Sábado, 21 de Maio de 2011

CICIOS NO BANCO DETRÁS

Elisabeth

 

No tempo dos cicios, do esvaziar ardente no banco de trás, da flecha depois reerguida na luta do desejo que na carne se cumpre e vai além, era tempo de ideais. Paixões. De contestar normas, o definido pelos poderes da família vinculados pela obediência ou subversão às censuras em letra nos decretos e àquelas escritas com tinta invisível. A quem inaugurava abertura do espírito e do corpo importava saber dos pares na idade e no arrojo no estar. Horizonte adulto como sinónimo de conformação. Indesejado. O tédio e os desconchavos da família como buracos do “nunca eu!” a negro sublinhado. Decisões inchadas de ignorância. O futuro embrulhado em arco-íris. O sangue latejando nas bocas que os sobressaltos do coração faziam girar. E havia entregas assustadas nos esconsos, na casa precariamente vazia se os pais diluíam a modorra do domingo cruzando a Linha, na cama emprestada pelo amigo, na areia que a toalha de praia tapava. Talvez fumo transgressor marcasse a (in)diferença, diluindo confusas razões. À ida, frutos imberbes. No regresso, julgados homem e mulher pela liquidez da gruta que sentira a rijeza complementar.

 

Outras escolhas advinham da ânsia de saber e possuir - religiosas, políticas, entre elas. Batalhas chegariam. Algumas abortadas, outras perseguidas e travadas sem medo anos a fio. Até ao dia da desilusão ou da consciência do vazio ou de apelos maiores. Homens e mulheres feitos pelas dores e contentamentos, pelas manchas de felicidade disseminadas no carreiro, outrora julgado estrada aberta rumo ao azul, experimentaram mudanças. Incoerências sem perdão diriam, um dia, os cúmplices das camas trocadas, os «ninguéns» com pedras sempre à mão.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:28
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