Segunda-feira, 28 de Abril de 2014

PLÁGIO DESCARADO

Bo Bartlett

 

Homem que me perdoe, mas sedução é fundamental
Precisa de caráter e verdade transbordantes como vulcão
Que o olhar derrame lava e urgência
Misturar nos gestos tango e valsa lenta
Ter sorriso de que apeteça descobrir os mistérios e rir com eles
Possuir mais do que órgãos e pele
Que ao falar lembre poema de Larkin
Água límpida brotando do espírito
Fonte oculta de que apeteça beber
Espírito com olhos e nádegas
E mãos. Nunca húmidas
Serenas e ousando um regaço de mulher

O olhar tem de ser corajoso e denunciar pitada de luxúria
Puxar pontas da alma e passear no corpo da mulher
Com vagar
Postura ereta, jamais vergada ao peso da vida
Queixo direito assente em pescoço sólido capaz de afrontar borrascas
Costas largas sustendo manto invisível que envolva e inebrie a mulher

Sedução é simplicidade
Tem um quê de fugidia
Enigmática
É ave sem gaiola
Quer largueza de espaço perfumado com hortelã e poejos
Cheiro selvagem a terra viva no corpo da mulher
Aberto ao desejo
Sujeito à lua e marés
Arribado à praia e recuado, depois, ao mar
Eterno e efémero
Homem precisa ser revolto e fundear carícias
Suave ao lamber (...) 

 

Adaptado de “Receita de mulher” de Vinícius de Moraes

 

Nota: publicado integralmente aqui. 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 09:57
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Domingo, 29 de Agosto de 2010

BAIANA COM SOL AFUNDO

 

Imigrantes. Os nossos são heróis lá fora, os que chegam são perigo a evitar. E depois temo-nos por hospitaleiros, por cordatos, tolerantes, anti-racistas e ai de quem contradisser a canastra cheia de qualidades transportada na cabeça. O pregão soa nas ruelas e calçadas e bairros e urbes e aldeias. Porém, entrados num quiosque ou em qualquer loja/lojeca, atendimento com sotaque do Brasil, ou colorido por tom inesperado na pele, empina nariz português. Daí ao refúgio em conceitos primários é salto curto. As brasileiras são armadilhas ambulantes prontas a caçar homens amarrados ou não, brasileiros são madraços, negros acumulam preguiça com actividades mais escuras do que eles, indianos são sovinas com alvará e porta aberta, ciganos são gentalha à cata de borrascas e larápios como profissão, os de Leste corporativamente associados em máfias. Mas aqui d’el rei que os franceses são chauvinistas e não desistem de tomar a imigrante nossa por la petite portugaise que limpa escadas e o rabinho dos bebés autóctones.

 

 

 

Vista a Ludmila, Mila é diminutivo, ouvindo a brasileira da Baía, 19 anos, há dez em Portugal trazida pela família que entre Lisboa e a Margem Sul se fixou, é logro enquadrá-la na injustiça dos estereótipos. Trabalha para obter licenciatura em Nutricionismo. Discurso correcto e fluido. Sensato. Quem dera a muitos nacionais parecido domínio da língua portuguesa, capacidade de trabalho e sacrifício a troco de bem intelectual! Consciente, a Mila, de vir a obter salário menor, enquanto licenciada, do que o auferido hoje .

 

No remate da cortesia que o palato agradeceu, mais houve que a linda baiana com sol afundo. 

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

publicado por Maria Brojo às 07:58
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