Segunda-feira, 4 de Outubro de 2010

VAI UMA FUMAÇA?

Sorayama

 

A culpa da entrada do tabacum na Europa nem pertence ao cavalheiro Jean Nicot que escolheu Portugal para viver. O senhor limitou-se a enviar à sua rainha, Catarina de Médicis, folhas de uma planta que, bem fumada, podiam curar as enxaquecas das quais dolorosamente padecia. A corte de médicos que a rodeava desistira de encontrar remédio para a real maleita. Línguas viperinas afirmam que as enxaquecas se Sua Majestade continuaram, mas que jamais desistiu de inalar o fumo da planta. Visto o facto ou lenda à distância, melhor teria feito em generalizar o uso da tanga indígena dos povos da América Latina onde as folhas cresciam. A história afirma ter sido o corsário inglês Sir Francis Drake a trazê-las para Inglaterra - ao tempo, ladrões atingiam o grau de Sir; então, como agora, logram ser administradores públicos, ministros, deputados, empresários de renome. Indesejável atavismo!

 

O Senhor Jean Nicot acabaria por dar nome científico de baptismo à miraculosa planta que anestesiava assim, assim, e conferia prazer às fumaças: de Nicotiana passou ao descaro de Nicotina. Para sempre o desgraçado embaixador teve o seu nome associado a veneno lento. Ignoro se o homem era pecador convicto e a herança foi castigo de homens inspirados por diabo à espreita.

 

Como é comum nos recuos históricos, consta que Trinidad Tobagum foi nome imposto a uma das terras achadas por Colombo por os nativos aspirarem o fumo através de instrumento chamado tabacum proveniente do Haiti. De modo parecido, o Caribe é Caribe por ter forma de cachimbo.

 

Depois do charuto, em 1840, surgiu o cigarro já afastado o seu consumo de qualquer finalidade terapêutica e meramente associado ao prazer. A Primeira Guerra Mundial proporcionou  uso e abuso da nicotina e os primeiros registos dos seus malefícios. Entre mortos, feridos, destruição e canhões predadores, iniciado percurso científico que tornou indesejáveis cigarros, cigarrilhas e afins. Na desgraça, ao menos uma herança boa.

 

Todavia, teimo: o prestimoso cavalheiro Nicot não merecia ser padrinho forçado da prazenteira substância assassina.

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 12:14
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