Sexta-feira, 14 de Novembro de 2014

INFORMAÇÃO INÚTIL(?) E MANOEL DE BARROS

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  Tom Hanks by Shahin Gholizadeh                                        Manoel de Barros

 

O que faz Tom Hanks em todos os filmes que mais ninguém pode fazer por ele?

 

O ator Tom Hanks distingue-se dos demais por fazer xi-xi em praticamente todos os filmes que protagoniza. De Forrest Gump ao Náufrago, passando por Appolo 13 e o Resgate do Soldado Ryan, a lista é extensa e variada. A mais épica das cenas de micção de Hanks é, indiscutivelmente, no filme de 1992 Liga de Mulheres, uma cena que dura praticamente 1 minuto, mais ou menos o tempo médio de uma informação inútil.

 

Como surgiram os recordes do Guiness?

 

No dia 10 de Novembro de 1951, Sir Hugh Beaver, diretor geral da cervejaria Guiness, foi a uma caçada em North Slob, junto ao rio Slaney; depois de falhar um tiro a uma tarambola dourada envolveu-se uma discussão sobre qual era a ave mais rápida; a tarambola dourada ou a perdiz vermelha. Não tendo encontrado nenhum livro que esclarecesse a questão, apercebeu-se que este era um tipo de discussão que surgia todas as noites em ‘pubs’ do Reino Unido e resolveu patrocinar o Livro dos Recordes do Guiness para acabar com esse tipo de dúvidas.

 

O que é um pangrama?

 

Um pangrama é uma frase com sentido e gramaticalmente correta que contém todas as letras do alfabeto. Quanto menor for a frase, melhor é o pangrama. O pangrama mais popular é o inglês «the quick brown fox jumps over the lazy fox»; em português, e ao abrigo do acordo ortográfico, o pangrama mais curto tem 20 letras e é: «quem traz CD, LP, FAX, engov e whisky JB?».

 

Qual a maior palavra da língua portuguesa?

 

A maior palavra registada na língua portuguesa é: PNEUMOULTRA MICROSCÓPICOSSILICOVULCANOCONIÓTICO, tem 46 letras e é uma amálgama de síndromes; a palavra foi registada em 2001 pelo Dicionário Houaiss da língua portuguesa e descreve uma doença pulmonar causada pela inspiração de cinzas vulcânicas: o nome desta doença é: Silicose.

 

Manoel de Barros

 

“Manoel de Barros foi o maior ou um dos maiores poetas do Brasil. É um dos poetas contemporâneos brasileiros mais conhecidos em Portugal, na Espanha e na França. O coração do poeta Manoel de Barros parou ontem após 6 meses em estado de ruína, como ele mesmo definia os efeitos dos 97 anos de idade, quase 98, que seriam comemorados no dia 19 de dezembro de 2014. Carlos Drummond de Andrade recusou o epíteto de maior poeta vivo do Brasil em favor de Manoel de Barros. A Sua obra mais conhecida é o Livro sobre Nada.”

 

“A maior riqueza do homem

é a sua incompletude.

Nesse ponto sou abastado.

Palavras que me aceitam

como sou - eu não aceito.

Não aguento ser apenas um

sujeito que abre

portas, que puxa válvulas,

que olha o relógio, que

compra pão às 6 horas da tarde,

que vai lá fora,

que aponta lápis,

que vê a uva etc. etc,

Perdoai

Mas eu preciso ser Outros.

Eu penso renovar o homem

usando borboletas.”

 

Manoel de Barros

 

CAFÉ DA MANHà

 

 

 

publicado por Maria Brojo às 11:40
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Quarta-feira, 4 de Setembro de 2013

FILME, LIVRO. QUAL DESBRAVAR PRIMEIRO?

 

Jean Pierre Gibrat

 

A intenção deste amanhecer na escrita era a de transbordar mágoa pelos seis bombeiros mortos, pelos outros cinco em situação de feridos graves ou muito graves, pela enormidade da área portuguesa devastada pelo fogo, pelo drama na Síria. Penoso tema para quem a alma está, pelo mencionado, em labaredas infernais há muito traduzidas em palavras na poesia do Inferno de Dante e na pintura por Botticelli no seu Mappa dell’Inferno.  

 

A propósito do vídeo publicado ontem, o estimado comentador António que há muito não escrevia aqui fez pergunta que me alterou o caminho escrito anteriormente planeado.

_ “Este filme, não é a versão com o Viggo Mortensen, pois não?”

Respondi:

 _ “Sim, esta é versão do Agustín Díaz Yanes com o Viggo Mortensen. Vi repetidas vezes o filme comprado em Espanha, logo falado em espanhol. Se alguma crítica tenho a fazer é a fraca qualidade do som. De resto, correspondeu ao meu imaginário após lida a obra literária. O que não é fácil em idênticas circunstâncias: conto meia dúzia de filmes. Fazendo listagem pela ordem dos que mais depressa me arribam à memória, "O Amante" da Yourcenar, "Morte em Veneza" de Thomas Mann, "O Nome da Rosa" do Eco, "A Insustentável Leveza do Ser" do Kundera, aliás o único livro que o Milan permitiu adaptação cinematográfica, o "Chocolate" da Joanne Harris, "A Cor Púrpura" da Alice Walker.”

 

Cheguei assim a proposta suscetível de debate comum – como condiciona uma leitura adaptada ao cinema a visão prévia do filme? Direi que prefiro absorver o livro, dar-me o luxo de inventar ambiência, corpo e rosto dos personagens fundamentais, e, somente depois, visionar imagens captadas. Frequentemente, adio assistir a um filme se ainda não fruí do prazer de sentir nos dedos e no espírito as palavras. Porém esta é mania redutora e gravosa na consequência: quase certa desilusão com o visto. Lembro, como exemplos, “As Vinhas da Ira” de Steinbeck, “Doutor Jivago” de Boris Pasternak. Injustiça clara para com a arte da recriação, seja na forma de filme ou em teatro – “Jardim Zoológico de Cristal”, escrito por Tennessee Williams, ocorre-me de rompante.

 

O inverso sucede-me. Lido o policial “Código da Vinci” de Dan Brown, visto depois no cinema, jamais desliguei Tom Hanks do protagonista Robert Langdon nas restantes obras do mesmo autor. Com “As Ligações Perigosas” o mesmo. Ao ler o romance homónimo de Choderlos de Laclos, análise sob forma epistolar da aristocracia francesa antes da Revolução, ambiente e personagens sempre pertenceram a Frears em detrimento da mais condimentada adaptação de Milos Formam. Das outras nove adaptações ignoro tudo.

 

Vai longo este perorar. Que mais e melhor outros partilhem.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 08:16
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