Terça-feira, 20 de Março de 2012

O BEM QUE NOS TRAZ

 

Vincent Van Gogh

 

Hoje, no início deste ciclo da Terra, foi notícia ter sido identificado como pertencendo a Van Gogh um quadro florido que pousa num museu holandês. Pelo tamanho da obra que fugia às normas do artista, ficou isento de identificação. No entretanto, o pintor teria escrito a Theo, o irmão, contando que estava a pintar uma tela de maiores dimensões do que era seu hábito com dois lutadores. Analisada a obra, não é que os dois lutadores constavam sob as flores pintadas por cima? Na ausência de imagens da tela descoberta, uma com amendoeiras em flor lembra o facto. Excerto de uma carta que figura como imagem de Vincent Van Gogh ao irmão Theo também merece leitura.

 

A Orquestra Sinfónica Portuguesa e a TSF celebram a Primavera com um grande concerto ao ar livre oferecido à cidade. Hoje, dia 20 de março, pelas 13h, a orquestra interpreta  “A Sagração da Primavera”, de Stravinski, num palco junto à rotunda do Marquês de Pombal. Se assistisse, nem sabe o bem que lhe fazia!

 

Outro excerto duma carta de Vincent para Theo.

For myself, I can hardly decide which season I like best. I believe I like them all equally. Now he who has eyes to see it finds something beautiful and good in every kindn of weather, he finds the snow and the burning sun beautiful, the storm and the calm, the cold and the heat,  he loves every season and cannot spare one day of the year, and in his heart he is contented and resigned to things being as they are.

Winter is the snow with black silhouettes.
Spring is tender, green young corn and pink apple blossoms.
Summer is the opposition of blues against an element of orange, in the gold bronze of the corn.

Autumn is the contrast of the yellow leaves against violet tones. And it is a good thing in winter to be deep in the snow, in spring amid the grass.

In summer among the ripe corn, in the autumn deep in the yellow leaves.

Vincent.”

 

CAFÉ DA MANHÃ

 

Vincent Van Gogh e Vivaldi colaboram para anunciar a Primavera. Bom dia!

 

publicado por Maria Brojo às 10:36
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Sábado, 13 de Fevereiro de 2010

CABIDES MASCARADOS

Boris Artzybasheff


Escuro. Cabides brancos. Muitos. Rascas. Vazios ou com pendures invisíveis. Ininteligíveis. Os cabides eram paredes, tecto e chão. Rodeado por eles, vulto em contra-luz. Curvado, afastava-os à mão e aos pontapés. Abria caminho até à porta entreaberta por onde se atrevia feixe mingolas. À medida do desbravo, mais surgiam. Tentativa continuada. Do mesmo lugar, não arredava pé. Os cabides também não. E o breu persistia. Estorvada a compreensão. Qual o dono do vulto, sombra entre sombras?


Olho meu dentro, outro fora, perscrutava. Teima: perceber o escuro, o mexer sem resultado à vista. O fio luminoso não bastava. E a porta que não abria! Sem claridade, como ver? Quando um sentido embota, outros se espicaçam. Revi, um a um, os cabides. Dei fé: pretensa homossexualidade como «pecado» maior. Noutro: "licenciatura falsa concluída num domingo". Ao lado: “reabertura de mina em Aljustrel dura seis meses”. Mais um: “obras na Guarda assinadas por quem delas não foi autor”. Lateral: “investimento de investimento publicitário por parte de ministérios, institutos e empresas públicas”. Em baixo: Freeport. Sobre a cabeça: Face Oculta. Em frente: culpado da desgraça nacional. Amotinados os cabides.

 

O vulto esbracejava. Desajeitado. Corda desce de insuspeito furo no tecto. O homem olha-a. Enforco-me ou tento fuga? Grita e nenhum som escapa. Pode e não pode clamar socorro. À beira de se esboroar, mais frágil que salitre, o rectângulo governado. Cabides intactos. Ocultam saídas e favorecem liquefacção das paredes que sólidas deviam permanecer. Envoltos em lençóis e apoiados em andas surgidas do nada. Fantasmas ou gigantones de Carnaval.

 

CAFÉ DA MANHÃ
 

 

publicado por Maria Brojo às 08:27
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