mudança.

 

A ideia transformou-se em mobilização colectiva a favor da causa ambiental. As redes sociais auxiliaram. Voluntários inscreveram-se. Mesmo sem registo prévio, aparecer é bem-vindo. Protecções: colete sinalizador, botas, ténis e, porque chove, impermeável. Estou a fardar-me. Mais instruções aqui.

 

Intervir é cidadania. Individual ou ajuntada, tanto faz. Se neste sábado deixar casa sem limpeza de fundo, esquecer por horas sofás, jornais e «têvês», mais cinquenta e um chegam para rotinas gastas ou prazenteiras. Objectivo deste: mudar, ser político sério e à séria, zelar pela gratificação de ego consciente e solidário.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

 

publicado por Maria Brojo às 07:40
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Terça-feira, 7 de Julho de 2009

O MINISTRO EX, RONALDO E AS RENOVÁVEIS

Soni Roji

 

O ministro que já não é foi de férias. Disse:
_ Atrás virá quem dirá bem de mim.
Que no Olimpo os deuses lhe tenham prestado atenção. Porque adágios são como folhas outonais que o vento leva e como horóscopos _ incluem tudo e todos _, desconfio. O registo/memória alinhará dúzia de palavras no canhenho da história.  No arquivo de imagens, pontificarão dedos em riste. 

 

O ex ministro pelo «abraça-me que eu deixo» endereçado gestualmente na despedida a José Sócrates teve direito a parangonas menores, dentro e fora, que a chegada do Ronaldo a Madrid e ao Real. Das finanças e economia associadas à transferência do craque, falou diário económico madrileno. Ronaldo S.A. foi título e reflexão financeira. Afinal, o «piqueno» nem foi caro – em menos de um ano está pago à própria custa. Saldo em vez de compra entusiasmada no pico da estação.

 

A bem dizer, a putativa rentabilidade da transferência foi negociata semelhante à compra de sistemas de energias renováveis para abastecerem condomínios ou moradias _ pagos com tempo e paciência. Algum de cada. O ambiente e o Real, mais os sócios, agradecem. Com os condóminos, o mesmo.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:39
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