Quarta-feira, 5 de Outubro de 2011

‘CARTILHA DO HOMEM BOM’

Byron Traag Snider,  Sylvia Bokor

 

O SPNI está vivo e de boa saúde na perspectiva da autora dos escritos que nele surgem. Não é um génio literário, comete gralhas temporais e outras, muito lhe falta para dominar a língua portuguesa que ama. Mas é viciada no aprender, bastas vezes com os comentários, parte integrante deste espaço. Submete-os a análise crítica, elucida-se nas fontes que procura e corrige sendo necessário. Todavia, outro vício a caracteriza: abomina delatores de conversas privadas. Acontece que em oito anos desta chaminé virtual, como diria José Pacheco Pereira, somente por duas vezes factos deste teor surgiram. Ao dar conta do ocorrido, a tecla “apagar” foi premida. Idêntico gesto quando esparsos insultos entre comentadores ou dirigidos à autora molestam dignidades. A esta compete ainda moderar intervenções sob a forma que decidir adoptar.

 

Por algumas vezes, casos de vidas aqui descritos foram considerados delações. Rejeito esta interpretação. Preservado o anonimato das fontes, situações exemplares de vidas merecem ser reflectidas ou porque demonstram a miséria vivida pelo nosso povo, ou porque espelham comportamentos atávicos de gentes como nós. Curioso é serem igualmente consideradas como intromissões na privacidade escritos puramente ficcionais o que nem admira pela tendência generalizada de subentender dados biográficos nas letras que outrem alinha e dá a conhecer.

 

Fio honrado de conduta não é universal - depende das sociedades, dos indivíduos, conquanto princípios gerais sejam acolhidos como parâmetros, ainda assim questionáveis em momentos decisivos. Seja tomado como exemplo mentir. Quantos de nós vendo alguém sofrer ou em situação terminal não girou o pensado no intuito de aliviar dores?

 

Não seja entendido como desculpabilização ou justificação de falhas o atrás exposto. Cada um reflecte sobre as práticas quotidianas como pode e sabe e quer. Se, de todo, não as pensa é direito seu. Rotular levianamente comportamentos parece-me impróprio, mas que erga alto o braço quem nunca tiver caído nesta e noutras tentações contrárias aos mandamentos inscritos na ‘Cartilha do Homem Bom’.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:40
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Sexta-feira, 23 de Julho de 2010

0,9 DE FC

 

Sylvia Bokor

 

Estremunhada, abeirou-se da janela aberta que lhe dá ilusão de ponte sobranceira com o verde próximo. Viu, sentiu ao assomar, massas de ar bailarinas sem ritmo plausível. Cacofonia de uivos frios. Le putain de temps empecilhava o programa traçado. Na véspera, ao pensar o amanhã, esquecera de introduzir no projecto o FC. Erro crasso para qualquer engenheiro, arquitecto ou economista. Engano para o cidadão comum se o mesmo faz ao planear a gestão financeira dos recursos. Desacerto grave para os bancos nacionais que esperam o veredicto d’hoje sobre os testes de stress ordenado pela cátedra europeia.

 

Par de horas não eram passadas, abanou a cabeça e ao visto impediu condicionamento. Iria por mais haver além dos afagos serenos do sol e mar. Ideia prima: rente ao Sado, almoço em tasca com assador de rua (no corrupio da Luisa Todi, jamais!). Arrumado para vez futura o regresso ao Carvalhal.

 

Indo ela, indo ela a caminho do Sul, entretida no ‘ultrapassa este e mais aquele’ - segue adiante que tarda o prazer –, olhou a distância percorrida: 48 Km haviam deslizado num Cd. Atendeu ao plano segundo que o subconsciente impusera. Sorriu. Alcácer e a Comporta bordada com dunas e pinheiros mansos. Pela alegria de subverter rumos, virou à direita. Ida há meia hora a metade do dia, parou, entrou, ficou. Lounge acolhedor como sempre. Em vez de museu, Ilha do Arroz. Exterior esparramado sobre os arrozais. Vergas e almofadões e cor protegidos de quenturas desmedidas por telheiro e panos colados. Deleite e gula e olhar e palato em festa conjunta. Areal depois.

 

Repetir esquecimento do FC não fora obra do acaso: abomina os 0,9 do Factor Cagaço.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 10:24
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